LVMH cresce no segundo semestre, apesar de queda anual

Lina Santos, Luís Leitão,

Receitas caíram quase 3, 8 mil milhões em 2025 face a 2024, apesar de terem crescido no último semestre do ano. Divisão de bebidas é uma das mais afetadas, a Sephora consolidou a liderança.

O grupo LVMH, o maior conglomerado de luxo do mundo, detentor das marcas Louis Vuitton, Dior e, nas bebidas, dos champanhes Möet & Chandon e Ruinart, apresentou um “crescimento orgânico das receitas de 1% no segundo semestre do ano, com melhoria das tendências em todos os grupos de negócio”, segundo um comunicado da empresa. Mas no total do ano os resultados ficaram aquém de 2024, passando de quase 84,6 mil milhões de euros para cerca 80,8 mil milhões.

“Somos um grupo de família, pensamos produtos para o médio prazo. Os analistas podem não gostar disto, mas não ficamos hipnotizados pelos resultados de um trimestre”, disse Bernard Arnault, na apresentação dos resultados da LVMH esta terça-feira. A família detém mais de 50% do grupo e esta semana vários investidores, citados pela Reuters, pediam um plano de sucessão transparente.

Os números apresentados esta terça-feira, em Paris, mostram que o grupo regista receitas anuais de 80,8 mil milhões, com recuperação no 4.º trimestre. Lucros estão nos 10,55 mil milhões, menos 16% face ao período homólogo, refletindo a pressão operacional (concorrência e guerra comercial).

China e Ásia mostraram uma recuperação gradual após meses de contração. A expectativa dos analistas é que seriam mercados com forte impacto negativo nas contas. Esse efeito fez-se sentir no total do ano, apesar da recuperação do último semestre. Apesar destas quebras a LVMH continua a ser uma empresa apetecível, com um dividendo estável de 13 euros por ação.

Moda e marroquinaria

Na divisão de moda e marroquinaria, marcas como Louis Vuitton, Dior ou Fendi mostram resiliência, apesar de queda de 6% das receitas, enquanto a área dos vinhos e dos destilados foram muito afetados, com quedas de 11%.

Bernard Arnault ressaltou a criatividade do designer Jonathan Anderson para a Dior, que está à frente das coleções de homem e mulher, o que é primeira vez que acontece desde o próprio Christian Dior. Anderson foi uma das transferências mais importantes da LVMH em 2025 (deixou a Loewe). Pharell Williams e a coleção “desejável” para a Louis Vuitton também mereceram referências, assim como o trabalho do designer de Celine e Maria Grazia Chiuri, agora na Fendi.

Na marca de origem italiana Loro Piana, “não queremos ir demasiado depressa para não perder a qualidade e travámos um pouco”, afirmou Bernard Arnault.

Estes são os destaques apresentados pela empresa e pelo CEO Bernard Arnault:

  • Moda e marroquinaria mantiveram uma margem operacional muito elevada.
  • Inovações bem-sucedidas, como foi o caso do lançamento de Lady Dior, já no consulado de Jonathan Anderson.
  • Estratégia de retalho altamente seletiva em perfumes e cosmética.
  • Bom desempenho das linhas icónicas das maisons de relógios e joalharia, onde se inclui a renovação das lojas da Tiffany. A marca é uma das mais recentes aquisições do grupo LVMH (2021) e tem sido redireccionada, como explicou Bernard Arnault. Estava focada em produtos de prata e hoje puxa mais para a alta joalharia . “Ambicionamos que seja líder”. Tóquio abriu uma loja da marca no final do ano, Nova Iorque registou vendas recorde.
  • Bom desempenho da Sephora. A rede de lojas de perfumes e cosmética continuou a crescer tanto em receitas como em resultados e consolidou a sua posição como líder mundial no retalho de beleza. Adquirida em 1998, tornou-se a líder “em poucos anos”. “Só cobrimos uma pequena porção do mundo, há muito para fazer”, afirmou o CEO da LVMH.
  • Bvlgari também apresentou resultados positivos no final de 2025 – “tem produtos muito promissores para o próximo ano”.
  • “A joalharia é um setor promissor”, segundo Arnault. “Estamos a desenvolver joias para Louis Vuitton. Vão ver quando abrirmos a loja dos Champs-Élysées”.
  • Le Bon Marché e La Samaritaine são duas lojas muito importantes em Paris. La Samaritaine “não correu tão bem, mas está a recuperar”. Arnault garantiu que estão a fazer alterações.
  • Na divisão de bebidas, os resultados não são tão animadores como na moda ou beleza e cosmética, com os resultados trimestrais já deixavam perceber. Apesar das receitas estáveis em champanhe e vinhos e dos bons desempenhos dos rosés da Provence, registou-se uma “procura mais fraca por conhaque”. “China e EUA são prejudicados pelas tarifas, especialmente o conhaque”, referiu Bernard Arnault.

Perspetivas para 2026

As perspetivas para 2026 apontam para alguma cautela e expectativa de o grupo ser capaz de manter o “desejo” das suas marcas por parte dos consumidores.

Durante a sessão de perguntas pós-apresentação de resultados, Bernardo Arnault descartou a diversificação de produtos da Louis Vuitton para a área de hospitality. “Não é uma marca em que queremos diversificar. Temos ótimos produtos e linhas, queremos manter-nos focados. Não quero dizer que não aconteça ocasionalmente, mas a Louis Vuitton não vai entrar no negócio dos hotéis. A Louis Vuitton está focada, não em diversificar, mas em refinar a sua imagem”.

O que aconteceu em 2025

À medida que os consumidores “aspiracionais” foram migrando para marcas mais acessíveis, como a Coach ou Ralph Lauren, a LVMH voltou a concentrar-se neste grupo de compradores. Com exceção da Hermès, a maioria dos grupos de luxo pretende limitar os aumentos de preços a menos de 2% este ano, o que implica uma maior dependência do volume de vendas para sustentar o crescimento.

Em declarações à Reuters, a analista Ariane Hayate, da Edmond de Rothschild, apontando para nomes como Bosideng, Songmont e Laopu Gold, sublinhou que a ameaça da China, principal motor do sector durante vários anos, é real. “Temos de admitir: a concorrência das marcas chinesas é hoje uma realidade”.

Para trazer de volta os clientes aspiracionais, o grupo LVMH, maior conglomerado de marcas de luxo do mundo e detentor de marcas como Louis Vuitton, Dior, Loewe, entre outras, apostou em novos produtos como a linha de beleza da Louis Vuitton, que inclui um batom que custa cerca de 140 euros.

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