Quem é o comendador minhoto que foi chamado a salvar a Dielmar?

José Manuel Ferreira estreou-se como empresário têxtil há 15 anos e já resgatou vários negócios da falência. Conheça o dono da Valérius, que apresentou a derradeira proposta para comprar a Dielmar.

Poucos minutos depois de terminar a assembleia de credores que votou por unanimidade o encerramento definitivo da Dielmar, Pedro Siza Vieira saiu da apresentação do programa Empresas Turismo 360, no Observatório Astronómico de Lisboa, e falou aos jornalistas de uma “boa notícia”. “Recebemos uma proposta de uma empresa muito reputada e com grande experiência nestas operações de reestruturação de empresas”, sublinhou o ministro da Economia.

A proposta de 250 mil euros apresentada pelo grupo Valérius para ficar com a marca Dielmar e com as máquinas e os inventários da empresa de vestuário – além de assegurar duas centenas de postos de trabalho na vila de Alcains – foi feita a pedido do Governo na última semana, após caírem as últimas duas propostas que estavam em cima da mesa do gestor judicial, apurou o ECO.

O telefone que tocou do outro lado da linha foi o de José Manuel Vilas Boas Ferreira, que, em março de 2015, Cavaco Silva fez comendador da Ordem de Mérito Industrial antes de sair da Presidência da República. E que na última década conquistou também o título de especialista na recuperação de empresas em dificuldades. Aliás, foi assim que se iniciou como empresário neste setor, depois de duas décadas na têxtil Araújo & Irmão, onde entrou como cronometrista e subiu a diretor industrial.

Em 2007, dois anos depois de investir em duas fabricantes de componentes para automóveis – Inoveplastika (peças plásticas) e Henfilgon (pintura e acabamentos) –, foi desafiado pelo dono da Texamérica para salvar a Valérius, que hoje trabalha para grandes marcas internacionais da moda. Desde então foi comprando várias têxteis insolventes, como a Covidel, Lima Têxtil, Filobranca ou, mais recentemente, a Delcon, que pertencia ao universo Ricon e deu origem à Sartius, montada com ex-trabalhadores do falido grupo de Famalicão que detinha a marca Gant em Portugal.

José Manuel Vilas Boas Ferreira, presidente do grupo Valérius.

Fora do setor têxtil, o empresário nascido em Barcelinhos, na margem esquerda do rio Cávado, filho do meio do casamento de uma empregada doméstica com um cozinheiro, também já resgatou da falência outras empresas históricas, como a Fábrica de Calçado Campeão Português (Camport) ou a Ambar. A produtora de artigos de papelaria, de material escolar e de brinquedos pedagógicos foi comprada em 2014 a meias com José Costa, da Coscelos, igualmente ligado à indústria têxtil.

Fio novo com roupa velha

A fábrica Valérius 360, dedicada à economia circular, é o mais recente projeto de José Manuel Ferreira — pai da economista Patrícia e do gestor Pedro –, que tirou o 12º ano nas Novas Oportunidades no ano da chegada da troika a Portugal e que em 2016 terminou o Curso de Gestão Avançada na Porto Business School.

Esta unidade com 16 mil metros quadrados instalada em Guilhabreu, no concelho de Vila do Conde — onde reconverteu a antiga Outex, abandonada desde a saída dos donos americanos em 2008 –, é um investimento de 20 milhões de euros para produzir fio e papel-algodão a partir de desperdícios industriais e roupa velha.

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