Turismo MICE: cultura, emprego e desenvolvimento

O turismo de negócios representa uma oportunidade estratégica para Lisboa e a sua Área Metropolitana crescer de forma sustentada.

Lisboa é hoje a segunda cidade europeia do ranking mundial da ICCA e foi eleita em 2025 pela terceira vez nos World MICE Awards, como Melhor Destino da Europa para turismo de negócios. Lisboa posiciona-se como um destino de excelência no turismo de negócios, reuniões, incentivos, congressos e eventos (MICE), desempenhando um papel cada vez mais determinante na projeção internacional da sua Área Metropolitana.

Este segmento representa muito mais do que uma oportunidade económica: é um catalisador de desenvolvimento social, de conhecimento, inovação, cultura e com impacto direto e duradouro na vida urbana.

Do ponto de vista económico, o turismo MICE (Meetings, Incentives, Conferences and Exhibitions) distingue-se pelo elevado valor acrescentado. Os participantes em congressos e eventos empresariais apresentam níveis de despesa superiores à média, beneficiando setores estratégicos como a hotelaria, a restauração, os transportes, o comércio e as indústrias criativas. Além disso, a realização de eventos ao longo de todo o ano contribui para mitigar a sazonalidade turística, promovendo maior estabilidade no emprego e nas receitas locais.

A dimensão cultural é um dos grandes fatores diferenciadores de Lisboa. A Área Metropolitana oferece uma autenticidade única, marcada pela sua história, património, gastronomia, música e modos de vida. Integrar a cultura nos programas de eventos — através de visitas a museus, experiências gastronómicas, espetáculos ou ocupação de espaços históricos — permite criar experiências autênticas e memoráveis, reforçando a atratividade do destino e promovendo a valorização do património cultural.

O MICE gera também benefícios sociais relevantes. Estimula a criação de emprego qualificado, promove a formação contínua, incentiva a inovação e fortalece a ligação entre empresas, universidades e centros de investigação. Lisboa torna-se, assim, um ponto de encontro global de ideias, potenciando ligações internacionais e contribuindo para o posicionamento da cidade como um polo de conhecimento e criatividade.

Para que Lisboa possa consolidar e expandir a sua captação de turismo de negócios, é fundamental adotar uma estratégia integrada e orientada para o futuro.

Em primeiro lugar, o reforço do investimento em infraestruturas para grandes eventos, nomeadamente a modernização e ampliação de centros de congressos e a criação de espaços multifuncionais capazes de acolher eventos de diferentes dimensões e formatos.

Em segundo lugar, o fortalecimento da promoção internacional de Lisboa como destino MICE, através de uma estratégia de marketing segmentada, presença em fóruns e feiras internacionais especializadas e parcerias com associações profissionais, organizadores de eventos e companhias aéreas.

É também essencial a integração sistemática da cultura e da criatividade local na oferta MICE. Incentivar programas que envolvam artistas, instituições culturais, bairros históricos e património imaterial permite diferenciar Lisboa face a outros destinos e distribuir os benefícios do turismo de forma mais equilibrada pela cidade e pela Área Metropolitana.

Por fim, apesar da reconhecida excelência do serviço prestado pelos profissionais deste segmento, muitos deles associados da Associação de Turismo de Lisboa, é também fundamental continuar a investir na qualificação dos recursos humanos e na inovação. Programas de formação especializados, apoio a startups ligadas à indústria de eventos e o uso de tecnologia avançada na gestão e experiência dos participantes são fatores-chave para aumentar a competitividade do destino.

O turismo de negócios representa uma oportunidade estratégica para Lisboa e a sua Área Metropolitana crescer de forma sustentada. Ao articular economia, cultura e inovação, não só atraímos eventos internacionais, como construímos um modelo de desenvolvimento que gera valor económico e social duradouro. O turismo MICE, mais do que um produto turístico, deve ser encarado como um investimento no futuro.

  • Diretor Geral da Associação de Turismo de Lisboa – Visitors & Convention Bureau

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