Trump avisa Irão que o “tempo está a esgotar-se”. Alemanha diz que dias do regime estão “contados”

  • Lusa
  • 28 Janeiro 2026

Trump espera que o Irão "concorde rapidamente em 'sentar-se à mesa' e negociar um acordo justo e equitativo – sem armas nucleares". Chanceler alemão diz que dias do regime "estão contados".

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avisou esta quarta-feira o Irão que “o tempo está a esgotar-se” antes de possível um ataque norte-americano a Teerão, intimando-o a chegar a um acordo sobre o seu programa nuclear.

Numa publicação na sua plataforma Truth Social, Trump escreveu que espera que o Irão “concorde rapidamente em ‘sentar-se à mesa’ e negociar um acordo justo e equitativo – sem armas nucleares”, alertando para uma ação militar dos EUA “muito pior” do que os ataques de junho passado contra instalações nucleares iranianas.

Washington reforçou a sua presença no Golfo Pérsico com o envio do porta-aviões USS Abraham Lincoln e da sua escolta, cuja chegada à região foi anunciada pelos militares norte-americanos na segunda-feira passada, numa demonstração de força em resposta às tensões crescentes com Teerão.

Referindo-se à “enorme armada”, Trump afirmou que esta frota é “maior (…) do que a enviada para a Venezuela”, indicando a prontidão dos Estados Unidos para cumprir rapidamente a sua missão, “rapidamente e de forma violenta, se necessário”. As tensões entre os dois países estão no seu ponto mais alto desde a repressão aos protestos antigovernamentais no Irão no início deste ano, que motivou críticas internacionais e preocupações sobre a estabilidade regional.

Apesar dos apelos ao diálogo, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que o Irão só poderá negociar se os EUA “cessarem as ameaças e as exigências excessivas”, recusando negociações sob pressão militar.

O chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou entretanto que os dias do regime iraniano estão “contados”, um mês após o início de um movimento de contestação reprimido com violência pelas autoridades do Irão.

“Continuo convencido de que um regime que só se consegue manter no poder recorrendo à violência pura e ao terror contra a sua própria população tem os dias contados”, disse Merz em Berlim, numa conferência de imprensa conjunta com o homólogo romeno, Ilie Bolojan.

O chanceler acrescentou que esse desfecho “pode contar-se em semanas” e defendeu que o regime de Teerão “não tem qualquer legitimidade para governar”. Merz associou-se ainda à posição da Itália, que pretende incluir a Guarda Revolucionária Islâmica, o exército ideológico do Irão, na lista de organizações terroristas da União Europeia (UE).

O ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Antonio Tajani, deverá apresentar esta proposta aos homólogos europeus na quinta-feira durante uma reunião em Bruxelas. Merz lamentou ainda que “ainda haja um ou dois países da União Europeia que não estejam prontos” para apoiar essa classificação.

De acordo com um balanço atualizado da organização não-governamental (ONG) Human Rights Activists News Agency (HRANA), com sede nos Estados Unidos, 6.221 pessoas, na sua maioria manifestantes, foram mortas desde o início do movimento de contestação no Irão. A organização está a investigar outras eventuais 17 mil mortes, estimando que pelo menos 42.324 pessoas tenham sido detidas no âmbito da repressão dos protestos.

O movimento de protesto, iniciado em 28 de dezembro contra o elevado custo de vida e desvalorização da moeda nacional, que levou a um apagão de comunicações sem precedentes em todo o país por ordem das autoridades, perdeu entretanto intensidade, mas as detenções prosseguem, segundo várias ONG.

(Notícia atualizada às 16h41 com a reação de Berlim)

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