Mais luxo na Avenida da Liberdade em 2026. Loro Piana e Celine abrem em Portugal

Lina Santos,

As duas marcas do grupo LVMH vão ter lojas em Portugal e abrem as portas no final do ano na antiga sede do BES.

Discreta e muito desejada, a Loro Piana passará a ter, em 2026, uma presença física em Portugal. Tal como a Celine, outra marca que faz parte da família LVMH e que também chegará ao país, em loja própria em 2026. As duas lojas vão instalar-se, lado a lado, no edifício da antiga sede do BES, na Avenida da Liberdade, sabe o ECO.

Quando os tapumes saírem, ficará à vista um (quase) novo quarteirão: um edifício de escritórios e lojas que mantêm a Avenida Liberdade no ranking de ruas mais caras da Europa, e o destino preferido das marcas do conglomerado LVMH em Portugal. É aqui que já se encontram Louis Vuitton, Loewe ou Bvlgari.

A italiana Loro Piana, nascida há 101 anos em Quarona, Piedmont, e batizada com o nome do fundador, o engenheiro Pietro Loro Piana, está no grupo LVMH desde 2013, e está hoje em toda a Europa.

A italiana Loro Piana, nascida há 101 anos em Quarona, Piedmont, e batizada com o nome do fundador, o engenheiro Pietro Loro Piana, está no grupo LVMH desde 2013, e está hoje em toda a Europa — da Itália natal ao Reino Unido, passando por França e Alemanha. As lojas mais próximas dos portugueses seriam as que se encontram em Espanha — Madrid, Barcelona e Ibiza. Em 2026, também se prepara para abrir portas em San Diego, Califórnia, EUA.

Conhecida pelas suas caxemiras, lãs e peças feitas de raríssima vicunha, a Loro Piana foi uma das muitas marcas do grupo LVMH a entrar na dança de cadeiras que revolucionou o organograma da companhia. Logo em março soube-se que a partir de junho o CEO seria um dos cinco filhos de Bernard Arnault, o homem que tornou o grupo LVMH no que é hoje. Frédéric Arnault, 30 anos, deixaria, assim, o cargo de CEO da LVMH Watches (Hublot, Tag Heuer, Zenith).

O jovem Arnault tinha (e tem) uns sapatos grandes para calçar. Substituiu o gestor Damien Bertrand, que deixou a Loro Piana para ser CEO de todo o grupo, reconhecendo-lhe o trabalho que vinha fazendo desde 2021 para elevar a marca italiana à categoria de única, exclusiva, “obcecada com qualidade e saber-fazer, posicionando-a como mestre de fibras”, segundo a própria LVMH. Foi com Damien Bertrand que se iniciou a verdadeira expansão da Loro Piana no mundo.

Para Frédéric Arnault foi como um presente envenenado. Em julho, soube-se que a Loro Piana é uma de várias empresas italianas de luxo que ficará sob tutela judicial por alegadamente facilitar a exploração de trabalhadores por subcontratação. A empresa contratou duas empresas de fachada, sem capacidade de produção, que, por sua vez, contratavam fábricas chinesas que operavam em Itália.

O ressurgimento de Celine

Também no capítulo de marcas que tiveram um reposicionamento este século está a Celine, nascida em 1945 e adquirida em 1996 pela LVMH. E, como a Loro Piana, viu mudanças na estrutura em 2025 que terão efeito visível em 2026. Saiu o diretor criativo Hedi Slimane, que deixou a casa a faturar mais de 2 mil milhões, entrou Michael Rider, que apresentou recentemente a sua primeira coleção — uma homenagem à história da maison parisiense. Da fundadora, Céline Vipiana, a Phoebe Philo (de quem foi assistente), passando por Michael Kors.

Apresentação de uma coleção de Celine

Uma das primeiras ações de Michael Rider foi reinterpretar algumas das mais icónicas carteiras da marca — e um dos seus maiores ativos. A marca está também a estrear-se no mercado da cosmética — um dos mais fortes da LVMH. Lançou recentemente o batom Rouge Triomphe (que evoca o nome de uma das mais populares carteiras Celine).

O grupo LVMH fechou 2024 com 84,7 mil milhões de euros de faturação e uma margem operacional de 22%. A divisão dedicada à moda e marroquinaria foi responsável por quase metade por quase metade do total.

O grupo LVMH fechou o exercício de 2024 com 84,7 mil milhões de euros de faturação e uma margem operacional de 22 %. A divisão dedicada à moda e marroquinaria foi responsável por quase metade do total (41,1 mil milhões de euros). Em 2025, e nos primeiros nove meses do ano, o conglomerado deu sinais de abrandamento. A faturação caiu cerca de 5%, de acordo com informação do próprio grupo.

A LVMH fechou o 3.º trimestre (últimos dados disponíveis) com melhoria marginal: vendas de 18.280 milhões, crescimento orgânico de 1%, apesar de um impacto cambial de menos 5% que pesou nas contas reportadas. Cresce em vendas em todas as geografias, exceto na Europa, onde os gastos turísticos diminuíram.

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