Primeiro-ministro polaco quer acelerar criação do “exército mais forte da Europa”
A Polónia lidera as despesas em defesa dos países da NATO face às percentagem dos respetivos PIB, um investimento acelerado desde o início da invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022.
O primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, declarou hoje, no seu discurso de Ano Novo, que pretende acelerar a criação do “exército mais forte da Europa”, com investimentos para revitalizar a indústria, incluindo o setor da defesa.
“Vamos acelerar a construção do exército mais forte da Europa. Vamos acelerar os grandes investimentos em infraestruturas”, disse Tusk, citado pela agência de notícias polaca PAP.
O chefe do Governo da Polónia, cuja lei orçamental para 2026 destina 4,81% do PIB à defesa — um valor recorde — referiu-se à realização de uma “intensa ‘repolonização’ e reconstrução da indústria, incluindo a defesa”.
A Polónia lidera as despesas em defesa dos países da NATO face às percentagem dos respetivos PIB, um investimento acelerado desde o início da invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022. O país faz fronteira com a Ucrânia e com a Rússia, através do enclave de Kaliningrado, e ainda com a Bielorrússia, principal aliado de Moscovo na Europa.
Além da defesa, Tusk também se focou na questão da segurança pública. O líder polaco e antigo presidente do Conselho Europeu anunciou “uma ofensiva contra criminosos de todos os tipos”, apontando líderes de claques radicais, traficantes de droga, políticos corruptos ou apoiantes pró-Rússia. “Sem exceção, todos aqueles que infringirem a lei vão arrepender-se amargamente no próximo ano”, ameaçou.
O político liberal e europeísta foi eleito em outubro de 2023 após uma tensa campanha, à frente de uma coligação de partidos de oposição para afastar os conservadores nacionalistas da Lei e Justiça (PiS) do poder que mantiveram oito anos consecutivos.
O chefe do executivo tem porém de lidar com a hostilidade política do Presidente da República, Karol Nawrocki, eleito no passado verão com o apoio do PiS, e que tem usado amplamente o seu poder de veto para travar medidas da coligação governamental.
Embora não questione o apoio financeiro e militar a Kiev para se defender da agressão russa, Nawrocki mostrou oposição à adesão da Ucrânia à NATO e a um eventual destacamento de militares polacos para o país vizinho.
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