Golden Goose: “Não somos uma marca ‘legacy’, por isso nunca tivemos nada a defender”

ECO,

A marca de origem italiana anunciou em dezembro a venda ao fundo chinês HSG. O CEO continua na liderança e falou sobre o negócio.

“Não somos uma marca de herança, por isso nunca tivemos nada a defender — sempre fomos uma empresa em ataque. Sempre a criar o nosso próprio caminho”. Esta sexta-feira, o CEO da Golden Goose, Silvio Campara, deixou alguns detalhes sobre a marca que fundou e que vai continuar a liderar após a venda da maioria ao fundo chinês HSG, conhecida a poucos dias do Natal.

“Tenho trabalhado nisto há muito tempo”, contou ao The Scoop, uma newsletter da Vogue. “O negócio é significativo, maior do que alguma vez imaginámos — sobretudo para uma marca da nossa dimensão. Mas falar apenas de números financeiros simplifica demasiado a questão”. Ainda assim, vale a pena mencioná-los. A HSG adquiriu a Golden Goose por 2,5 mil milhões de euros à Permira. Esta empresa, por sua vez, tinha comprado a Golden Goose em 2020, por 1,26 mil milhões de euros.

Desempenho Financeiro 2024

A Golden Goose encerrou o ano de 2024 com um crescimento sólido, impulsionado pela estratégia de venda direta ao consumidor (DTC).

  • Receitas Líquidas: 654,6 milhões , um aumento de 13% face a 2023.
  • EBITDA Ajustado: 227,3 milhões (+14% vs 2023), com uma margem de 34,7%.
  • EBIT Ajustado: 163,4 milhões (+9% vs 2023).
  • Resultado Líquido: 52,7 milhões .
  • Posição de Caixa: 154 milhões no final do ano.
  • Rácio de Alavancagem: 2,4x (Net Debt/EBITDA).

 

Silvio Campara diz que “as pessoas estão profundamente frustradas” e deixa pistas sobre o futuro da empresa. “Falta-lhes tempo autêntico com os outros — as ligações reais são escassas. Há vinte anos, o luxo era definido pelo produto, mas hoje encontram-se produtos de luxo em todo o lado, até nos aeroportos. O verdadeiro luxo passou a ser o tempo e as experiências“, refere. O seu plano, agora, é converter as lojas da marca Golden Goose em locais de criação.

“Se o futuro passa pela comunidade, então tens de tornar essa comunidade mais interessante. Se quero fazer cerâmica em Nova Iorque, vou convidar a melhor marca de cerâmica de Nova Iorque para me ajudar a construir isso. Assim, aproveito a comunidade deles, junto-a à minha comunidade e deixo as pessoas encontrarem-se. A autenticidade é mais importante do que a escassez, porque a autenticidade é a verdadeira escassez. Não é preciso pagar 2.000 dólares para ter algo raro, se fizeres parte do processo de criação”.

Silvio Campara, CEO e fundador da Golden Goose

Desde o seu nascimento em 2000, na cidade italiana de Marghera, próxima de Veneza, a Golden Goose tem apostado em lojas próprias, uma estratégia que o CEO reafirma na sua entrevista à The Scoop.

O chairman não-executivo da Golden Goose será Marco Bizzarri, que já tinha estado no conselho de administração da empresa. “Ele é a pessoa perfeita para o papel, no que eu chamo a revolução suave da nossa marca. Temos sempre de lembrar o que ele fez na Gucci, o que fez na Bottega, como inventou a Stella McCartney”.

É, também, um apologista das cocriações, palavra cara a Silvio Campara. O novo CEO foi o motor da colaboração entre H&M e McCartney.

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