O primeiro capítulo do champanhe
Conheça a história da Maison Ruinart, a marca de champanhe mais antiga do mundo e saiba como sobreviveu aos tempos.
Maison Ruinart
Fundada em 1729, a Maison Ruinart é a casa de champanhe mais antiga do mundo e um exemplo raro de como é que se pode passar pelo tempo, sem perder qualidade.
Foi através da visão de Dom Thierry Ruinart, um grande erudito, historiador e Mestre das Artes, que começou a história do champanhe mais antigo do mundo. Profundamente, ligado à sua região natal de Champagne, acompanhava as transformações do seu tempo e, reparou na crescente popularidade de um vinho espumante cada vez mais procurado pelas elites de Paris e pela corte real.
Porém, foi o sobrinho, Nicolas Dom Thierry Ruinart, que fundou a primeira casa de champanhe da marca. Inicialmente era vendido localmente, mas com o decreto de Luís XV, que autorizou o transporte de vinho em garrafa, Nicolas Ruinart soube reconhecer esta oportunidade e, desta forma, abriu caminho à internacionalização da marca.
O champagne da Maison Ruinart rapidamente conquistou as cortes europeias. Em apenas seis anos a produção passou a ser exclusiva ao champanhe e em 1768 a marca deixa de vender a granel e passa a expandir garrafas em caixas de madeira, mais uma inovação que impulsionou fortemente as vendas.
O segredo está na inovação
Determinação, excelência e inovação são três grandes chavões que caracterizam a história da Maison Ruinart e justificam o seu sucesso. Desde a habilidade de mistura de vinhos dos mestres das adegas, que proporcionam a consistência e a qualidade do “estilo Ruinart” à capacidade de inovar que esteve presente desde logo, com as primeiras gerações e as suas viagens para desenvolver os mercados, na decisão de transportar champanhe em caixas de madeira e na criação e comercialização do primeiro champanhe rosé, em 1764, conhecido como Ceil de perdrix.
"Impulsionada por um desejo de excelência e autenticidade, a Maison Ruinart serve os epicuristas para quem a prova de vinhos é tanto uma experiência intelectual como uma vivência sensorial e ética"
Chardonnay
A alma da Ruinart
Entre as três castas que definem a região de Champagne, Pinot Noir, Meunier e Chardonnay, a Maison Ruinart escolheu fazer do Chardonnay o eixo central da sua identidade. Esta casta confere aos champanhes da Maison uma assinatura reconhecível: frescura, leveza e uma estrutura delicada que privilegia a subtileza em detrimento da exuberância.
Cultivado sobretudo na Côte des Blancs e na Montagne de Reims, o Chardonnay é também uma das castas mais desafiantes da viticultura. Extremamente sensível às variações climáticas, exige um conhecimento profundo do terroir e uma atenção constante ao equilíbrio entre maturação e acidez. É nesse rigor, invisível para quem prova, mas determinante para quem cria, que se constrói o estilo Ruinart.
Sillery
O cru emblemático da Ruinart
Este cru, um dos mais antigos da história documentada, é o único de Chardonnay da Montagne de Reims e tornou-se um dos vinhos brancos mais procurados do mundo. Entre os 17 grands crus de Champagne, é também uma das vinhas de menor dimensão — um detalhe que reforça ainda mais a sua raridade.
Os arquivos revelam que, desde 1785, a família Brûlart, uma linhagem de magistrados que serviam a Coroa, detinha uma parcela de terreno denominada “La Maréchale”, em referência à esposa do marechal d’Estrées, cunhada do célebre favorito do rei Henrique IV, proprietário dessas terras no início do século XVII.
La Maréchale dá nome a uma das cuvées mais históricas da Maison. E a história guarda ainda um episódio emblemático: numa noite de março de 1814, foi muito provavelmente um vinho de Sillery de François-Irénée Ruinart que Napoleão Bonaparte provou durante a sua passagem por Reims — um gesto simbólico que liga definitivamente este terroir à grande narrativa europeia.
Alterações climáticas: um desafio que se pode tornar um aliado
As práticas de viticultura sustentável já integram há vários anos o ADN da empresa, através da preservação da biodiversidade, na redução do consumo de recursos e em soluções mais naturais para o cuidado das vinhas. Este compromisso valeu à Maison a certificação de Alto Valor Ambiental, refletindo uma visão onde tradição e responsabilidade caminham lado a lado.
A vindima é realizada manualmente no final do verão, quando as uvas atingem o equilíbrio ideal entre açúcar e acidez. Cada ano é único, moldado pelo terroir e pelo clima que, com as alterações climáticas, pode ser um desafio. “As alterações climáticas são um desafio para os viticultores. Para a Maison Ruinart, são também uma oportunidade para aprofundar o conhecimento e adaptar práticas, continuando a valorizar a singularidade do terroir de Champagne”, explica Caroline Fiot, Mestre de Adega da Maison Ruinart.
A arte passada de geração em geração
A vinificação
Gentil e progressivo.
É desta forma que é feita a extração do sumo das uvas para maximizar o potencial aromático. O mosto fermenta em cubas de aço inoxidável com controlo de temperatura, preservando a frescura e a subtileza dos aromas. É neste momento que os açúcares são transformados em álcool a baixa temperatura.
Loteamento
Lotear pode ser uma arte.
Esta arte que dá ao vinho a sua identidade é feita pelo mestre da adega e a sua equipa entre novembro e março. Através da sua experiência e intuição, avaliam as qualidades do vinho, fazem provas e tomam notas, tentando determinar como cada vinho irá evoluir ao longo do tempo. Os vinhos de reserva de anos anteriores são misturados com vinhos não vintage de um determinado ano. Isto garante a consistência do estilo Ruinart.
A Maison Ruinart tem uma seleção significativa de vinhos à escolha, pois possui entre 50 a 70 dos 319 crus cultivados na região de Champagne.
Engarrafamento e envelhecimento
A virtude do tempo.
Cada mistura de vinho é engarrafada com a levedura e o açúcar, o que dá início à segunda fermentação alcoólica num ambiente fechado, o que confere ao champanhe as suas bolhas distintivas.
As garrafas são então seladas temporariamente e colocadas em prateleiras, um processo antigo chamado «entreillage», que envolve empilhar as garrafas de forma ordenada. Para evitar que a pilha desmorone, ela precisa estar perfeitamente reta e horizontal. Blocos de madeira são adicionados para garantir que as garrafas permaneçam no lugar. E é daí que vem a expressão «sur lattes». Se o processo de entreillage tiver sido realizado corretamente, ele permanecerá intacto mesmo que uma garrafa exploda.
Para o envelhecimento, os vinhos são colocados crayères da Maison Ruinart — enormes cavernas de giz que agora são classificadas como património mundial da UNESCO. Essas antigas pedreiras da época medieval certamente constituem uma parte notável da história.
As crayères, semelhantes a catedrais, proporcionam um ambiente ideal para o envelhecimento do vinho: níveis de humidade adequados, temperaturas entre 10 e 12 graus durante todo o ano e uma escuridão imperturbável. Para desenvolver plenamente a sua riqueza aromática, os vinhos não vintage permanecem aqui por até 3 anos, enquanto os vinhos vintage esperam por 5 anos, os vinhos Dom Ruinart por cerca de 10 anos e os vinhos reserva por 20 anos ou mais.
Vinhos vintage
O instante eternizado.
R de Ruinart
Elaborado a partir de uma combinação equilibrada de cerca de 50% Chardonnay e 50% Pinot Noir, com um toque subtil de Meunier e a integração de vinhos de reserva dos dois anos anteriores, o R de Ruinart apresenta-se com uma tonalidade amarelo-luminosa, marcada por delicados reflexos dourados.
No primeiro impacto aromático, revela-se fresco e elegante, com notas de fruta de polpa branca, como pera, maçã e damasco, acompanhadas por nuances de avelã e amêndoa. Apontamentos florais ligeiramente especiados acrescentam profundidade e sofisticação.
Num segundo momento, surgem aromas mais intensos e envolventes, onde se destacam referências a biscoito e brioche.
Ruinart Rosé
Os aromas finos de frutos vermelhos entrelaçam-se com sugestões exóticas de goiaba e lichia, criando um perfil aromático delicado e expressivo. Só a denominação champanhe permite a combinação de vinhos tintos e brancos, um saber-fazer que está na origem desta cuvée singular.
Desde o seu lançamento, este champagne de tom romã, com reflexos alaranjados, conquistou um lugar especial entre as criações da Maison, graças ao seu carácter distintivo e ao sabor inconfundível que o tornou um dos mais apreciados da Ruinart.
Ruinart Blanc de Blancs
Feito exclusivamente de de Chardonnay, é a assinatura da Maison, um símbolo de leveza e pureza. Após crises e duas guerras mundiais, a Maison Ruinart redefine o seu estilo para confirmar a sua identidade. O resultado? Uma garrafa transparente que exibe um vinho icónico dourado com toques de verde-esmeralda.
Resultado de uma combinação de chardonnays de diferentes anos, o Blanc de Blancs baseia-se sobretudo em vinhos premier cru da Côte des Blancs e da Montagne de Reims, conhecidos pela sua elegância aromática. Estes são complementados por vinhos do Sézannais e de Vitryat, enquanto as parcelas do norte do vale de Vesle reforçam a sensação de leveza no conjunto.
Este produto é o resultado da experiência do mestre de adega, cujo desafio é reproduzir o mesmo sabor, ano após ano, para que os clientes redescubram a sua frescura característica.
Dom Ruinart Vintage
Produzido apenas em anos verdadeiramente excecionais, o Dom Ruinart Vintage nasce da visão do mestre de adega, que seleciona uvas provenientes exclusivamente de grands e premiers crus da Côte des Blancs e da Montagne de Reims. Cada edição tem uma personalidade própria, reconhecível, mas nunca igual à anterior.
Criado em 1959, o Dom Ruinart presta homenagem a dom Thierry Ruinart, figura inspiradora da Maison. Desde a sua origem, é apresentado em garrafas de inspiração histórica, evocando o estilo utilizado no século XVIII.
A versão Blanc de Blancs é composta integralmente por Chardonnay de vinhas grand cru: 63% da Côte des Blancs — sobretudo de Chouilly, Le Mesnil e Avize — e 37% das encostas norte da Montagne de Reims, com destaque para Sillery e Puisieulx.
A esta expressão branca junta-se também uma interpretação rosé, onde o Chardonnay se combina com vinhos tintos provenientes de prestigiados grands crus da Montagne de Reims, como Sillery, Verzenay e, por vezes, Aÿ. Poucos champanhes rosés integram vinhos de origem tão nobre e em proporções tão significativas.
Sempre que a colheita de Chardonnay atinge um nível excecional, o mestre de adega opta por produzir o Dom Ruinart em quantidades muito limitadas, preservando o seu carácter raro e exclusivo.
Dom Ruinart, Blanc de Blancs – La Réserve
O Dom Ruinart Blanc de Blancs La Réserve resulta da combinação de seis chardonnays grand cru provenientes da Côte des Blancs e da Montagne de Reims.
Este vinho de exceção, lançado pela primeira vez em 1998, desenvolve toda a sua expressão aromática após duas décadas de envelhecimento nas históricas crayères (caves de giz), onde a rolha de cortiça permite uma evolução lenta e harmoniosa.
Após o remuage manual, que concentra os sedimentos, as garrafas continuam a estagiar de cabeça para baixo. Segue-se o dégorgement “à la volée”, realizado garrafa a garrafa, e um último ano de repouso em cave, essencial para alcançar a complexidade que distingue este champagne.
A história da Maison continua a escrever-se em cada taça
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