Estudar contabilidade é investir no futuro
O que está “em risco” não é a profissão de contabilista, mas sim a sua versão tradicional. Quem se adaptar, não só continuará relevante, como será ainda mais valorizado.
Com alguma frequência surgem artigos, nas redes sociais ou outros, que enumeram cursos superiores que, alegadamente, a Inteligência Artificial (IA), desaconselha. Entre eles, aparece por vezes a Contabilidade. Nada mais enganador. Classificar esta área como uma profissão “em risco” é um erro que em nada favorece o mercado de trabalho, que continua, e continuará, a precisar urgentemente destes profissionais.
As profissões ligadas à contabilidade não estão a desaparecer, estão a transformar-se. Nunca as Instituições de Ensino Superior tiveram tanta dificuldade em acompanhar a forte procura das empresas por profissionais com formação sólida nesta área. A origem deste equívoco talvez resida na imagem ultrapassada do antigo “guarda-livros”, figura associada a tarefas rotineiras e repetitivas, o “mangas-de-alpaca”. Essa realidade pertence, e não é de hoje, ao passado, e algo longínquo.
A contabilidade viveu uma autêntica revolução tecnológica. As tarefas mais rotineiras foram automatizadas, mas o fator humano sempre foi necessário. Hoje, a IA tornou-se uma aliada. Ferramentas de machine learning e sistemas avançados de análise de dados permitem tratar grandes volumes de informação de forma rápida e rigorosa, adequados à dimensão das entidades que assim o exigem. Estes profissionais atualmente são, por isso, muito mais do que executores de registos, são intérpretes de informação, tradutores de números em decisões estratégicas.
As oportunidades multiplicam-se. Há uma crescente necessidade de especialistas em consultoria financeira, fiscal e de risco, auditoria a sistemas automatizados e recentemente na área da sustentabilidade empresarial. Surgem novas áreas de atuação, onde o conhecimento técnico se alia à capacidade de compreender e orientar o negócio. A contabilidade está, mais do que nunca, no centro das decisões das organizações.
O que está “em risco” não é a profissão de contabilista, mas sim a sua versão tradicional. Quem se adaptar, aprendendo contabilidade e aliando a tecnologia, análise de dados e a gestão da informação não só continuará relevante, como será ainda mais valorizado.
Neste contexto, as Instituições de Ensino Superior têm uma responsabilidade crucial. Devem atualizar os objetivos de aprendizagem dos seus cursos, ajustando conteúdos programáticos às novas exigências do mercado. É essencial formar profissionais com pensamento crítico, domínio tecnológico e visão estratégica, capazes de enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades de um mercado em constante evolução.
Comparar a contabilidade de hoje com a do passado é como comparar uma sala de operações de há cinquenta anos com um bloco operatório moderno. A essência permanece, servir o bem comum e garantir confiança, mas os instrumentos e as competências mudaram profundamente.
A contabilidade não está em extinção, pelo contrário, continua em expansão. Foi, é e será essencial para compreender o presente e construir o futuro.
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