SAFE. Sem envolvimento da indústria, Portugal arrisca “não criar a Autoeuropa da Defesa”
Na véspera da aprovação em Bruxelas dos 5,8 mil milhões do programa de empréstimos SAFE, José Neves, do AED Cluster, destacou no Parlamento a necessidade de envolver a indústria de defesa nacional.
Se a indústria nacional não for envolvida, Portugal corre o “risco de não criar a Autoeuropa da Defesa neste momento em que investimos 5,8 mil milhões de euros” com o programa europeu de empréstimos SAFE, alertou o presidente do AED Cluster durante uma audição parlamentar na véspera de a UE aprovar na quarta-feira o programa SAFE português.
“Nós não temos tido um envolvimento direto no SAFE. A AED inicialmente foi convidada para integrar um grupo do SAFE em Portugal, mas na realidade nunca integramos nenhuma reunião e daí o nosso highlight que não integrando nenhuma reunião há uma falta de comunicação entre o que é a indústria de defesa privada, que nós representamos e, se calhar, algumas indústrias, como as da idD Portugal Defence, que já estão claramente colocadas no SAFE”, referiu José Neves, presidente do AED Cluster Portugal, que representa empresas privadas do setor de defesa e aeroespacial,.
Portugal vai receber através do programa SAFE 5,8 mil milhões de euros para a compra de equipamentos como fragatas, drones, satélites ou veículos médios de combate, o maior investimento de uma só vez nas Forças Armadas. O programa — do qual oficialmente não se conhecem detalhes sobre as empresas que irão fornecer esses equipamentos — deverá na quarta-feira obter ‘luz verde’ de Bruxelas.
Nuno Melo, ministro da Defesa, tem referido que no critério de escolha das empresas pesou o seu contributo para a economia nacional. Questionado sobre a capacidade de Portugal fornecer ou produzir os equipamentos de defesa, José Neves destaca como “áreas de maior competitividade” a de estruturas e a de sistemas. “Qualquer aeronave que voe da Embraer, da Boeing, da Airbus, ou qualquer satélite que vá para o espaço, leva tecnologia produzida em Portugal, seja a nível de estruturas, seja a nível de sistemas”, refere. “Claramente, temos competitividade”, assegura.
“O comissário [Europeu para a Defesa e Espaço, Andrius Kubilius] que esteve cá na semana passada mencionou quatro projetos estratégicos a nível europeu: na área de proteção da fronteira a Leste; na área de proteção antimísseis; e noutros dois claramente referiu que Portugal tem de ter um papel decisivo: na proteção da parte espacial e na parte do muro de drones“, disse.
“O risco é nós não aproveitarmos o momento de alta competitividade do nosso setor — uma mistura de talento, de formação, proximidade com a Europa e uma décalage salarial que temos que referir que existe neste momento — e não criarmos a Autoeuropa da Defesa neste momento em que investimos 5.8 mil milhões de euros”, concretizou.
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