Dona da Lavoro aposta no calçado tático e de defesa. “Estamos a concorrer a seis concursos”
Empresa de Guimarães está a investir cinco milhões na expansão da área de produção e estima aumentar entre os 15-20% os atuais 220 trabalhadores. Negócio mais recente no setor militar foi em África.
A ICC – Indústrias e Comércio de Calçado, a dona da Lavoro, quer em cinco anos conquistar um terço do mercado nacional das botas táticas para segurança e defesa e, neste momento, já está envolvida em seis concursos, dos quais cinco para o mercado internacional. A empresa de Guimarães está a investir de cinco milhões de euros para expandir a área de produção, estimando aumentar entre os 15-20% os atuais 220 trabalhadores. Estima fechar o ano com um volume de negócios de 25 milhões de euros.
A operar no segmento do calçado técnico, a ICC olha com expectativa para o potencial impacto do reforço dos orçamentos para a Defesa, tanto na Europa quanto a nível nacional, na indústria do calçado. “O aumento dos orçamentos de defesa pode ser lido como uma janela de oportunidade estratégica para empresas tecnológicas e industriais que dominem a bioengenharia do calçado e a ergonomia aplicada”, aponta Teófilo Leite, presidente do conselho de administração da ICC, ao ECO/eRadar.
“A Lavoro, com a sua experiência em inovação, proteção e conforto em contextos de risco, tem todas as condições para ser parceiro de referência na nova geração de calçado técnico europeu — tanto no setor civil como no da defesa“, acrescenta o gestor da empresa com unidade de produção em Guimarães e centro logístico na Póvoa do Lanhoso.
Conquistar 1/3 do segmento de botas táticas
A ICC, através da sua marca Lavoro, desenvolveu a gama de botas COSMICC, reforçando a sua oferta no segmento das botas táticas para segurança e defesa, setor em que a Lavoro, diz Teófilo Leite, “quer conquistar, até 2030, um terço do mercado nacional”, segmento estimado em 36 milhões de euros.
“Este é um mercado muito formal, regra geral dinamizado por empresas internacionais de procurement ou por concursos públicos. A Lavoro está a concorrer a seis concursos, um nacional e cinco internacionais. Quase todos para fornecimentos por períodos de dois anos. E quase todos a precisarem de atualização de requisitos para acompanharem a inovação técnica e tecnológica, quer da produção, quer das funcionalidades disponíveis para o calçado militar”, adianta. “O mais recente negócio da Lavoro no domínio militar concretizou-se em África”, revela ainda, sem adiantar qual o país, dado a confidencialidade deste tipo de negócios.
Este é um mercado muito formal, regra geral dinamizado por empresas internacionais de procurement ou por concursos públicos. A Lavoro está a concorrer a seis concursos, um nacional e cinco internacionais. Quase todos para fornecimentos por períodos de dois anos.
Trabalhar com o setor de defesa é algo com o qual a ICC está familiarizada. A Lavoro, desenvolveu, por exemplo, o modelo de bota tática SAS, usada pelo “Exército português em várias missões e diferentes teatros de operações no contexto da NATO, e que mereceu a certificação ‘Army tested’ daquele ramo das Forças Armadas Portuguesas”, conta Teófilo Leite.
Uma bota que foi feita após um estudo antropométrico do pé de mil militares portugueses, homens e mulheres, pelo SPODOS – Foot Science Center, da Lavoro. Mas, com o Centro Tecnológico da Indústria Têxtil e do Vestuário de Portugal (CITEVE), a ICC integra “uma espécie de Think Tank dedicado à área militar, no qual participam investigadores, cientistas e até militares de vários países europeus e membros da NATO”, acrescenta o gestor. A empresa, diz, juntamente “com diversos parceiros, incluindo especialistas em têxteis de alto desempenho”, está “particularmente atenta ao fardamento do soldado do futuro — incluindo na área dos têxteis inteligentes multifuncionais para o setor da Defesa, a que a Agência Europeia de Defesa (EDA), através da CapTech, tem dedicado especial atenção”.
Neste momento, o setor da floresta, segurança e defesa representa 20% do volume de negócios da ICC. Mas Teófilo Leite mostra-se expectante com o seu crescimento do seu peso na faturação da companhia. “As previsões apontam para uma evolução positiva neste segmento de produto, com um crescimento anual médio de um milhão de euros nos próximos cinco anos“, estima.
Investimento para aumentar área de produção
A empresa tem em curso um investimento de cinco milhões de euros para expandir e modernizar as instalações, de 4.000 para 10.000 metros quadrados, na produção com energia fotovoltaica, na robotização, no corte digital, na costura automática e na injeção robotizada com reciclagem de materiais. O objetivo era o mesmo estar concluído até ao final do ano. “Em virtude de fatores diversos, mas principalmente, em função da morfologia do terreno, que é desafiante, a conclusão dos trabalhos não ocorrerá na data prevista, mas estimamos ter toda a capacidade instalada até ao fim do primeiro semestre do próximo ano“, adianta Teófilo Leite.

A empresa manteve-se em constante laboração, “o que também coloca constrangimentos quer à empreitada de reabilitação, que tem de ser faseada, quer à própria produção de calçado, que tem estado instalada de forma provisória”, justifica.
O presidente da ICC não adianta qual o impacto que esta aposta poderá ao nível do aumento de produção da empresa, mas garante que, com “as novas instalações a funcionar em pleno”, as marcas “ganharão maior tração; mais competitividade; mais capacidade de inovação e de produção, incluindo de produtos mais ecológicos (materiais e energia verde); maior capacidade de gestão de resíduos, inclusive de reintegração na produção no quadro do plano de economia circular; maiores sinergias entre equipas e departamentos; e até uma gestão mais eficiente de stocks“.
A estimativa é fechar o ano de 2025 com um volume de negócios consolidado de 25 milhões de euros, para mais de 50 mercados.
Um aumento da área de produção que se irá traduzir num reforço da equipa, atualmente com 220 colaboradores. “Independentemente do impacto crescente da robotização e da inteligência artificial, acreditamos que, uma vez a funcionar em plano, a nova ICC necessitará de um reforço de recursos humanos de 15 a 20%, para os mais diversos departamentos”, precisa o gestor.
Ao nível de volume de negócios, a empresa que fatura em média 22 milhões de euros, estima fechar o ano com uma subida de receitas. “A estimativa é fechar o ano de 2025 com um volume de negócios consolidado de 25 milhões de euros, para mais de 50 mercados”, diz. A empresa que exporta 60% da sua produção anual, sobretudo para os mercados europeus — “os mais maduros em relação à legislação de proteção individual em contexto de trabalho” — diz estar a registar “mercados emergentes em outras latitudes”, mas também novos negócios em mercados onde já estão presentes. É o caso da Mongólia, onde já estão há mais de dez anos.
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