Com menos custos e de implementação mais célere, metrobus conquista municípios

De Norte a Sul do país, cada vez mais municípios apostam no metrobus, para melhorar a mobilidade nas cidades e com menores custos face ao metro convencional.

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Um transporte público em autocarro movido a hidrogénio, que circula em via dedicada e mais rápido do que o carro particular em horas de ponta, está a conquistar vários municípios do país. O metrobus “é muito mais barato e mais rápido na concretização” do que o convencional para melhorar a mobilidade urbana, assinala Ricardo Rio, presidente da Câmara de Braga. E já tem provas dadas em cidades como Nantes (França) — que serviu de inspiração para a Metro do Porto —, Granada (Espanha) ou Amesterdão (Países Baixos), tornando-as menos poluentes e mais competitivas economicamente.

Por cá, cidades como Braga, Porto, Matosinhos ou Coimbra estão a apostar as fichas no metrobus, também designado por BRT (Bus Rapid Transit), atraídas pela rapidez da instalação e custos reduzidos face ao sistema de metro convencional. E não só. O metrobus casa a frequência, a pontualidade e a regularidade de um transporte em carris com a flexibilidade de um veículo sobre rodas. É ainda o “mais adaptado ao perfil do território” bracarense, onde, nos últimos anos, disparou a procura pelo transporte público, destaca Ricardo Rio. Em 2023, a cidade minhota ultrapassou os 200 mil habitantes.

O traçado será sobretudo em canal dedicado (81%), com 19% em via partilhada, mas com prioridade semafórica, para assegurar rapidez e fiabilidade.

Ricardo Rio

Presidente da Câmara Municipal de Braga

Agora, é altura de convencer os munícipes a usar a Linha Vermelha, a funcionar a partir de junho de 2026, numa operação assegurada pela empresa municipal Transportes Urbanos de Braga, num investimento de 75,5 milhões de euros financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

O BRT vai ligar a estação de caminhos-de-ferro ao hospital da cidade, passando pelo campus da Universidade do Minho; terá 12 estações em cada sentido, numa extensão de cerca de seis quilómetros. Vai funcionar com 12 autocarros articulados elétricos, com capacidade para 130 passageiros cada, circulando de seis em seis minutos.

“O traçado será sobretudo em canal dedicado (81%), com 19% em via partilhada, mas com prioridade semafórica, para assegurar rapidez e fiabilidade”, detalha Ricardo Rio. “Vai retirar mais de 800 carros por dia das ruas; o que significa menos trânsito, menos emissões poluentes e mais espaço público para as pessoas.” A reboque do metrobus está a requalificação urbana com “a melhoria dos acessos pedonais, a criação de ciclovias e integração de corredores verdes ao longo do trajeto”.

Metrobus do PortoMetro do Porto

Metrobus do Porto, um parto difícil

Já na Invicta, o metrobus tem sido um parto difícil com troca de galhardetes entre a Câmara do Porto e a Metro do Porto — a responsável pela obra que custa cerca de 76 milhões de euros —, devido aos consecutivos atrasos.

As obras foram avançando na Avenida da Boavista, mas metrobus nem vê-lo. A linha entre a Casa da Música e a Praça do Império, em 12 minutos, já deveria ter entrado em funcionamento em setembro de 2024, com a Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP) a operar os autocarros movidos a hidrogénio. Há uma segunda fase até à Anémona em 17 minutos cujos prazos se arrastaram ainda mais.

O mais recente desenvolvimento desta novela aconteceu em outubro quando o novo presidente da Metro do Porto, Emídio Gomes, recentemente empossado, mandou parar temporariamente a segunda fase da obra na Avenida da Boavista. Dias antes, Pedro Duarte, que venceu depois as eleições autárquicas para o município da Invicta, tinha interposto uma providência cautelar para travar a empreitada. Esta tinha arrancado por ordem da então administração em funções.

Rede Projetada Metrobus MatosinhosCâmara Municipal de Matosinhos 30 outubro, 2025

O BRT também conquistou Matosinhos. A partir de 2026 deverá ligar o mercado municipal, junto ao Porto de Leixões, ao aeroporto. Prevê-se, no futuro, o prolongamento da linha até à rotunda da Anémona, fazendo a ligação com o metrobus do Porto. O município pretende criar uma espécie de anel intermodal que una metrobus, comboio, Metro do Porto, autocarros STCP, rede metropolitana Unir e expressos.

Num investimento de quase 23 milhões de euros, o projeto está integrado no Fundo para a Transição Justa (FTJ) criado na sequência do encerramento da Refinaria da Petrogal em Leça da Palmeira, em 2021.

De Coimbra, Miranda do Corvo e Lousã ligados em rede

Mais no Centro do país, numa extensão de 42 quilómetros, o Sistema de Mobilidade do Mondego vai ligar, em via dedicada, os municípios de Coimbra, Miranda do Corvo e Lousã — nesta cidade implicou a reabilitação do antigo ramal — numa estratégia de coesão territorial e desenvolvimento urbano. A Metro Mondego vai disponibilizar autocarros elétricos com capacidade para 136 pessoas, estimando servir 13 milhões de passageiros por ano.

Depois de cerca de três décadas de avanços e recuos, o novo BRT, que substituiu o projeto original de metro ligeiro de superfície, representa um investimento de 220 milhões de euros, segundo contabilizou o Ministério das Infraestruturas.

Desde agosto que arrancou uma primeira fase do Sistema de Mobilidade do Mondego, com um primeiro troço de cinco quilómetros, com 10 estações.

Metro MondegoMetro Mondego 30 outubro, 2025

No Algarve está prevista a criação de um percurso de 37,6 quilómetros entre os concelhos de Faro, Loulé e Olhão, com ligação ao aeroporto Gago Coutinho, Universidade do Algarve, Montenegro e Parque das Cidades. A empreitada de construção rondará os 203,1 milhões de euros e deverá servir cerca de 185 mil residentes nos três concelhos, ou seja, 40% da população algarvia.

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