Qual é a Red Bull portuguesa?
As nossas marcas continuam a ter pouco alcance global. Falta-lhes visão, ambição ou investimento avultados em marketing, como faz a Red Bull.
Sabia que a Red Bull nasceu na Áustria? Todos já ouvimos falar desta marca, mas poucos ou nenhuns associam esta bebida àquele pequeno país europeu. Dietrich Materschitz, o seu criador, não precisou de inventar a roda. Em vez disso, inspirou-se nas bebidas energéticas tailandesas. Em 1984 criou a empresa e em 1987 lançou a bebida que hoje dá asas à pequena grande empresa, que continua sedeada na Áustria.
Pequenos países na atualidade, embora gigantescos impérios no passado, como foi o caso austríaco e o caso português, nem sempre precisam de se reinventar para enaltecer os seus grandiosos feitos. Tantas vezes, basta estar atento à procura do mercado e aos bons exemplos. Vejamos o caso do senhor Dietrich Materschitz que, após uma viagem à Tailândia, trouxe a ideia, mas não fez tudo sozinho: aliou-se, em parceria, com o tailandês Chaleo Yoovidhya e adaptou a fórmula e o marketing ao gosto ocidental.
Nalguns dias desta semana, por motivos de trabalho, tenho estado em Viena e reparei como a latinha azul era uma constante no dia-a-dia dos locais. Hoje, a marca ultrapassou as fronteiras locais e já vende anualmente cerca de 5 mil milhões de latas em mais de 140 países.
Grande parte do êxito está na seguinte formula: 35% da faturação da empresa é reservada para investimentos em marketing. Associada aos jovens e aos desportos, sobretudo aos radicais, a insígnia tornou-se um ícone. Tem presença no futebol, na Fórmula 1, entre outros. Conhecida em Portugal, pelo slogan ‘Dá-te asas’, dei por mim a pensar qual será a nossa Red Bull? Teremos alguma marca tão forte quanto esta? Parece que não. As nossas marcas continuam a ter pouco alcance global. Falta-lhes visão, ambição ou investimento avultados em marketing, como faz a Red Bull.
A marca portuguesa mais conhecida e vendida lá fora é hoje ‘’Cristiano Ronaldo’. Entre as empresas, destacam-se as multinacionais EDP, Galp Energia e Jerónimo Martins. Entre as marcas de produtos, propriamente ditos, só o Mateus Rosé se destaca em escala.
Começou em 1942 e chega a 120 mercados no mundo. Vende cerca de 25 milhões de garrafas por ano, bem abaixo dos 5 mil milhões da latinha azul. As marcas nacionais ainda não ganharam asas suficientemente energizadas para voar mais alto.
Voltando à Áustria, é um país pequeno como Portugal, com apenas 9 milhões de habitantes. Mantém o orgulho do antigo império dos Habsburgo, cuida das suas figuras históricas, como Sissi, e do seu património cultural como poucos, alimenta uma cultura musical de elite e promove as suas empresas e os seus fazedores com honra, sem receios de apoiar o empreendedorismo e os empresários. Uma boa inspiração para, a partir de Portugal, olharmos com esperança para a economia, ao longo de 2026.
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