O futuro do Norte joga-se na liderança regional

O Norte tem todas as condições para dar um novo salto. Necessitamos de lideranças capazes o concretizar, nomeadamente na CCDR-N.

A Região Norte vive um momento decisivo do seu desenvolvimento. A escala dos desafios económicos, sociais e territoriais já não se resolve apenas com boa gestão administrativa ou elevadas taxas de execução de fundos europeus. Exige liderança regional com visão estratégica, capacidade de articulação institucional e profundo conhecimento do território.

A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) assume hoje um papel central nesse caminho. Com competências reforçadas, deve afirmar-se como eixo do planeamento regional, da coordenação das políticas públicas e da orientação do investimento estrutural.

Enquanto Presidente de Câmara Municipal, identifico dois grandes desafios para a próxima liderança da CCDR-N.

  1. Afirmar definitivamente a CCDR-N como um verdadeiro centro de planeamento estratégico regional e não apenas como uma entidade gestora de programas e fundos. A Região Norte precisa de prioridades claras, coerentes e territorialmente inteligentes. Mais do que números de execução, precisamos de impacto real: na competitividade das empresas, na criação de emprego qualificado, na inovação e na qualidade de vida das populações. Isso exige visão, capacidade de articulação intersectorial e avaliação rigorosa dos resultados.
  2. Transformar a coesão territorial num objetivo concreto e mensurável. Persistem desigualdades profundas entre litoral e interior, áreas metropolitanas e cidades médias, territórios dinâmicos e zonas marcadas pelo despovoamento. O Norte só será verdadeiramente competitivo se souber valorizar os seus territórios intermédios e os municípios de média dimensão. Estes territórios são hoje uma oportunidade real para responder a constrangimentos da Área Metropolitana do Porto, como a pressão sobre a habitação, a escassez de solo industrial e os elevados custos de contexto para famílias e empresas.

Cidades médias bem localizadas, com qualidade urbana, serviços públicos e capacidade de acolhimento empresarial, podem redistribuir crescimento económico e demográfico. Para isso, é indispensável reforçar a interligação entre litoral e interior, através de políticas integradas de mobilidade e de um planeamento territorial que ultrapasse fronteiras administrativas.

Responder à habitação e à escassez de solo industrial exige uma visão regional integrada, investimento público coordenado e uma CCDR-N com capacidade efetiva de liderança estratégica.

É neste contexto que decorre a eleição para a Presidência da CCDR-N. Entre as candidaturas apresentadas, Álvaro dos Santos reúne experiência, conhecimento técnico e uma visão alinhada com estes desafios, defendendo uma CCDR-N mais próxima dos municípios e mais orientada para o impacto territorial.

O Norte tem todas as condições para dar um novo salto. Necessitamos de lideranças capazes o concretizar, nomeadamente na CCDR-N.

  • Colunista convidado. Presidente da Câmara de Penafiel

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