Presidente de Taiwan quer reforçar cooperação militar com a Europa
Pequim considera Taiwan parte integrante do seu território e não exclui o recurso à força para a recuperar.
O Presidente taiwanês, William Lai Ching-te, declarou querer uma cooperação mais forte entre Taiwan e os europeus em matéria de defesa, num momento em que a ilha procura proteger-se melhor da ameaça chinesa.
Taiwan procura estreitar os laços económicos e de segurança com a Europa, o seu terceiro parceiro de exportação, num contexto de dúvidas sobre a determinação dos Estados Unidos em defender a ilha em caso de ataque da China.
Pequim considera Taiwan parte integrante do seu território e não exclui o recurso à força para a recuperar.
“Gostaria que Taiwan e a Europa reforçassem a cooperação na indústria da defesa e em matéria de tecnologias de defesa”, afirmou Lai numa entrevista à agência de notícias France-Presse, a primeira desde que assumiu o cargo, em 2024.
Taiwan apoia os investimentos no estrangeiro das suas empresas de semicondutores, incluindo na Europa, sublinhou Lai, questionado na terça-feira no Palácio Presidencial, em Taipé. Taiwan, que fabrica a maior parte dos semicondutores mais avançados do mundo, também gostaria de “trabalhar com a Europa no desenvolvimento conjunto de inteligência artificial [IA] e abrir uma era de transformação inteligente global”, observou.
A guerra na Ucrânia, onde os drones se tornaram um armamento fundamental, está a ser acompanhada de perto por Taiwan, que se prepara para diferentes cenários de um potencial ataque da China. O Presidente taiwanês elogiou “os esforços dos europeus para defender os valores universais e o apoio à resistência da Ucrânia face à invasão russa”. “Taiwan também está ao lado do povo ucraniano”, sublinhou.
Taiwan aumentou as despesas militares na última década e está a desenvolver ativamente a indústria de defesa, sob pressão dos Estados Unidos para reforçar a sua segurança e para que os seus fabricantes de semicondutores de ponta aumentem as capacidades de produção nos Estados Unidos.
A concentração da produção de chips, indispensáveis para a IA e para muitos setores, em Taiwan é considerada um “escudo de silício” que protege a ilha contra um ataque da China.
No entanto, Taiwan apoia os investimentos em semicondutores no estrangeiro para tornar o setor mais resiliente. A TSMC, o maior subcontratante de chips do mundo, está a reforçar a presença nos Estados Unidos, no Japão e na Europa.
Mas para que Taiwan continue a ser indispensável na cadeia de abastecimento global, a indústria taiwanesa de semicondutores deve manter os seus “centros de investigação e desenvolvimento, os seus processos de fabrico mais avançados e a maior parte da sua capacidade de produção”, insistiu o Presidente.
Não obstante, todos os elos da cadeia de produção são importantes, matizou Lai. “É por isso que o Governo taiwanês apoia os investimentos do setor dos semicondutores no Japão, nos Estados Unidos e na Europa”, disse.
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