Banco de Fomento ajudou a Dielmar “porque havia uma boa perspetiva”

A instituição liderada por Beatriz Freitas emprestou 171.875 euros para pagar os salários de agosto e setembro, mas a Dielmar acabou mesmo por fechar portas e mandar trabalhadores para o desemprego.

O Banco de Fomento decidiu ajudar a pagar os salários de dois meses aos trabalhadores da Dielmar porque considerava que “havia uma boa perspetiva” quanto à recuperação da empresa de Alcains, apurou o ECO junto da instituição liderada por Beatriz Freitas. No entanto, os credores da Dielmar acabaram por aprovar o encerramento da empresa.

Foi num relatório entregue ao Tribunal do Fundão que o administrador de insolvência referiu que o Apoio Extraordinário à Retoma Progressiva (AERP), que terminou no final de setembro, foi complementado por um financiamento do Banco de Fomento, que permitiu pagar os salários de agosto e setembro, evitando na altura os despedimentos.

O recurso ao AERP libertou o equivalente a 75% dos salários nestes dois meses, tendo os restantes 25%, assim como as contribuições para a Segurança Social, sido cobertos através de um empréstimo contraído junto do Banco Português de Fomento no montante de 171.875 euros.

Para formalizar esse contrato de financiamento, revelou João Gonçalves, foi assinado um “documento de compromisso” por parte de entidades representativos de 79% do universo de credores: a Caixa Geral de Depósitos, o Banco BIC, o Novo Banco, o BCP, o Santander Totta, o Banco de Fomento e o Instituto da Segurança Social.

“Ninguém pagou os últimos salários da Dielmar”, começou por dizer uma fonte do Banco do Fomento ao ECO, sublinhando que a empresa recorreu à retoma progressiva, tal como fizeram muitas outras empresas. “Nós, efetivamente, ajudámos porque havia uma boa perspetiva”, reconheceu. Estas declarações foram proferidas no mesmo dia em que o ministro da Economia apontou que a Dielmar tinha uma dívida “impagável”.

Na mesma reunião em que foi votado o encerramento da Dielmar, foi anunciado que a Valérius, uma empresa de Barcelos, avançou com uma proposta para comprar a marca e os ativos industriais por 250 mil euros. Fê-lo na sequência de um pedido de última hora do Ministério da Economia, como apurou o ECO. Porém, esta quinta-feira escreveu-se um novo capítulo: a Outfit 21 voltou à corrida e oferece 295 mil euros pela empresa.

O ECO questionou ainda a mesma fonte sobre o destino da Efacec — mais concretamente sobre a possibilidade de a empresa entrar em insolvência –, mas a resposta foi negativa. “A Efacec está num processo de privatização, que está a correr os trâmites normais. Não tem comparação possível, nem vemos qualquer hipótese de entrar em insolvência“, afirmou.

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