Alexandra Leitão promete passe gratuito para todos em Lisboa e rebatizar fábrica dos unicórnios
A coligação liderada por Alexandra Leitão vai restringir hotéis e alojamento local, colocar 1% na cultura e alterar o nome da Fábrica de Unicórnios.
A coligação Viver Lisboa, liderada por Alexandra Leitão, quer tornar o passe navegante gratuito para todos os lisboetas, impedir a abertura de alojamentos turísticos em edifícios de habitação, colocar em uso casas vagas, fazer recolha de lixo sete dias por semana e, prometeu ainda, reforço para a cultura e mecenato científico, com o equivalente a 1% para cada uma destas áreas.
A candidatura que une o PS, Bloco de Esquerda, Livre e PAN apresentou na tarde desta sexta-feira o programa eleitoral para as eleições autárquicas de 12 de outubro, com foco na crítica aos últimos quatro anos de governação da coligação Novos Tempos, liderada por Carlos Moedas.
No campo da tecnologia, a frente de esquerda promete voltar a dar o nome de Hub Criativo do Beato à atual Fábrica de Unicórnios. A cidade é para pessoas, não é para unicórnios”, disse Alexandra Leitão no evento.
Apontando a venda de património detido pelo Estado central, Alexandra Leitão acusou o ato de “erro estratégico político grave” e perguntou: “Onde está Carlos Moedas? Nem uma palavra lhe ouvimos”. A candidata prometeu agir junto do Governo para que imóveis com potencial de habitação não sejam vendidos a privados e assegurou que se for eleita a autarquia irá adquirir este património.
“Lisboa pode ser mais justa, mais limpa, mais acessível, pode ser uma cidade melhor, que não expulsa, melhor”, apontou o coordenador do programa e candidato a presidente da Assembleia Municipal, André Moz Caldas, identificando três objetivos principais: “Casas que as pessoas podem pagar, transportes pessoas confiar, cidade limpa cuidada e que cuida das pessoas”.
A coligação realça “dez grandes bandeiras” de entre o seu programa. Entre estas, lançamento de 4.500 casas até 2029 e instar o Governo a construir outras 1.500, passar a carta municipal de 9.000 para 11.500 casas e desbloquear operações de renda acessível que ficaram do mandato de Fernando Medina. “Onde haja casas vazias, haverá casas para viver”, alertou Moz Caldas, dando voz a uma das reivindicações do Bloco de Esquerda, parceiro da coligação.

Ainda na habitação, pretende-se restringir novos alojamentos locais em edifícios habitacionais e impedir a conversão de edifícios habitacionais para usos turísticos, além de travar aprovação de novos hotéis até que o novo PDM esteja aprovado. Por outro lado, medidas facilmente identificáveis com o PAN, outro dos parceiros da coligação, são o aumento do número de parques caninos e um banco alimentar animal.
Na higiene, promete-se recolha de lixo sete dias por semana (mais um do que prometeu Carlos Moedas nesta quinta-feira). A coligação pretende ainda recompensar os munícipes que reciclam, com o programa “recicla mais, paga menos”. Sem mencionar o acidente do elevador da Glória, Moz Caldas referiu a necessidade de aumentar a segurança da Carris com mais investimento para elétricos, autocarros e ascensores. Adicionalmente, promete-se mais corredores BUS e uma “rede ciclável completa”.
A candidatura liderada por Alexandra Leitão pretende ainda aumentar o número de unidades de saúde e “recuperar atraso na construção de centros de saúde de nova geração”, afirmou Moz Caldas. “Há onze centros de saúde e só oito estão a funcionar”, notou José Luís Carneiro, secretário-geral do PS, que falou antes de Alexandra Leitão.
Para as famílias, prometeram-se creches gratuitas e universais (“nenhuma família deve escolher entre ter filhos e pagar renda”, defende a coligação) e para usufruto da cidade pretende-se uma rua verde por ano em cada freguesia e um jardim a 300 metros de casa, além de concluir corredores verdes (Bela Vista, Alcântara e Parque Papa Francisco, por exemplo).
Ainda no ambiente, a coligação Viver Lisboa pretende “a médio prazo” tornar o Rio Tejo apto a mergulhos – nota deixada pelo coordenador do programa eleitoral, que aludiu à ação de campanha de Marcelo Rebelo de Sousa em 1989, quando mergulhou no Tejo como forma de destacar a sujidade das suas águas (36 anos depois dessa eleição em que Jorge Sampaio ganhou Lisboa à direita numa coligação com o PCP, ao contrário que acontece em 2025, quando os comunistas se recusaram a juntar-se a este bloco).
Num evento em que o nome de Carlos Moedas foi referido insistentes vezes em críticas proferidas por Alexandra Leitão, José Luís Carneiro, Inês Sousa Real, líder do PAN, Fabian Figueiredo, dirigente do Bloco de Esquerda (a líder do partido, Mariana Mortágua está fora do país na flotilha humanitária em direção a Gaza) e por Isabel Mendes Lopes, deputada municipal apresentada como presidente do grupo parlamentar e co-porta voz do Livre, ficou o aviso para a esquerda de que “há comboios que não passam duas vezes na estação”.
Habitação, trânsito, higiene e proteção animal foram alguns dos temas em que o presidente da autarquia foi alvo de crítica. “O maior feito de Carlos Moedas foi encher a cidade de cartazes que só serve para a sua promoção. Moedas não consegue constituir equipa nem manter a equipa”, acusou Isabel Mendes Lopes.
“Alexandra Leitão tem qualidades políticas para ser primeira mulher presidente da Câmara Municipal de Lisboa”, afirmou José Luís Carneiro. A candidata a presidente da maior autarquia do país apontou várias vezes o que foi feito em quatro anos e disse querer uma cidade que “ponha as pessoas no centro”, frisando: “As pessoas, não apenas uma pessoa”.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Alexandra Leitão promete passe gratuito para todos em Lisboa e rebatizar fábrica dos unicórnios
{{ noCommentsLabel }}