Estónia quer comprar drones da Tekever

A Estónia é o mais recente país onde a tecnológica nacional abriu escritório. O país tem em curso um processo de contratação pública.

A Estónia está a equacionar a compra de drones à empresa portuguesa Tekever, tendo a decorrer um processo público de aquisição, revelou o ministro da Defesa da Estónia, Hanno Pevkur.

Escolha o ECO como fonte preferida no Google

Escolher

“Temos tido cada vez mais cooperação [com Portugal] e também, por exemplo, com a indústria de defesa portuguesa”, aponta o governante quando questionado pelo ECO/eRadar sobre a relação industrial entre os dois países no setor de defesa, à margem da passagem de testemunho para a Turquia da missão portuguesa no país Báltico no âmbito da Nato. Portugal durante quatro meses teve um contingente de cerca de 95 militares e quatro F-16 a prestar missão na Estónia.

O que os dois países podem fazer “no domínio naval”, mas também na área dos drones. “Há uma empresa portuguesa, a Tekever, que está muito ativa não só na Estónia, mas também no Reino Unido e em muitos outros países. A empresa tem mantido um contacto muito próximo com as nossas Forças Armadas. Este é apenas um exemplo, mas há muitas outras empresas que também estão a cooperar”, referiu.

E quando questionado sobre se equaciona comprar drones da Tekever, Hanno Pevkur responde: “Estamos nesse processo. Está a decorrer um procedimento de contratação pública. Portanto, sim, essa possibilidade existe. No entanto, naturalmente, não posso confirmar isso hoje, precisamente porque se trata de um procedimento de contratação pública”, disse.

A Estónia é o mais recente país onde o fabricante de drones nacionais abriu escritório.

Ameaça russa: “os próximos oito meses serão bastante difíceis”

Com a Rússia à porta de casa, a Estónia tem vindo a reforçar as suas capacidades de defesa e também industriais. “A indústria da defesa está a crescer muito rapidamente, também na Estónia. Há cinco anos tínhamos cerca de 50 empresas do setor da defesa, hoje temos perto de 250. Portanto, estamos a crescer, Portugal está a crescer, e é exatamente disso que precisamos, porque estamos a investir mais dinheiro dos contribuintes. E, quando investimos mais dinheiro dos contribuintes, precisamos igualmente de uma indústria capaz de fornecer aquilo de que necessitamos”, aponta.

“Estamos a reforçar muito rapidamente as nossas capacidades militares. Aumentámos a despesa com a defesa para mais de 5% do PIB na componente central da defesa, em todos os domínios: aéreo, marítimo e terrestre. Temos novas capacidades, mas isso não significa que deixemos de precisar dos nossos aliados”, continua.

“A Rússia não interrompeu a reforma das suas Forças Armadas. Apesar de estar a conduzir uma guerra de agressão em larga escala contra a Ucrânia, continua a reformar e a reconstruir o seu exército. Está a deslocar para a nossa vizinhança mais do dobro do efetivo militar, mais do dobro do equipamento, entre outros meios. Ou seja, está a reforçar as suas capacidades militares e nós temos de responder a isso”, refere.

“Para responder, temos de ser muito claros na nossa mensagem e nas ações que tomamos. Uma dessas ações é a transição das missões de policiamento aéreo para missões de defesa aérea. Isso envia uma mensagem clara à Rússia: estamos unidos e defenderemos cada centímetro do território da NATO”, destacou.

E foi nesse reforço e nessa mensagem que a participou o destacamento de Portugal no país. Durante os quatro meses de missão no território, no âmbito da missão NATO os pilotos da Força Aérea realizaram mais de 500 horas de voo, fizeram mais de 25 interceções de aeronaves russas e realizaram mais de 50 missões de apoio próximo com os países aliados NATO em missão como Reino Unido, França e Canadá.

“A Rússia enfrenta sérias dificuldades internas. A Rússia está a arder, não apenas no sentido literal, mas também em sentido figurado. Enfrenta dificuldades na Ucrânia, no campo de batalha. Mas temos de manter essa pressão e continuar a ajudar a Ucrânia a lutar pela sua liberdade”, continua o ministro da Defesa da Estónia.

“Relativamente à nossa região, compreendemos claramente que os próximos oito meses serão bastante difíceis, porque muitos de nós teremos eleições. Haverá eleições na Suécia, na Finlândia, na Letónia e na Estónia. Além disso, a França realizará eleições presidenciais. Perante este contexto, compreendemos que a Rússia não se concentra apenas nas ações militares, mas também nas ações híbridas”, alerta o responsável.

“Influenciar ou tentar condicionar eleições faz parte, digamos, da sua caixa de ferramentas. É, por isso, que temos de permanecer muito vigilantes”, refere ainda.

“O destacamento e o desdobramento das forças aqui demonstram claramente que, tal como é importante manter fechada a porta da frente, isso tem exatamente a mesma importância para Portugal”, disse.

*O ECO/eRadar viajou à Estónia a convite do Ministério da Defesa

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Estónia quer comprar drones da Tekever

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião