Nos idos de março

Com o escalar da guerra, a já de si tensa relação entre a Europa e EUA ganhou novos focos de inquietação, com o Velho Continente a distanciar-se do envio de militares para o terreno.

Às três semanas e seis dias de guerra no Irão, os Estados Unidos consideram enviar mais 10 mil soldados para o Médio Oriente, incluindo tropas terrestres e veículos blindados, a juntarem-se aos cerca de 5.000 fuzileiros e paraquedistas da 82 Airborne Division já no terreno, noticia o The Wall Street Journal. Sem um fim à vista para o conflito, com Teerão a intensificar os ataques contra Israel e alvos norte-americanos em países do Golfo Pérsico — a ameaça de atacar hotéis ou espaços onde tropas americanas fiquem alojadas é o episódio mais recente —, e o estrangulamento do Estreito de Ormuz a gerar ondas de choque na economia mundial, o cenário de ‘boots on the ground‘ parece estar a assumir contornos de inevitabilidade.

As consequências serão imprevisíveis. Mas parece que a atual estratégia de ataques aéreos — que transformou a Base das Lajes num corrupio de aterragens e descolagens de aviões militares em trânsito para o Médio Oriente através de uma ‘autorização condicional’ no âmbito do acordo entre Portugal e EUA — não está a ter o efeito desejado.

Com o escalar da guerra, a já de si tensa relação entre a Europa e EUA ganhou novos focos de inquietação, com o Velho Continente a distanciar-se do envio de militares para o terreno apesar dos apelos de Trump para que as forças NATO fossem acionadas. “Nós vamos lembrar-nos”, disse o presidente americano.

A ver vamos, se este momento — ao estilo de ‘nos idos de março’ — não se vai materializar em falta de apoio ao processo de paz na Ucrânia que, desde que explodiu a guerra com o Irão, parece estar em banho maria.

Donald Trump deu até 6 de abril como prazo para o Governo iraniano ‘desbloquear’ o Estreito de Ormuz e na sua rede Truth Social afiança que as “conversações estão a correr bem, apesar das afirmações contrárias” — lá está — dos “fake news media“. Irão desmente haver negociações em curso. Por isso, é difícil acreditar que o calendário para a paz tenha uma data definida.

O certo é que, com o escalar da guerra, a já de si tensa relação entre a Europa e EUA ganhou novos focos de inquietação, com o Velho Continente a distanciar-se do envio de militares para o terreno apesar dos apelos de Trump para que as forças NATO fossem acionadas. “Nós vamos lembrar-nos”, disse o presidente americano.

A ver vamos, se este momento — ao estilo de ‘nos idos de março’ — não se vai materializar em falta de apoio ao processo de paz na Ucrânia que, desde que explodiu a guerra com o Irão, parece estar em banho maria.

Mas na frente interna, Bruxelas debate-se igualmente com falta de apoio de outros ‘aliados’. Não parece haver evolução concreta no desbloquear do veto húngaro ao empréstimo de 90 mil milhões à Ucrânia e notícias de que o ministro dos negócios estrangeiros húngaro passava regularmente à Rússia informação sobre discussões internas da UE também não terão certamente ajudado na melhoria das relações.

Coincidência — ou talvez não — todos os pacotes SAFE foram já aprovados pela Comissão Europeia, com a exceção dos mais de 17 mil milhões de euros da Hungria. A 12 de abril há eleições na Hungria. Seis dias depois do prazo dado por Trump ao Irão para desbloquear Ormuz. Aguardemos pelos idos de abril.

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