Portalegre e Badajoz ligaram-se por tecnologia quântica de cibersegurança

Península Ibérica fez a primeira ligação transfronteiriça de códigos secretos de informação (de encriptação) por computação quântica. Por entre 65 quilómetros de fibra ótica, Elvas foi intermediária.

Portugal e Espanha tiveram um marco histórico na área da cibersegurança. Os dois países da Península Ibérica realizaram a primeira ligação transfronteiriça com distribuição quântica de chaves de encriptação, um processo que permite encriptar mensagens de forma mais segura. A transmissão ocorreu entre Portalegre e Badajoz e contou com um servidor em Elvas como intermediário, interligados através de 65 quilómetros de fibra ótica.

Por detrás desta tecnologia de distribuição quântica de chaves (QKD – Quantum Key Distribution) entre Portugal e Espanha estiveram a consultora Deloitte, o Instituto Português de Quântica (PQI – Portuguese Quantum Institute) e a tecnológica Warpcom em parceria com a Fundação para a Ciência e a Tecnologia e a IP Telecom.

O projeto do Portuguese Quantum Communication Infrastructure, cofinanciado por Bruxelas no âmbito da rede europeia EuroQCI, visa demonstrar como a computação quântica garante a confidencialidade das comunicações.

Ao contrário de outras áreas da computação, esta diz respeito à física e não à matemática. Na prática, esta sigla não é mais do que uma forma de criar e trocar chaves de encriptação (códigos secretos) utilizando partículas de luz (fótons), para que qualquer tentativa de espionagem altere essas partículas e seja imediatamente detetada. Ou seja, o método científico de confidencialidade faz com que qualquer intruso deixe marcas.

O plano é, depois desta demonstração entre Portugal e Espanha, aplicar a tecnologia em cenários reais, especialmente infraestruturas críticas, de organizações ibéricas e de outros países. “Esta comunicação quântica é pioneira e abre as portas para ligar Portugal à futura rede de comunicações quânticas europeia”, garante o professor académico Yasser Omar, presidente do PQI, instituto de investigação ligado ao Técnico.

Nesta primeira experiência, a Deloitte esteve a cargo da consultoria, a Warpcom da integração tecnológica e a FCT e a IP Telecom foram responsáveis por disponibilizar a infraestrutura de fibra ótica. “Apostar em tecnologias de segurança quântica é preparar o futuro da defesa, das finanças, da saúde e da administração pública, setores onde a segurança da informação é absolutamente crítica”, refere Bruno Gonçalves, manager da unidade de negócio de Cibersegurança na Warpcom, em comunicado enviado ao ECO.

Na opinião do responsável de quântica na Deloitte, este projeto “marca um importante avanço tecnológico, para que num futuro próximo possamos garantir a segurança dos dados globais” com base nesta tecnologia. “A Deloitte está já a desenvolver soluções de comunicação segura, com tecnologia quântica e criptografia pós-quântica, para aumentar a segurança da informação dos nossos clientes”, garante o associate partner Mário Caldeira.

Os especialistas consideram que os métodos tradicionais de proteção de dados são mais vulneráveis aos novos tipos de ciberataques, portanto a resposta às ameaças passa pela implementação de sistemas QKD. “A natureza física impede que as chaves possam ser intercetadas sem que tal seja imediatamente detetado”, explicam, acrescentando que esta demonstração ibérica representa mais uma etapa na operacionalização de redes quantum-safe (seguras na computação quântica), que combinam a distribuição de chaves por via quântica com a integração em sistemas de cibersegurança convencionais.

Em 2021, a Warpcom e a IP Telecom também estiveram por detrás da primeira rede quântica de longa distância em Portugal. A linha de fibra ótica, com mais de 20 quilómetros, uniu dois centros de dados entre Lisboa e Almada para transmissão de informação encriptada através de chaves quânticas.

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