
Gestão do luxo, uma escola de paciência, visão e coragem
O luxo aprende-se. Mónica Seabra-Mendes, Diretora do Programa Executivo de Gestão do Luxo na Católica Lisbon Business & Economics explica a importância da formação para a excelência.
A gestão de marcas e empresas de luxo requer profissionais com perfis muito específicos, ao exigir que se equilibre negócio e arte, gestores e criativos e ao pressupor uma gestão contraintuitiva, muito diferente da tradicional lógica económica.
A importância de ensinar o luxo e a sua forma particular de gestão vai muito para além do mercado do luxo. No luxo transmite-se conceitos de excelência, criatividade, exclusividade e liderança num contexto de longo prazo. Na realidade, as ferramentas da gestão do luxo poderão, e deverão, servir para acrescentar valor a qualquer produto ou serviço, independentemente do setor e segmento em que atue. Marcas como a Apple, a Nespresso e a Tesla, são exemplos de marcas que não sendo do luxo, se apropriaram de muitas das suas ferramentas de gestão, o que muito contribuiu para o seu sucesso global.
Na formação de profissionais de luxo exige-se, num primeiro momento, uma contextualização nos domínios da psicologia e da sociologia, bem como uma compreensão dos conceitos de beleza, de arte e da estética em geral, elementos-chave na criação do desejo. Antes de se falar de luxo no contexto de negócio, é importante perceber que o luxo é uma necessidade humana. Num segundo momento, e porque os setores de atividade que o luxo compreende são muitos e variados, é necessário trabalhar os conceitos chave e os intangíveis transversais a todos os setores. No segmento do luxo, tanto podemos estar a falar do mercado da perfumaria que vende milhões de produtos, como do mercado da aviação privada em que os clientes se contam pelos dedos. É importante ainda salientar o papel fundamental da liderança, da capacidade de dizer frequentemente “não” e da coragem de assumir que nem sempre o objetivo de uma marca é vender mais ou, pelo menos, de servir na totalidade as necessidades do seu mercado. É importante perceber, por outro lado, que os negócios do luxo são de muito longo prazo, com retornos financeiros longos e que exigem, por isso, recursos económicos e capacidade de liderança para saber esperar, sem nunca comprometer a qualidade, a estratégia e os valores da marca.
Depois de estudadas as especificidades da gestão do luxo, de uma forma mais transversal, é importante compreender as particularidades dos seus diversos setores e as tendências particulares de cada mercado, quer se trate da moda, da joalharia, da relojoaria, da marroquinaria, dos vinhos e das bebidas espirituosas, da art de la table, da gastronomia, da hotelaria, dos automóveis, dos iates e da aviação privada, entre outros.
E em qualquer parte do percurso da formação é importante ouvir testemunhos inspiradores e conhecer os rostros por detrás das marcas, bem como os bastidores onde a magia acontece. É preciso viver o luxo na primeira pessoa, muito para além de o viver como eventual cliente. É preciso sentir a transcendência que os objetos de exceção e as experiências memoráveis trazem ao ser humano. É aqui que se sai da sala de aula. É aqui que os profissionais se envolvem e melhor entendem este mundo de privilégio e de privilegiados. Há executivos que afirmam que há um antes e um depois do Programa de Gestão do luxo, nas suas vidas. Eu acredito que sim. O luxo tem essa prerrogativa, a de nos levar por caminhos sem retorno.
A gestão do luxo ensina, em última instância, que o exercício do luxo é um ato de respeito máximo pelo “outro”, no sentido em que cada um dá o melhor de si, na esperança de provocar o melhor do outro.
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