“Portugal está a chamar à atenção” na indústria da Defesa

O diretor-geral da AED Cluster não tem dúvidas que "Portugal está a chamar à atenção" lá fora e dá o exemplo da Tekever e Beyond Vision.

Numa altura em que a Defesa está a assumir um papel principal na Europa, “Portugal está a chamar à atenção”, posicionando-se com potencial fornecedor para esta indústria para o mercado externo. “Somos um novo ator, não temos um grande historial neste tipo de indústria, mas sabemos exatamente o quão bons já somos e o potencial todo que ainda podemos vir a atingir“, diz Rui Santos, diretor-geral da AED Cluster Portugal, durante a 12ª Automotive Industry Week da AFIA, que decorre até quinta-feira em Vila Nova de Gaia.

Com a União Europeia a aprovar um fundo de 150 mil milhões de euros para conceder empréstimos aos 27 Estados-membros interessados em comprar equipamentos militares, o diretor-geral da AED Cluster Portugal assegura que este conjunto de medidas “representam, seguramente, uma oportunidade para Portugal”.

“Há uma necessidade de internalizar dentro da Europa o que era comprado lá fora”, afiança Rui Santos, numa altura em que os países da NATO acordam investimento de 5% do PIB em defesa até 2035.

Rui Santos, diretor-geral da AED Cluster PortugalAFIA

Portugal tem “bons exemplos de empresas que conseguiram chegar lá fora” e destaca o unicórnio Tekever, que vai abrir a quarta fábrica de drones no Reino Unido e a Beyond Vision que planeia a construção de uma fábrica de 50 milhões de euros nos EUA.

Outro dos exemplos que enumera é o LUS-222, o primeiro avião civil-militar português, apresentado em abril no Brasil e que já tem todos os fornecedores identificados.

O porta-voz da AED Cluster Portugal frisa ainda que a “Alemanha e a França têm muita dificuldade em dar resposta com as próprias cadeias de fornecimento e estão abertamente à procura de outras opções e de novos parceiros — e é aqui que Portugal pode entrar“, afirma.

A Alemanha e a França têm muita dificuldade em dar resposta com as próprias cadeias de fornecimento e estão abertamente à procura de outras opções e de novos parceiros – e é aqui que Portugal pode entrar.

Rui Santos

Diretor-geral da AED Cluster Portugal

Dados partilhados por Luís Ribeiro, board member da idD Portugal Defence, no encontro promovido pela AFIA, mostram que a Europa é responsável por 15% do volume de negócios da Defesa a nível mundial, num momento em que o velho Continente está a investir nas suas capacidades de Defesa face às alterações geopolíticas mundiais.

A título de exemplo a Alemanha quer reforçar as suas capacidades de defesa área, terrestre, naval e de cibersegurança e tem um plano para a compra de equipamento de 377 mil milhões de euros, com a indústria de defesa do país a receber o maior bolo do orçamento. E, numa visita a Portugal, em fevereiro, Macron explorou a cooperação na defesa, energia e inovação.

 

Com Portugal a renovar os seus equipamentos militares nos três ramos das Forças Armadas, várias empresas europeias como o Naval Group, a SAAB ou consórcio do Eurofigther, têm vindo a se posicionar como potenciais fornecedoras de equipamento, acenando com parcerias com a indústria nacional como contrapartida e possibilidade de integrarem cadeia de abastecimento.

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