Manutenção e ‘handling’ de jatos privados vão aterrar em Ponte de Sor
Aérodromo de Ponte e Sor já emprega 600 pessoas e o número vai crescer. Gestavia e Mac Aviation vão elevar para 17 as empresas e entidades com atividade na infraestrutura.

A já extensa lista de entidades presentes no Aeródromo Municipal de Ponte de Sor vai aumentar com a entrada de mais duas empresas de serviços para jatos privados: a Gestavia, especializada na assistência em escala e logística, e a MAC Aviation, que opera na área da manutenção.
As duas empresas entregaram no município o pedido de direito de superfície para a instalação de hangares no aeródromo, revelou ao ECO o vice-presidente da Câmara Municipal de Ponte de Sor, Rogério Alves.
A Gestavia presta serviços de assistência em escala para aviação executiva, mobilidade de passageiros nos aeroportos de Lisboa e Ponta Delgada, e aluguer e manutenção de equipamentos. Nasceu nos Açores com a assistência aos voos militares na Base das Lajes e hoje opera em 12 aeroportos e aeródromos no continente e ilhas, tendo registado um volume de negócios de cerca de 12 milhões de euros em 2024.
João Noronha Leal, administrador da empresa, confirma que o aeródromo de Ponte de Sor faz parte dos planos de investimento da Gestavia. Na cidade alentejana está prevista a construção de um hangar com cerca de 2.000 metros quadrados para a assistência em escala de jatos privados. Uma aposta que justifica com “a falta de espaço para parquear em Lisboa e Cascais” e a “atratividade do aeródromo de Ponte de Sor”, quer em termos de custos quer de condições da pista, que dispõe do sistema de aproximação ILS.
Características destacadas também por Fábio Machado, gerente da MAC Aviation, que vai investir cinco milhões de euros num hangar de 4.000 metros para fazer a manutenção de jatos executivos e aeronaves regionais. A empresa da Trofa trabalha em vários países europeus com equipas móveis, mas pretende “ter uma localização para acolher os aviões e fazer a manutenção para atuais clientes e novos”, explica o responsável. Assegurado está já um contrato para a manutenção de 10 aviões Embraer 145.
Fábio Machado acredita que existe uma oportunidade no mercado. “Nos últimos 30 anos o mercado dos jatos privados aumentou exponencialmente e a disponibilidade de hangares para manutenção não acompanhou o crescimento”, refere, sublinhando a necessidade de reforçar a formação de engenheiros para garantir a disponibilidade de mão de obra. A operação em Ponte de Sor deverá arrancar no verão de 2026.
A atividade de manutenção já existe no Aeródromo Municipal de Ponte de Sor, através da Aeromec, vocacionada também para aeronaves de grande dimensão. No hangar de 8.000 m2 da empresa já entraram um Airbus A320 da White Airways, em outubro de 2024, e um Bombardier CRJ 1000, da companhia espanhola Air Nostrum, em janeiro. Outra empresa, a Avionicel, é especializada na manutenção eletrónica e elétrica de pequenas aeronaves.
Com a entrada da Gestavia e da Mac Aviation, o aeródromo passará a contar com 17 empresas e entidades, engrossando uma lista onde se destaca a fabricante de veículos aéreos não tripulados Tekever ou a academia de formação de pilotos Sevenair.

Já este verão, no início de julho, foi inaugurado um novo hangar pela LD Helmet, que se dedica à produção de capacetes de última geração para pilotos civis e militares, num investimento de três milhões de euros.
“O cluster aeronáutico de Ponte de Sor está a crescer e a mudar a região”, afirma Rogério Alves, acrescentando que no aeródromo municial já trabalham 600 pessoas. Um número que deverá crescer no próximo ano.
Já deu entrada na Câmara Municipal o pedido de licenciamento para a fábrica de assemblagem do LUS-222, o avião português ligeiro para uso civil e militar, como avançou esta segunda-feira o ECO.
O LUS-222 é um bimotor de asa alta para transporte de passageiros ou carga, projetado pela empresa portuguesa Aircraft and Mantenance, o Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto (CEiiA), a Força Aérea Portuguesa e a Geosat.
A fábrica, que ocupará uma área coberta de 18 mil metros quadrados, permitirá a criação de 150 a 300 postos de trabalho diretos no aeródromo de Ponte de Sor, consoante trabalhe com um ou dois turnos, explica Rogério Alves. Os últimos números apontam para um investimento total de 220 milhões de euros. Só para a fábrica são mais de 30 milhões.
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