Tecnologia de coletes balísticos de têxtil nortenha conquista cliente dos EUA
Para além desta parceria com um cliente americano, a Axfilia está a investir cerca de meio milhão de euros para adaptar a produção ao setor da Defesa.
A têxtil Axfilia, que detém a Confeções Guadalupe, desenvolveu um sistema Thermocore Heat Dispersion para coletes balísticos, em parceria com a empresa americana Ace Link. O grupo têxtil nacional está a investir cerca de meio milhão de euros para adaptar a produção ao setor da Defesa.
“O cliente viu em Portugal potencial para o desenvolvimento de produto e pediu-nos para estudar o invólucro dos coletes balísticos”, explica ao ECO, Maria José Machado, administradora da Axfilia, acrescentado que o “intuito desta parceria com a ACE Link Armor — especialista nas placas balísticas — foi melhorar a performance do invólucro”.
O desafio foi “perceber como colocar o colete balístico mais ergonómico, mais leve e confortável, sem danificar a performance”, diz a gestora, destacando que “conseguiram cumprir todas as exigências da empresa americana”.
O desafio foi perceber como colocar o colete balístico mais ergonómico, mais leve e confortável, sem danificar a performance e conseguimos cumprir todas as exigências do cliente.
A tecnologia, que demorou cerca de um ano a ser desenvolvida, evita o stress térmico do utilizador. “Este colete balístico foi testado numa câmara climática com humanos em exercício físico intenso e as taxas de melhoria da gestão térmica, mesmo com esse efeito mais leve, aumentam drasticamente”, assegura a administradora.
Este sistema Thermocore Heat Dispersion para coletes balísticos foi premiado nos Professional Clothing Industry Association Worldwide (PCIAW) Summit Awards, que decorreu em Londres o mês passado, tendo a tecnologia conquistado o PCIAW Defence & Security PPE Innovation Award.

Para além desta tecnologia, a têxtil nortenha produz combat shirts para o mercado europeu. “As combat shirts são peças do vestuário de primeira e de segunda camada, que têm componente em malha principalmente, e que são utilizadas debaixo dos uniformes ou debaixo dos coletes balísticos”, explica Maria José Machado. Dependo da área onde é aplicado (militar ou policial), as combat shirts têm formatos e materiais diferentes.
Investimento de meio milhão para produção no setor de Defesa
Apesar de ainda não estar a trabalhar em força no setor da Defesa, a gestora prevê “no próximo ano ter uma quota de mercado ascendente” nesta área”. E, para isso, a Axfilia, que comprou em 2023 a Confeções Guadalupe, está a fazer um investimento de meio milhão de euros para adaptar produção para a Defesa, num período de três anos. Neste momento, já digitalizam o chão de fábrica, compraram alguns módulos e uma máquina de costura para estarem mais apetrechados para este setor.
“O investimento serve para a aquisição de máquinas e adaptação do projeto produtivo”, revela a administradora do grupo que integra a mini agenda da Defesa juntamente com o Centro Tecnológico Têxtil e Vestuário (Citeve), na parte das estruturas multiproteção.
A gestora explica que o “processo produtivo da área de têxtil tem que ser adaptado, desde o armazenamento de matérias-primas ao corte e confeção“. Maria José Machado realça ainda que “há matérias-primas que não podem apanhar o mínimo de luminosidade nem sequer de uma lâmpada incandescente, caso contrário perde as propriedades”.
Fundada em 2013 em Barcelos, a Axfilia começou por dedicar-se ao fabrico de malhas para áreas específicas, como vestuário corporativo, de trabalho e de proteção individual, mas quatro anos depois, a fundadora percebeu que a Defesa era uma oportunidade, com as primeiras combat shirts a chegarem aos militares suíços em 2017.
O grupo têxtil (Axfilia e a Confeções Guadalupe) produz anualmente meio milhão de peças, sendo que mais de 95% da produção tem como destino o mercado externo, essencialmente Alemanha, França e Países Baixos. Juntas, empregam 65 pessoas e faturam dez milhões de euros.
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