Rangel diz que investimento europeu em defesa é um “caminho irreversível”

O ministro dos Negócios Estrangeiros, na conferência “O futuro da segurança da Europa”, defendeu ainda que Europa tem de apostar em rede livre comércio para combater "deriva protecionista".

O investimento que a Europa está a fazer na defesa e o reforço do pilar europeu da NATO é um “caminho irreversível”, e ligado ao tema da Ucrânia, uma “questão existencial para a Europa”, defendeu Paulo Rangel. Portugal só irá aderir ao Conselho de Paz proposto por Trump se o mesmo se cingir a Gaza e cumprir resolução da ONU, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros, na conferência “O futuro da segurança da Europa”, a decorrer esta terça-feira na Fundação Gulbenkian, em Lisboa.

“Tudo o que é o programa SAFE, tudo aquilo que é o investimento europeu na defesa, tudo aquilo que seja reforçar o pilar europeu da NATO, é fundamental e é um caminho irreversível. É um caminho muito importante, que está totalmente ligado, neste momento, ao apoio que devemos dar à Ucrânia, porque a Ucrânia é uma questão existencial para a Europa”, defendeu Paulo Rangel, na conferência coorganizada pela Associação Portuguesa de Direito Europeu e pelo Centro de Estudos Europeus do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa.

“Qualquer que seja o acordo [de paz] será sempre dependente da Ucrânia e da sua vontade, evidentemente que nós teremos que ter um papel muito mais relevante”, diz. “E o apoio à Ucrânia é absolutamente essencial. Não vale a pena termos ilusões sobre isso, porque este regime russo não vai parar. Porque, ao contrário do que muita gente julga, ele não luta pela economia, nem luta apenas pela política. Ele luta com a história”, aponta.

As relações com o aliado EUA e a posição da Europa foi algo também referido pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, considerando que a única forma do velho Continente combater “derivas protecionistas” é através de “uma rede de livre comércio” com várias regiões, como o acordado esta terça-feira entre a União Europeia e a Índia, com o Mercosul ou com os países ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático, que agrega países como Indonésia, Singapura ou Tailândia).

“Temos que criar essa rede. E essa rede terá uma força verdadeiramente colossal que irá forçar tanto os Estados Unidos, se continuarem numa deriva protecionista, como a China, a encontrarem alternativas e, eventualmente, a virem para o consenso do livre comércio”, aponta o governante. É uma estratégia que também tem a ver com a segurança”, reforça.

Soberania da Gronelândia é “linha vermelha”

A soberania da Gronelândia, foco de tensão recente entre a Europa e os EUA, é “uma linha vermelha” para o Governo português. “A soberania e a integridade territorial da Groenlândia têm de ser respeitadas. E, portanto, a nossa solidariedade com o Reino da Dinamarca e com o povo da Groenlândia é total”, afiança. “Agora, somos a favor do diálogo com os Estados Unidos nesta matéria. Somos a favor de que a questão do Ártico seja resolvida no contexto da NATO“, diz.

“É fundamental termos um entendimento sobre a segurança nesta nova região. Ela não é nova, mas oferece hoje novas perspetivas geopolíticas e, portanto, novos riscos e uma nova frente de ameaça para a Europa, que é a frente norte”, aponta.

Conselho de Paz terá de ser cingir a Gaza e cumprir resolução da ONU

Para nós, o Board of Peace é perfeitamente enquadrável se se restringir a Gaza”, diz. “Há uma resolução do Conselho de Segurança, de setembro de 2025, que diz que para a segunda fase do processo de paz em Gaza e no conflito Israel-Palestina — o que está previsto é uma espécie de Comissão da Paz, ou Conselho da Paz, ou Junta da Paz, como quisermos chamar, Board of Peace, que terá um papel de supervisão política de um governo tecnocrático que atua em Gaza”, refere.

Portugal só poderá juntar-se ao Board of Peace [“cuja arquitetura interna não pode ser aquela que foi apresentada”, se “ele cumprir o desígnio da resolução do Conselho de Segurança” da ONU.

Presidido por Donald Trump, o Conselho de Paz enviou convites de adesão a vários países, incluindo Portugal, sendo que o preço de um lugar permanente é de mil milhões de dólares (854,3 milhões de euros).

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