“A confiança é um alicerce invisível na auditoria. Não se impõe, conquista-se”
A comissária europeia Maria Luís Albuquerque realça a importância de as auditoras cumprirem padrões éticos e manterem a confiança do mercado.
Maria Luís Albuquerque, comissária europeia para os Serviços Financeiros e da União da Poupança e dos Investimentos, diz que os auditores desempenham um papel fundamental e são parceiros estratégicos para as empresas, realçando a importância da confiança no seu trabalho alcançada através do cumprimento de padrões éticos. Afasta alterações significativas nas regras, mas reforça a necessidade de se fazer mudanças ao nível da supervisão.
“A confiança é um alicerce invisível na auditoria. Não se impõe, conquista-se”, afirmou a responsável durante o XV Congresso da Ordem dos Revisores Oficiais de Contas (OROC) no Palácio da Bolsa, no Porto, esta sexta-feira.
Para que esta confiança se mantenha, é preciso cumprir padrões éticos, uma das prioridades do seu mandato. “Em algumas jurisdições, os recursos dedicados estão a diminuir” e isso “compromete a confiança”, notou Maria Luís Albuquerque.

“Um mercado robusto exige supervisão sólida” e em “épocas de instabilidade geopolítica tem de se manter” os níveis de exigência, sublinhou.
Apesar de considerar que “não há razões para alterações profundas a nível das regras” para as auditoras, a comissária europeia referiu que a “conclusão pode ser diferente para a supervisão”.
“Persistem assimetrias” que “fragmentam o mercado”, notou, apontando para a necessidade de haver uma “supervisão forte”. A comissária europeia recordou que existe hoje o Committee of European Auditing Oversight Bodies (CEAOB), um organismo que reúne os supervisores das auditoras europeias, mas que não tem poderes efetivos.
“Temos de ponderar se o sistema de supervisão se mantém adequado”, referiu, notando que a consulta pública sobre este tema será lançada “em breve”. Na conferência do IESBA, realizada em setembro, a comissária europeia anunciou que este passo seria dado.
Esta quinta-feira, também no Congresso da OROC, Luís Laginha de Sousa, presidente da CMVM, defendeu que o “caminho certo passa por reforçar o mandato” do CEAOB. “O framework de supervisão atual funciona, mas nunca será um ponto final”, referiu, numa altura em ainda há “disparidades relevantes no processo de transposição” das regras europeias.
Em entrevista ao EContas, Panos Prodromides, presidente do CEAOB, revelou que apresentou uma proposta à Comissão Europeia para que haja um reforço dos poderes, podendo assim vir a tornar-se no supervisor único das auditoras europeias.
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