Teerão contraria Trump e diz manter controlo sobre Ormuz
Trump disse na quarta-feira que os Estados Unidos tinham o controlo total do estreito de Ormuz e que se iam manter nessa posição.
Um dirigente iraniano garantiu hoje que o Irão mantém a gestão do estreito de Ormuz, um dia depois de o Presidente dos Estados Unidos ter reivindicado o controlo norte-americano da via marítima estratégica.
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Donald Trump disse na quarta-feira que os Estados Unidos tinham o controlo total do estreito de Ormuz e que se iam manter nessa posição.
“Hoje, vê-se que o estreito de Ormuz está sob a gestão e o controlo da República Islâmica, e que o nosso país prossegue a sua trajetória com toda a segurança”, declarou o chefe das forças paramilitares Basij, Hossein Taeb.
Na prática, o estreito estratégico para o comércio mundial de petróleo está bloqueado pelo Irão, enquanto os Estados Unidos impõem um bloqueio aos portos iranianos.
Hossein Taeb, cujas declarações foram divulgadas pela televisão estatal iraniana e citadas pela agência France-Presse (AFP), foi nomeado chefe das Basij na segunda-feira pelo líder supremo, Mojtaba Khamenei. Substituiu o anterior comandante, general Gholamreza Soleimani, morto em março em ataques dos Estados Unidos e de Israel.
Afiliadas aos Guardas da Revolução, a poderosa força armada da República Islâmica, as milícias Basij foram criadas em 1979, como um corpo paramilitar de voluntários, e exercem um grande controlo na sociedade iraniana. Contam com quatro milhões de membros espalhados por escolas, universidades, fábricas, repartições públicas ou mesquitas.
Taeb já tinha ocupado comandado as milícias entre 2007 e 2009, quando assumiu a chefia da unidade de informações da Guarda Revolucionária, de acordo com a agência russa TASS. As milícias chefiadas por Taeb desempenharam um papel preponderante na repressão das manifestações de protesto após as eleições presidenciais de 2009.
No decreto, Khamenei instruiu Taeb a “fortalecer a rede popular de informações” e a um maior uso das novas tecnologias para uma resposta “com base no povo” às ameaças inimigas, de acordo com a plataforma de notícias Iran International, com sede em Londres.
Os Estados Unidos e o Irão retomaram as hostilidades no início de julho, quando colapsou o protocolo de acordo concluído em junho para pôr fim de forma duradoura à guerra no Médio Oriente.
Os ataques diminuíram entretanto de intensidade, com Trump a assegurar que estavam em curso negociações com o Irão, o que Teerão desmentiu.
O regime iraniano afirmou que estava apenas a conversar com Omã sobre um futuro itinerário para atravessar o estreito de Ormuz, cujo bloqueio tem perturbado os mercados de energia a nível global.
A guerra foi desencadeada pelos Estados Unidos e por Israel, quando lançaram uma ofensiva conjunta contra o Irão em 28 de fevereiro, apesar de na altura decorrerem negociações entre Washington e Teerão sobre o programa nuclear iraniano.
O Irão respondeu com o bloqueio do estreito de Ormuz e com ataques contra interesses e bases norte-americanas nos países da região, o que fez alargar a guerra a nível regional.
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