Exclusivo Data center de sete mil milhões em Abrantes abre em 2028 e tem capital estrangeiro, diz investidor
Projeto de 7 mil milhões de euros, quase o valor previsto pela Start Campus para Sines, vai desenvolver-se em três fases e conta com outros parceiros além da EDC One, disse o gestor José Moura ao ECO.
O centro de dados que está a ser planeado para Abrantes vai desenvolver-se em três fases e entrar em funcionamento no segundo trimestre de 2028, avançou ao ECO o sócio da empresa por detrás do projeto, a EDC One, que afirma que o investimento irá totalizar sete mil milhões de euros.
José Meneses da Silva Moura diz que, além do investimento da sociedade que lidera, tem mais parceiros nacionais e estrangeiros: “Contamos com parceiros internacionais, nacionais e locais que divulgaremos logo que seja oportuno”, diz o empresário da Maia, deixando a pista de que se trata de empresas ligadas aos setores de data centers, construção e energia mais de 20 anos de experiência tanto nos mercados europeus como no norte-americano.
A primeira fase deste investimento – que ganhou mediatismo por representar quase o mesmo valor que a Start Campus está a aplicar em Sines (8,5 mil milhões de euros) – terá 300 MW (megawatts) e conta com uma operação em brownfield (terrenos industriais que foram abandonados), que sofrerá uma readaptação de edificados de larga escala existentes no local para receber um dos edifícios, explica José Moura. Em causa estão os antigos terrenos da antiga RPP Solar, segundo a imprensa regional.
O plano é expandir a capacidade de 300 MW para 800 MW no final da terceira fase. O investidor, que também lidera a Diverstock Investments, confirma que a EDC One é uma sociedade veículo criada para este projeto em concreto, mas vai mais longe e detalha que o termo “EDC One” indica que é o primeiro investimento “de outros que esperamos se seguirão”, nomeadamente EDC Two e EDC Three.
Isso explicará o facto de o valor por MW ser significativamente diferente da média do mercado. Ou seja, os cálculos do ECO mostram que o valor do MW para todas as fases (800 MW) totalizaria cerca de 8,7 milhões de euros cada, sendo que o custo estimado por MW (de 1 GW de fornecimento de data center) na Europa está nos 12 milhões de euros, segundo a CBRE.
Questionado sobre se a EDC One apresentou a candidatura formal a PIN – Potencial Interesse Nacional, José Moura negou e esclareceu que apenas tem a aprovação de PIM – Projeto de interesse Municipal. “No entanto, o projeto tem tido o devido acompanhamento das entidades responsáveis por suportar o onboarding de investimento internacional no nosso país”, garante.
Informação que vai ao encontro daquela que foi transmitida pela Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) ao Jornal de Negócios: “A empresa EDC ONE Lda. não tem presentemente qualquer candidatura PIN, nem em apreciação, nem em acompanhamento”.
Este projeto de data center em Abrantes veio a público através do jornal Médio Tejo e da rádio local Antena Livre, que noticiaram a aprovação, em reunião da Câmara Municipal de Abrantes realizada a 2 de setembro, a atribuição de isenções fiscais (IMI, IMT e derrama) no valor global de 16,2 milhões de euros à empresa EDC One, no âmbito de uma candidatura a PIM.
Em declarações ao ECO, o empresário disse ainda que cumpre todos os critérios de elegibilidade e viabilidade para colocar o centro de dados naquele local, até porque está a trabalhar neste desenvolvimento há quase três anos. “As nossas equipas estão presentemente na fase de masterplanning detalhado que será por sua vez submetido para apreciação do Município de Abrantes. Os licenciamentos que faltam são aqueles decorrentes do projeto propriamente dito que ainda não foi submetido a aprovação”, acrescenta.
Em relação à escolha de Abrantes, argumenta com o crescimento do mercado tecnológico e a Zona Livre Tecnológica. “A forte procura por capacidade de computação e armazenamento de dados existente a nível global. Abrantes e especificamente o Pego reúnem condições infraestruturais e territoriais de excelência para alicerçar este sector. Além disso, a designação da Zona Livre Tecnológica de Abrantes também permitiu consolidar a decisão de se acomodar o projeto na região”, justifica.
A EDC One, criada há pouco mais de um ano, tem capitais próprios em torno dos 4.400 euros e dedica-se à compra e venda de bens imobiliários. Com sede na Maia (Área Metropolitana do Porto) e sem registo de trabalhadores ou geração de receitas, este verão procedeu à alteração da razão social da antiga PGAI – Participação e Gestão de Ativos Imobiliários, Lda., de acordo com a informação consultada pelo ECO.
O ECO também contactou a Câmara Municipal de Abrantes e o Ministério das Infraestruturas no início da semana passada, mas até ao momento da publicação deste artigo não obteve respostas.
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