A importância do controlo orçamental e da análise de desvios
Com a aproximação do fecho das contas do primeiro mês de 2026, este é o momento certo para garantir que o processo de controlo orçamental começa de forma sólida.
Com o início de um novo ano e a aproximação do fecho das contas do primeiro mês de 2026, este é o momento certo para garantir que o processo de controlo orçamental começa de forma sólida e com resultados úteis para todo o ano. As decisões tomadas agora vão influenciar a qualidade da gestão ao longo de todo o exercício, e consequentemente os resultados.
O controlo orçamental não é um exercício meramente contabilístico. O seu verdadeiro objetivo é comparar o desempenho real com o que foi planeado, analisar os desvios e transformar essa informação em decisões de gestão. Trata-se do processo de calcular e analisar as diferenças entre resultados reais e orçamentados, usando a análise de desvios para apoiar a gestão.
Este processo permite três coisas fundamentais: identificar desvios face aos objetivos definidos, investigar as razões que explicam essas diferenças e, sempre que necessário, tomar medidas corretivas em tempo útil. No entanto, mais do que olhar para números passados, um controlo orçamental bem feito ajuda a melhorar decisões futuras.
A análise de desvios bem feita é particularmente poderosa porque permite avaliar o impacto de cada decisão de negócio no resultado. Infelizmente, a maioria das empresas limita-se a comparar os resultados do orçamento com os resultados reais, perdendo uma riqueza enorme de informação para tomada de decisão. Uma boa prática no controlo orçamental é separar o impacto de diferentes tipos de desvios – preço, volume ou eficiência. Ao decompor os desvios, conseguimos perceber quanto é que o resultado mudou devido a alterações no volume de atividade, na eficiência operacional ou nos preços pagos pelos recursos e cobrados pelas vendas. Esta decomposição é essencial para uma compreensão correta e profunda do desempenho.
Na prática, cada um dos tipos de desvios permite responder a questões específicas e a melhorar a tomada de decisão. O primeiro é o volume de vendas. Um aumento ou diminuição do volume tem impacto direto no resultado, mesmo que os preços e a eficiência se mantenham constantes. Perceber este efeito ajuda a responder a perguntas simples, mas críticas: o lucro aumentou porque vendemos mais ou porque gerimos melhor?
A segunda razão prende-se com os preços. Por exemplo, se a equipa de compras adquirir matérias-primas a um preço superior ao previsto, esse desvio terá impacto negativo na margem, independentemente do volume ou da eficiência. A análise de desvios permite isolar este efeito e avaliar decisões de negociação e de sourcing.
A terceira razão está relacionada com a eficiência ou utilização dos recursos. Se a produção conseguir fabricar o mesmo volume com menos horas de trabalho ou menos desperdício, isso traduz-se num ganho de eficiência com impacto positivo no resultado. Pelo contrário, ineficiências operacionais geram desvios desfavoráveis que devem ser identificados e corrigidos.
Uma análise mais aprofundada que combine os diferentes tipos de desvios permite responder a questões verdadeiramente relevantes para a gestão. Por exemplo: a aquisição de materiais mais caros, mas de melhor qualidade, traduziu-se numa melhoria de eficiência que compensou o aumento de preço? A ação de formação realizada teve impacto mensurável, refletindo-se numa redução do desperdício e num aumento da eficiência operacional? Este tipo de leitura integrada é essencial para avaliar se as decisões tomadas geram, de facto, valor para a empresa.
Vale a pena reforçar este ponto que é muitas vezes negligenciado na prática. Muitas empresas deixam de fora os desvios de eficiência. No entanto, ao contrário do volume de vendas ou dos preços de compra, que muitas vezes dependem de fatores de mercado e estão parcialmente fora do controlo da empresa, a eficiência operacional está, em grande medida, ao alcance de qualquer organização melhorar. A eficiência depende de processos, métodos de trabalho, planeamento e disciplina operacional. É um terreno onde a gestão pode atuar diretamente.
Mas, sem uma quantificação clara dos desvios de eficiência, torna-se difícil identificar problemas, priorizar iniciativas ou avaliar o impacto real das melhorias implementadas. Como sabemos, aquilo que não se mede dificilmente se gere. Sem medir a eficiência, como podemos tomar decisões para melhorar o desempenho?
Num contexto económico cada vez mais exigente, começar bem o processo de controlo orçamental é uma vantagem competitiva. Aplicar boas práticas de análise de desvios e focar-se nas causas reais dos desvios permite transformar números em ação. As organizações que dominam esta ferramenta não se limitam a explicar o passado, mas estão a tomar decisões no presente que lhes permite construir resultados mais sólidos no futuro.
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