Gigantes da imprensa norte-americanos registam lucros milionários
Em conjunto, a Thomson Reuters, a News Corp, a People Inc e o The New York Times arrecadaram cerca de cinco mil milhões de dólares em receitas e quase 1,2 mil milhões em lucros no último trimestre.
Apesar de todos os desafios e das dúvidas acrescidas suscitadas pela inteligência artificial (IA), quatro dos maiores grupos de imprensa norte-americanos apresentaram resultados financeiros robustos no último trimestre.
Em conjunto, a Thomson Reuters, a News Corp, a People Inc (antigamente Dotdash Meredith ) e o The New York Times arrecadaram cerca de cinco mil milhões de dólares em receitas e quase 1,2 mil milhões em lucros no último trimestre, segundo o Press Gazette.
A IA, que era vista como uma possível inimiga, não parece estar a minar o negócio destes jornais. Na verdade, embora alguns destes meios tenham começado com o pé esquerdo a sua relação com a IA — como no caso do New York Times, que em 2023 processou a OpenAI (dona do ChatGPT) e a Microsoft por violação de direitos de autor — todos têm vindo a aproximar-se desta tecnologia.
A People Inc e a News Corp, por exemplo, assinaram acordos de licenciamento de conteúdo com a OpenAI, enquanto a Reuters fez um acordo de IA com a Meta. Também o The New York Times parece ter mudado de estratégia relativamente à IA, uma vez que celebrou recentemente um acordo com a Amazon pelo acesso a artigos e conteúdos jornalísticos para o treino de modelos de inteligência artificial.
The New York Times
O New York Times foi mesmo o que apresentou um maior crescimento relativo entre os quatro grandes gigantes de media norte-americanos, com a sua receita a crescer 7% em relação ao ano anterior, para 686 milhões de dólares. Já o lucro operacional subiu 21%, para 106 milhões.
Este crescimento deve-se em grande parte ao crescimento do número de assinantes, que somou mais 250 mil (dos quais 230 mil apenas digitais) no trimestre, para um novo recorde de 11,88 milhões em todo o portfólio do grupo, que inclui The New York Times, o jornal desportivo The Athletic e os seus jogos de palavras/quebra-cabeças.
Já a receita de assinaturas exclusivamente digitais cresceu 15,1%, para 350 milhões de dólares no último trimestre, enquanto as receitas oriundas da publicidade digital avançaram 18,7%, para 94 milhões.
O Athletic, que foi adquirido pelo New York Times por 550 milhões de dólares em 2022, continua a gerar lucros para o grupo, tendo conseguido no último trimestre um lucro operacional ajustado de seis milhões de dólares.
Já a batalha judicial com a OpenAI por violação de direitos de autor — naquela que foi a primeira ação legal iniciada por um dos grandes meios de comunicação social norte-americanos contra as donas de plataformas de inteligência artificial — custou cerca de 3,5 milhões de dólares ao grupo.
Reuters
Já a agência Reuters News — um dos segmentos comerciais da Thomson Reuters — conseguiu um aumento de 7% nas suas receitas em relação ao ano anterior, para 218 milhões de dólares no trimestre.
De forma global, no conjunto das suas vertentes de negócio, a Thomson Reuters viu a sua receita crescer 3%, para 1,8 mil milhões, e o seu lucro aumentar 5%, para 678 milhões. A maior parte da receita do grupo advém da venda de serviços de informação para empresas e profissionais jurídicos e fiscais.
A IA tem desempenhado um importante papel nos negócios do grupo, tendo a Thomson Reuters lançado novos recursos de IA para os seus negócios tributários, jurídicos e de contabilidade, que automatizam diversas tarefas. A tecnologia de inteligência artificial generativa contribuiu com 22% para o valor dos contratos este trimestre, sete pontos percentuais acima dos 15% registados no final do ano passado.
News Corp
A dona do The Wall Street Journal, do New York Post e do News UK (editor dos jornais britânicos The Times e The Sun), viu a sua receita crescer apenas 1% no trimestre, para 2,1 mil milhões, com o lucro (EBITDA) a subir 5%, para 322 milhões.
O Dow Jones, divisão de notícias e informação financeira do grupo que engloba jornais como o The Wall Street Journal, a revista Barron’s ou o Financial News, aumentou o seu lucro em 10%, para 151 milhões de dólares. A contrabalançar este crescimento está a queda nos lucros da divisão de media de notícias sediada no Reino Unido e na Austrália, que viu o lucro cair 13%, para 28 milhões.
Ainda dentro da divisão de notícias e informação financeira, as assinaturas digitais cresceram 9% em relação ao ano anterior, para 5,7 milhões, destacando-se o Wall Street Journal, que responde por 4,1 milhões dos assinantes, e o Barron’s Group (1,4 milhões). Já a publicidade digital no Dow Jones cresceu a um ritmo mais lento, na ordem de 1%.
People Inc
A People Inc (ex-Dotdash Meredith), por seu turno, relatou um aumento de 1% nas receitas gerais do grupo, para 427 milhões de dólares no último trimestre, conseguindo que o lucro aumentasse numa percentagem superior, na ordem dos 5%, para 70 milhões.
A People Inc. publica seis das maiores marcas de revistas dos EUA, incluindo a People, Better Homes and Gardens, Southern Living e Real Simple. Tem ainda marcas exclusivamente online como a Allrecipes, Investopedia e Verywell.
O crescimento da sua receita digital fixou-se em 9%, anulando assim o declínio de 9% na receita impressa. Já a receita com publicidade cresceu 5% em relação ao ano anterior, principalmente devido a uma maior receita com “publicidade premium”, principalmente nas categorias de saúde e farmacêutica, tecnologia e viagens.
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