Douro arrisca perder título de Património Mundial da Unesco
CIM Douro receia impacto das alterações climáticas na paisagem e produção agrícola e, por consequência, a perda da classificação de Património Mundial da Unesco, caso não haja plano de gestão hidríca.
O Alto Douro Vinhateiro corre o risco de perder o título de Património Mundial da Unesco, se o Governo e as instituições responsáveis da região não avançarem “rapidamente” com um plano de gestão eficiente dos recursos hídricos, de modo a fazer frente às alterações climáticas. O alerta é deixado ao ECO/Local Online pelo presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Douro, Luís Machado, que se diz preocupado com a situação, principalmente perante a instabilidade política no país.
“Se nada for feito agora, daqui a dez anos não seremos a mesma região. As alterações climáticas terão impacto na paisagem, na vinha e na produção das diversas culturas; o que poderá comprometer a classificação de Património Mundial pela Unesco”, avisa o líder da CIM Douro, também presidente do município de Santa Marta de Penaguião.
Situado na Região Demarcada do Douro — a mais antiga área vitícola regulamentada do mundo –, o Alto Douro Vinhateiro foi inscrito, em 2001, na lista de Património Mundial da Unesco enquanto paisagem cultural, evolutiva e viva.
Se nada for feito agora, daqui a dez anos não seremos a mesma região. As alterações climáticas terão impacto na paisagem, na vinha e na produção das diversas culturas; o que poderá comprometer a classificação de Património Mundial pela Unesco.
“Se a nossa paisagem morrer, se as nossas vinhas forem abandonadas por causa da falta de água e da seca, deixamos de ter uma paisagem viva e evolutiva; logo essa classificação ficará em risco. E a desertificação será ainda mais acentuada na região” duriense, reitera Luís Machado. Até porque, argumenta, “a água é essencial para que as pessoas continuem a trabalhar, produzir e, por consequência, gerarem riqueza“.
Mesmo com um Governo de gestão no país, o líder da CIM acredita que o primeiro passo será dado em breve, mediante a constituição de um grupo de trabalho para definição de um plano estratégico de gestão e de preservação dos recursos hídricos do território. Até porque, atira, “as alterações climáticas não esperam por crises políticas“.
“Estamos empenhados em trabalhar com o Ministério da Agricultura, Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), Instituto do Vinho do Porto (IVP), Casa do Douro e outros agentes locais e estruturas da agricultura para rapidamente desenvolvermos um plano de gestão e preservação da nossa água”, detalha o responsável da entidade representativa de 19 municípios dos distritos de Bragança, Guarda, Vila Real e Viseu.

Apesar de os recursos hídricos ainda não serem um grave problema na região do Douro, Luís Machado entende que urge “começar a definir critérios e medidas preventivas” para fazer face às alterações climáticas. Em cima da mesa vão estar soluções para garantir a produção de energia elétrica, o abastecimento de água à população e a utilização na rega das culturas, designadamente da maçã, uva, azeitona e amêndoa. Acresce ainda o estabelecimento de uma solução para a sustentabilidade do turismo fluvial.
Os parceiros deverão comprometer-se com a execução de um “programa em que a água sirva todos de forma equitativa e seja um garante da sustentabilidade socioeconómica da região“. Construir novas barragens e aumentar a capacidade das que já funcionam no território, como a de Vilar, são algumas medidas a solidificar no grupo de trabalho que será constituído.
O reaproveitamento das águas pluviais para possível uso no verão é outra das propostas em carteira. “Temos muita precipitação na época de inverno e é preciso encontrar forma de a reter com novas barragens e tanques de retenção” de modo a evitar o stress hídrico, sugere.
Luís Machado está confiante no contributo do programa do Governo “A água que nos une” — dos ministérios da Agricultura e do Ambiente –, que já prevê a construção de algumas barragens, para ajudar na resolução deste imbróglio que se avizinha. Este plano visa a gestão eficiente dos recursos hídricos.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Douro arrisca perder título de Património Mundial da Unesco
{{ noCommentsLabel }}