A nova estratégia europeia para uma “bioeconomia” competitiva, sustentável e resiliente
A aposta da União Europeia na Bioeconomia será impulsionada por novos investimentos e recursos financeiros destinados a pôr na vanguarda as indústrias europeias de base biológica.
No final de 2025 a Comissão Europeia (CE) apresentou a nova Estratégia para a Bioeconomia, um quadro ambicioso que visa acelerar a transição para uma economia limpa, resiliente e competitiva, reforçando a autonomia estratégica da União Europeia (UE). Esta iniciativa coloca a bioeconomia no âmago do que será a resposta europeia à dependência de materiais fósseis e matérias-primas críticas.
Mas, afinal, do que trata a bioeconomia? É uma economia que assenta na utilização de recursos biológicos da terra e do mar, bem como resíduos e matérias-primas para a produção industrial e energética. A bioeconomia europeia é já uma componente estrutural da UE: emprega cerca de 17,1 milhões de pessoas em atividades de produção e transformação de biomassa (cerca de 5% do PIB europeu) e gera um valor económico que se estima próximo de 2,7 mil milhões de euros. É à luz destes factos que se compreende a relevância desta economia, num momento em que a Europa procura reforçar a sua competitividade global e reduzir as suas vulnerabilidades externas.
A divulgação desta nova estratégia, que se alinha diretamente com outras importantes iniciativas europeias – como a Bússola para a Competitividade, o Pacto da Indústria Limpa e a Visão para a Agricultura e o Setor Alimentar –, tem como principal objetivo a transferência da investigação para a implementação industrial. Isso garantirá que a inovação não permaneça apenas em laboratórios e que a conversão em benefícios tangíveis para os cidadãos europeus tanto possa ocorrer, como ser acelerada.
Para concretizar este objetivo, a CE procurará estimular mercados em áreas com forte tração industrial, como são os casos dos materiais de construção, dos plásticos, dos têxteis, dos produtos químicos, dos produtos farmacêuticos e dos biopesticidas. Para tal, a CE propõe um quadro regulatório mais coerente e simplificado, que recompense modelos de negócio circulares e sustentáveis. Além disso, pretende acelerar a introdução no mercado de soluções inovadoras com impacto industrial, sobretudo para as PME, orientando o financiamento para tecnologias de base biológica.
Para operacionalizar esta ambição, a CE propõe um conjunto integrado de instrumentos e mecanismos financeiros e de investimento destinados a acelerar a inovação e a expansão industrial da bioeconomia, nomeadamente:
• “Janela da Bioeconomia” no Fundo Europeu de Competitividade e no futuro programa-quadro para Investigação & Desenvolvimento (I&D) – o “novo” Horizonte Europa a ser implementado pós-2027: financiamento dedicado à I&D e inovação, demonstração e escalabilidade industrial, com o objetivo de reduzir riscos tecnológicos, mobilizar investimento de grande escala e ligar investigação ao mercado, com enfoque na produção de novo conhecimento de base académica.
- Fórum de Reguladores e Inovadores da Bioeconomia Europeia: um espaço de intercâmbio de boas práticas sobre avaliações de risco de soluções com base na natureza, envolvendo, desde logo, as empresas que as desenvolvem.
- Revisão do “Circular Bio-Based Europe Joint Undertaking” através do reforço desta parceria público-privada entre a UE e parceiros bioindustriais, visando financiar projetos altamente inovadores de bioindústrias circulares.
- Grupo de Implementação de Investimentos em Bioeconomia: plataforma que reúne a CE, o Banco Europeu de Investimento (BEI), banca nacional e investidores privados com o intuito de criar um conjunto de projetos passíveis de financiamento, partilhando risco e a atração de capital privado. Esta iniciativa visa mobilizar investimento público e privado na próxima década, especialmente para biorrefinarias, unidades avançadas de fermentação e produção de materiais de base biológica.
- Bio-based Europe Alliance (BEA): iniciativa através da qual empresas europeias se comprometem a adquirir conjuntamente 10 mil milhões de euros de materiais de base biológica até 2030, estimulando a procura, o reforço e a criação de mercados internos.
Antevêem-se desta nova Estratégia benefícios claros, tanto a nível empresarial, como a nível social.
Para as empresas, esta estratégia traduzir‑se-á numa maior previsibilidade no acesso ao mercado e ao financiamento de risco, onde a prioridade será dada a setores com soluções de base biológica mais maduras, como bioplásticos, químicos, construção e têxteis. O facto desta estratégia também visar a simplificação de barreiras regulatórias e lacunas de financiamento, acelerará a transição industrial de empresas com dificuldades de crescimento.
Do ponto de vista social, o impacto traduzir-se-á no acesso a produtos e serviços ambientalmente mais sustentáveis, no aumento do emprego qualificado, na criação de valor e de massa crítica através de I&D, trazendo como consequência imediata o reforço da resiliência económica e autonomia europeia.
Como será expectável, esta transição exigirá processos técnicos, regulatórios e financeiros cada vez mais robustos, tornando essencial que, na definição de estratégias e na estruturação de projetos de I&D e de investimento, as entidades tenham acesso a orientação especializada de entidades como a KPMG, reconhecida pela sua experiência na angariação de incentivos europeus.
Em suma, é claro o valor económico que esta nova Estratégia pretende trazer às empresas nacionais, tanto do ponto de vista de negócio, como de inovação. Contudo, para que essas empresas possam tirar melhor partido das oportunidades de financiamento disponíveis (e a disponibilizar), o apoio especializado de entidades como a KPMG será fundamental para transformar oportunidades em resultados concretos.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
A nova estratégia europeia para uma “bioeconomia” competitiva, sustentável e resiliente
{{ noCommentsLabel }}