Espanha bloqueou 200 compras de material a Israel e autorizou uma

  • Lusa
  • 30 Dezembro 2025

A operação autorizada foi para permitir que a Airbus, que tem unidades em Espanha, possa exportar determinados produtos e manter projetos industriais que precisam de tecnologia israelita.

Espanha bloqueou mais de 200 operações de importação relacionadas com Israel, desde que entrou em vigor a legislação do embargo total de armas e “outras medidas urgentes contra o genocídio em Gaza”. Apenas uma dessas operações foi autorizada, que envolveu a empresa Airbus, por ter sido considerada “vital e estratégica”, disse o ministro para a Transformação Digital, Óscar López.

A legislação em causa foi aprovada pelo Governo no final de setembro e depois ratificada pelo parlamento espanhol, no início de outubro.

A operação foi autorizada na semana passada para permitir que a Airbus, que tem unidades em Espanha, possa exportar determinados produtos e manter projetos industriais que precisam de tecnologia israelita.

Também a ministra da Defesa espanhola, Margarita Robles, explicou que foi autorizada esta operação com “fins industriais” e que o acordo com a Airbus permite que a empresa possa continuar a importar materiais para a concretização de projetos específicos na área da aviação, nomeadamente, o fabrico de alguns modelos de avião que precisam de tecnologia israelita.

O partido de esquerda Somar, que integra a coligação governamental espanhola, liderada pelos socialistas, contestou a exceção aprovada para a Airbus no último Conselho de Ministros, indicaram fontes do partido citadas pelos meios de comunicação social locais.

Nas declarações de hoje, o ministro Óscar López — que dirige a estrutura de Madrid do Partido Socialista — desvalorizou as diferenças com o Somar, que disse serem pontuais, e garantiu que a coligação no Governo avança e Espanha tem um executivo que é “dos mais estáveis da Europa”.

O parlamento de Espanha ratificou em 08 de outubro o embargo total de armas a Israel e outras “medidas urgentes contra o genocídio em Gaza e de apoio à população palestiniana“.

O decreto estabeleceu o “embargo total” de armas e outro material de defesa e segurança que tenha como origem ou destino Israel, nomeadamente, a proibição das exportações e importações de todo o material de defesa e produtos ou tecnologia de “duplo uso” (que podem ter utilização civil ou militar).

No entanto, o texto do decreto ressalvou que o Conselho de Ministros pode autorizar de maneira pontual e excecional operações relacionadas com material de defesa e de duplo uso, para poder responder a questões de segurança nacional ou de política externa.

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