Vítor Gonçalves, o ‘homem da casa’ aos comandos da informação da RTP

É o rosto da Grande Entrevista desde 2012, mas foge a ser o entrevistado. Discreto por natureza, Vítor Goncalves soma 33 anos ao serviço da RTP, onde desde julho lidera a informação.

“Não há desilusão” na saída, afirmava à RTP1 Mário Centeno, ainda governador do Banco de Portugal, um dia após o governo ter anunciado que Álvaro Santos Pereira é o senhor que se segue no banco central português. Assunto do dia para quem se interessa pelos temas económicos, a Entrevista — formato especial utilizado pelo canal generalista do operador público em casos excecionais — foi notícia nos principais jornais do país e o 14ª programa de televisão mais visto nesse dia, 25 de julho. A conduzi-la estava Vítor Gonçalves, jornalista que no início da semana tinha recebido luz verde da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) para assumir a direção de informação de RTP e a direção de RTP3, sucedendo nas funções a António José Teixeira, exonerado no final de junho.

Presença assídua na RTP3, canal no qual apresenta há 13 anos a Grande Entrevista – que já vai na 18ª temporada e que é para manter – Vítor Gonçalves é visto sobretudo como um homem da casa. “Inteligente, perspicaz, conciliador, inovador, muito profissional, gentil e discreto”, são alguns dos adjetivos utilizados unanimemente para o qualificar.

Jornalista da RTP desde 1992, ao longo destes 33 anos foi acumulando experiências no operador de serviço público. Foi repórter especializado em política nacional (1994-2000), editor de política nacional (2000-2007), correspondente internacional em Washington, nos EUA (2007-2011), autor de grandes reportagens e enviado especial a eventos internacionais e é apresentador e coordenador do programa Grande Entrevista.

Enviado especial a Israel e Faixa de Gaza (cobertura visita presidencial e assassinato de Yitzahk Rabin, em 1994), à Bósnia Herzegovina (cobertura pós-guerra, 1995), a Hong Kong (passagem de Hong Kong para a China, 1997), a Timor-Leste (referendo para a independência, 1999), à Austrália, Índia e China e Macau (a acompanhar as visitas dos presidentes Jorge Sampaio e Cavaco Silva), são algumas das geografias nas quais já esteve ao serviço da RTP. Já este ano, em abril, fez a cobertura funeral do Papa Francisco, no Vaticano. Nas grandes reportagens, foram também vários os temas abordados.

Vítor Gonçalves apresenta a Grande Entrevista desde 2012

Diz quem o conhece bem que “Paralelo 38”, reportagem na Coreia do Norte, em 2013, ainda hoje é recordada como um dos seus trabalhos de eleição. Os quatro anos no centro do poder, em Washington, são igualmente tempos memoráveis e, nas entrevistas, ainda hoje vem à baila a pergunta que tirou do sério José Sócrates, em 2017. “Hoje, como é que o senhor vive? Como é que o senhor paga as suas despesas?”, questionava Vítor Gonçalves.

Por duas vezes, ao longo destas três décadas o jornalista, que evita entrevistas e prima pela discrição, integrou a direção de informação da RTP, como diretor adjunto. Foi entre 2011 e 2012, na direção de Nuno Santos, e mais tarde, de 2015 a 2018, com Paulo Dentinho aos comandos.

Assume agora, com uma reestruturação na empresa em curso, a liderança daquela que será a área mais sensível do operador de serviço público. “No quadro das pessoas que estariam disponíveis para assumir a mudança na RTP, com uma visão de futuro, ele era obviamente a pessoa indicada”, justificava em meados de julho, em audiência parlamentar, Nicolau Santos, presidente do conselho de administração da RTP, atribuindo a Vítor Gonçalves um currículo “impressionante”.

“É um novo ciclo que se inicia e é um ciclo diferente que, do nosso ponto de vista, exigia uma nova visão, uma nova energia, uma nova capacidade para entender estas transformações, para trabalhar em conjunto com as diferentes áreas e proceder às modificações que consideramos serem fundamentais para salvaguardar o serviço público em Portugal tal como existe atualmente”, prosseguia Nicolau Santos, na audição.

Preparar a RTP para a transição digital, aumentar as audiências da RTP3 e manter a credibilidade da informação do operador de serviço público farão então parte do caderno de encargos de Vítor Gonçalves que, mantendo descrição que o tem guiado ao longo de todo o seu percurso, optou por não falar com o +M para este artigo.

Nascido a 4 de abril de 1969, em Viseu, Vítor Gonçalves é casado há 30 anos e pai de dois filhos, o Francisco, de 29 anos, e a Inês, hoje com 26. O primogénito é economista em Londres, a filha mais nova cientista em Oxford. Viajar, dizem os amigos, é o seu principal hobby.

Licenciado em Comunicação Social e com um mestrado em Ciência Política, o novo diretor de informação concluiu em 2024 um doutoramento em Ciências da Comunicação, no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa e é também professor de várias cadeiras ligadas ao jornalismo.

À carreira na RTP e à atividade docente, junta-se a publicação de quatro livros: “A Agenda de Cavaco Silva”, (2005), Nos Bastidores do Jogo Político (2005), “Este é o Tempo” (2014) e “As Palavras que Ficam” (2021). Por escrever, está ainda um romance, um desejo antigo. Quem sabe um dia, quando houver tempo.

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