Private equity são alavanca, mas IESBA pede atenção aos riscos
Há benefícios na aposta dos private equity em auditoria e contabilidade, que podem ajudar ao crescimento dos negócios. Mas o IESBA lança um alerta para riscos que devem ser acautelados.
O International Ethics Standards Board for Accountants (IESBA) vê a chegada do capital de risco ao negócio da auditoria e da contabilidade como uma alavanca para o crescimento, dando-lhe o “músculo” financeiro para o investimento em novas tecnologias. Os private equity trazem oportunidades, mas o organismo com sede em Nova Iorque também vê algumas ameaças. Lança mesmo um alerta para garantir que auditores e contabilistas continuam a servir o interesse público, não apenas o lucro.
“O investimento de private equity em empresas de contabilidade e auditoria aumentou significativamente ao longo dos últimos cinco anos”, refere o IESBA, salientando que estas empresas podem olhar para esta aposta “como uma fonte de capital atrativa para apoiar o crescimento do negócio, o investimento em tecnologia, os planos de sucessão, financiamento das reformas e reter talento”.
Por outro lado, “os fundos de private equity podem ver oportunidades para investir em empresas estáveis e lucrativas com potencial de crescimento, visando retornos consistentes e uma saída lucrativa no devido tempo”, aponta o organismo que é responsável por preparar e emitir standards éticos e de independência para auditores e contabilistas certificados.
O investimento destes fundos em empresas de contabilidade e auditoria pode, porém, representar alguns riscos na dimensão ética e de independência. “Embora o investimento dos private equity possa trazer um conjunto de benefícios para uma empresa, também pode introduzir uma série de mudanças no negócio e aumentar o potencial para conflito de interesses, colocar pressão indevida e [representar] outros desafios éticos”, refere o IESBA, frisando que, “não obstante os benefícios que poderá obter, a liderança da empresa deve estar especialmente consciente da sua responsabilidade principal de agir de acordo com o interesse público em todas as circunstâncias”.
Embora o investimento dos private equity possa trazer um conjunto de benefícios para uma empresa, também pode introduzir uma série de mudanças no negócio e aumentar o potencial para conflito de interesses, colocar pressão indevida e [representar] outros desafios éticos.
As empresas que estejam a considerar a entrada de fundos de private equity devem “garantir que continuarão a cumprir, tanto na forma como na substância, todos os requisitos legais e regulatórios”, alerta ainda o organismo liderado por Gabriela Figueiredo Dias.
O IESBA refere também que, “embora o investimento dos private equity traga não só capital novo para o rápido crescimento do negócio de uma empresa, mas também alavancas estratégicas, além de know-how, também pode levar a mudanças na cultura da empresa”. Isto “porque os fundos têm frequentemente um horizonte de investimento específico, focado em maximizar as oportunidades de crescimento e em alcançar eficiências operacionais nas empresas do seu portefólio, de forma a satisfazer as expectativas de retorno dos seus investidores”.
A gestão das empresas deve, por isso, “estar consciente do potencial do investimento dos private equity para influenciar a cultura da sociedade através do papel estratégico que desempenham”, aponta a mesma entidade.
Em entrevista ao EContas, Gabriela Figueiredo Dias, presidente do IESBA, já tinha revelado que este alerta iria ser lançado, numa altura em que o interesse dos fundos de private equity em empresas de contabilidade e auditoria está a aumentar, não só lá fora como em Portugal. “Há determinados riscos que resultam deste tipo de investimento, relativamente aos quais o IESBA está não só atento, como vamos emitir um alerta”, disse a ex-presidente da CMVM.
“Há algumas oportunidades [que advêm desta aposta dos fundos nestas empresas], como oportunidades de crescimento e de investimento. Mas há alguns riscos, principalmente na dimensão ética e de independência. E são riscos relevantes”, salientou a presidente do IESBA, cujo mandato foi renovado no final do ano passado.
Gabriela Figueiredo Dias explicou que os “auditores estão obrigados a servir o interesse público”. Isto enquanto os “fundos de private equity, por definição – e não há aqui da minha parte nenhum juízo crítico – são entidades que estão destinadas a obter lucro rápido e a maximizar esse lucro”, disse. É, por isso, necessário alcançar um equilíbrio para que a natureza das empresas de contabilidade e de auditoria se mantenha.
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