Europa quer reforçar produção de drones e usar redes 5G para detetar ameaças
Bruxelas quer mobilizar 400 milhões para a compra de drones para os Estados-membros e propõe a organização de um exercício anual de combate aos drones em grande escala na UE.
A Comissão Europeia apresentou o seu plano de ação para combater as ameaças crescentes que os drones representam para a segurança da União Europeia (UE). Promover o crescimento da produção de drones na região, melhorar o sistema de deteção, usando para isso as redes 5G, e um projeto-piloto para melhorar a vigilância marítima são algumas das iniciativas propostas. Bruxelas quer mobilizar 400 milhões para a compra de drones para os Estados-membros.
“Com o lançamento deste plano de ação, estamos a transformar o conceito de ‘Muro do Dragão’ de uma visão política numa realidade industrial. Para alcançar uma verdadeira prontidão em matéria de defesa, a Europa deve ser capaz de proteger as suas fronteiras e locais críticos com um escudo sofisticado e multifacetado que possa detetar e neutralizar qualquer ameaça em tempo real”, Andrius Kubilius, comissário da Defesa e Espaço, citado em comunicado.
“A Comissão está a desenvolver uma série de instrumentos para a indústria e os Estados-Membros desenvolverem e adquirirem capacidades de defesa contra drones e antidrones na Europa. Tal inclui a iniciativa Eastern Flank Watch e a Iniciativa Europeia de Defesa contra Drones. Ao colmatar o fosso entre a tecnologia civil inovadora e os requisitos militares, estamos a garantir que a nossa indústria da defesa possa produzir estes sistemas essenciais à escala e à velocidade necessárias para manter a Europa segura e tecnologicamente soberana”, refere ainda.
Para aumentar a produção industrial de drones a nível europeu, vai mobilizar 400 milhões de euros para “apoiar os Estados-membros” na compra destes dispositivos.

400 milhões para tecnologia de drones e antidrones
O plano tem como ambição proteger a região dos ataques de drones que têm sido usados para perturbar voos civis ou atacar infraestruturas na área de energia, por exemplo, pondo em causa a segurança dos Estados-Membros, e, ao mesmo tempo, servir como alavanca para o desenvolvimento de um mercado europeu de drones, gerando emprego. Só do lado comercial e civil, estima-se que o segmento de drones valha cerca de 14,5 mil milhões de euros até 2030 e que, até 2033, esse valor supere os 50 mil milhões de euros, aponta a Comissão Europeia no relatório “Action Plan on Drone and Counter Drone Security”.
Aumentar a produção europeia de drones está nos objetivos deste plano, o que requer mobilizar o nível certo de investimento privado e público tanto a nível nacional como europeu, tanto do lado civil como militar.
“Os drones trazem enormes benefícios económicos e reforçam significativamente a segurança da UE. Ao mesmo tempo, esta tecnologia está frequentemente a ser mal utilizada a baixo custo e com elevado impacto. Com o plano de ação hoje apresentado, temos mais flechas na nossa aljava para combater as ameaças à nossa segurança e utilizar esta tecnologia como uma vantagem, nomeadamente através do lançamento de um novo centro de excelência de combate aos drones, da criação de uma plataforma de incidentes de drones da UE e da despesa de 400 milhões de euros em tecnologia de drones e de combate aos drones“, adianta Magnus Brunner, comissário da Administração Interna e Migração, citado em comunicado.
Deste bolo, “150 milhões vão ser destinados à segurança das fronteiras, à aquisição de equipamento de vigilância, que servirá não apenas para uso individual dos Estados-membros, mas também para operações conjuntas lideradas pela Frontex. Os restantes 250 milhões vão servir para comprar diretamente sistemas de drones”, indicou em conferência de imprensa.
Saber onde investir
Uma série de programas europeus apoiam o desenvolvimento de drones e capacidades antidrone, como é o caso do programa Horizonte Europa ou o Fundo Europeu de Defesa, tendo sido criados aceleradores e realizados hackathons para impulsionar a produção no setor no âmbito da defesa. Até o momento, um total de mil milhões de euros do Fundo Europeu de Defesa (FED) foram destinados a ações de pesquisa e desenvolvimento relacionadas a drones e, nos próximos dois anos, a UE planeia continuar a investir em drones e tecnologias antidrone com 200 milhões de euros previstos no âmbito do FED, pode ler-se na proposta.
“No entanto, existe uma necessidade urgente de aumentar a coerência e o impacto entre os diferentes instrumentos da UE, incluindo os fundos de coesão, bem como os investimentos nacionais, com vista a evitar sobreposições, reduzir a dispersão dos fundos e maximizar o impacto nas prioridades claras”, considera a Comissão Europeia. Tendo para isso proposto um novo quadro coordenado para impulsionar o desenvolvimento tecnológico e a produção de drones e sistemas antidrone.
A UE tem de focar o seu investimento onde realmente faz a diferença. Por isso, a “Comissão iniciará, em conjunto com os Estados-Membros, um mapeamento industrial civil-militar, concebido para definir as prioridades adequadas em termos de tecnologias e capacidades. Este mapeamento orientará os investimentos no desenvolvimento de tecnologias, a sua integração em drones e sistemas antidrone, bem como o necessário aumento da produção industrial”.

E tem de acelerar a implementação de soluções inovadoras no terreno. Para isso, a Comissão propõe que “quaisquer obstáculos à realização de testes com tecnologias inovadoras de drones e antidrones em áreas especificamente designadas e sob um quadro temporário e controlado estabelecido por um Estado-Membro ou pela EASA [Agência da União Europeia para a Segurança da Aviação] devem ser removidos.” E ainda “pretende reforçar uma rede de centros multinacionais de testes e especialização em drones nos Estados-Membros, criados para testar, demonstrar, validar e qualificar sistemas militares ou de dupla utilização nos seus ambientes operacionais específicos, como o Centro de Experimentação de Segurança do Leito Marinho (SEASEC)”, entre outras medidas.
Até ao terceiro trimestre de 2026, a Comissão vai propor um “Drone Security Package” [Pacote de Segurança de Drones] para “rapidamente adaptar o quadro regulamentar para novas ameaças à segurança”, o que passa por assegurar o registo mandatório de operadores de drones (acima de 100g), por exemplo.
Antes disso, no segundo trimestre de 2026 lançar “um hackathon dedicado às ameaças dos balões, para que a indústria e a comunidade de startups proponham soluções inovadoras”. Nos planos está ainda avançar, até o quarto trimestre de 2026, com uma marca UE para drones, para reforçar a confiança dos drones civis que chegam ao mercado.
Usar rede 5G para deteção de drones
A deteção das ameaças é um dos pilares da proposta, estando a UE a trabalhar em vários níveis. Para o efeito, “o plano de ação prevê medidas que apoiarão a emergência de sistemas únicos de visualização de ar, integrando todos os dados pertinentes para identificar drones legítimos e explorando, em conjunto com os Estados-Membros, a criação progressiva de uma plataforma de incidentes com drones”, informa a Comissão em comunicado.
Até 2027, a Comissão pretende ainda lançar um piloto para melhorar a vigilância da fronteira marítima dos drones submersos e de superfície. Mas também quer recorrer à infraestrutura de telecomunicações, em concreto a rede 5G, para ampliar as capacidades de deteção e monitorização deste tipo de equipamento. “A fim de apoiar a implantação rápida e a deteção em direto com base na tecnologia 5G, a Comissão lançará um convite à manifestação de interesse para os Estados-Membros e a indústria”, refere comunicado.
No âmbito desta proposta, a Comissão lançará um convite aos países interessados “para que unam forças na contratação pública e na implantação de sistemas de combate aos drones” e irá apoiar “o desenvolvimento de sistemas europeus soberanos de ‘comando e controlo’ baseados na IA”.
Irá ainda estudar a “possibilidade de criar equipas de resposta rápida a situações de emergência em matéria de combate aos drones para uma maior solidariedade entre os Estados-Membros”.
A Comissão propõe igualmente a organização de um exercício anual de combate aos drones em grande escala na UE, a fim de testar a cooperação transfronteiriça e as sinergias civis e militares.
Conheça a proposta aqui:
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