“Palácio do Manteigueiro estava referenciado no Revive, mas não estava em mercado”, diz presidente do Turismo de Portugal, Carlos Abade

O Revive já tem mais de 60 imóveis. O último a ser inaugurado foi em São João da Madeira. Há um quinto, em soft opening, que é de Arouca. Para o próximo ano deverão ser colocados mais oito no mercado.

O Programa Revive já tem mais de 60 imóveis. O mais recente foi inaugurado em São João da Madeira e o Mosteiro de Arouca já está em soft opening. Mas a antiga sede do Ministério da Economia, na Horta Seca, o Palácio do Manteigueiro, “estava referenciado no Programa Revive, como muitos outros, aliás, mais de 60 imóveis”, mas “não estava em mercado”, revela o presidente do Turismo de Portugal, Carlos Abade, no ECO dos Fundos, o podcast quinzenal do ECO sobre fundos europeus. Razão pela qual não havia propostas para este imóvel, numa das zonas mais nobres de Lisboa.

“A colocação deste tipo de imóveis obedece a um conjunto de critérios. No caso do Manteigueiro, aquilo que se entendeu foi que ele deveria não estar ao nível do Programa Revive por ter utilizações”, explicou Carlos Abade, sublinhando que estes imóveis “só vão para o mercado quando estão em posição de ir”.

A CIP, liderada por Armindo Monteiro, sugeriu ao Executivo mudar a sua sede para o imóvel onde estava o Ministério da Economia. A 11 de novembro, fonte oficial do Ministério liderado por Miguel Pinto Luz disse ao ECO que o acordo entre o Governo e a CIP para esta utilizar a antiga sede do Ministério da Economia ia passar pelo arrendamento do espaço ou a cedência do direto de superfície e não pela venda do imóvel. Mas, a 10 de dezembro, o mesmo ministério garantiu que não deu luz verde à cedência do antigo Ministério da Economia, na Horta Seca, à Confederação Empresarial de Portugal (CIP) para esta lá instalar a sua sede.

Qual o ponto de situação de como é que o programa Revive está a decorrer?

O programa já tem mais de 60 imóveis. Inaugurámos um em São João da Madeira, que foi o quarto imóvel totalmente reconstruído. Temos um quinto, já numa fase de soft opening, que é de Arouca, que fará cinco imóveis.

Ficará completamente aberto ainda este ano ou só no próximo?

Acho que só será no início do próximo ano, mas do ponto de vista de investimento propriamente dito, está concluído. O que significa que teremos cinco imóveis do Revive, que são mais cinco do que antes do programa Revive existir.

E é importante dar nota disto porque estes projetos demoram sempre algum tempo, porque têm uma dimensão de intervenção em património cultural que é particularmente importante e isso tem de ser feito em articulação com o Ministério da Cultura, com todas as entidades da cultura, para garantir que é preservado.

E que o fim último que o Revive prevê, que é voltar a dar aquele imóvel às populações, agora sob a forma do hotel, não prejudica aquilo que é a sua dimensão cultural. E isso implica, naturalmente, toda a preparação dos projetos de arquitetura, de especialidade, para que depois, então, se possa avançar para o investimento.

No próximo ano, tem a expectativa de abrir mais quantos?

Bom, não iria adiantar o número, vamos com certeza abrir mais.

Este é um processo particularmente positivo. Veja o caso de Vila do Conde, do Hotel Lince; do Mosteiro de Santa Clara a Nova; do Mosteiro de Arouca, que brevemente estará também concluído; ou mesmo este em São João da Madeira e vai perceber que este tipo de investimento de dimensão tem um efeito muito positivo do ponto de vista da âncora de desenvolvimento local.

Se tivermos a capacidade de, ao longo do país, conseguirmos desenvolver vários projetos Revive, tudo aquilo que vai ter de dinâmica para as economias locais é tremendo.

Há seguramente mais de oito projetos que estão em condições de ir para o mercado. Mas irão para o mercado no seu tempo devido. Espero que durante o ano de 2026 consigamos desenvolver esses projetos.

É o efeito de coesão.

Exatamente. O Programa Revive é absolutamente extraordinário para a coesão. Porque cada unidade deste género, que aproveita um monumento nacional, ou imóvel de interesse público, que estava degradado, sem utilização, normalmente com uma capacidade expressiva, vai ter um impacto transversal em toda a dimensão da economia local e às vezes regional.

É isso que precisamos para poder fazer mexer os territórios de baixa densidade. É por isso que o turismo é muito importante para o país: pela capacidade que tem de levar poder de comprar a esses territórios, fixar empresas e pessoas.

Por que razão o Palácio do Manteigueiro, a antiga sede do Ministério da Economia, na Horta Seca, foi retirado do Programa Revive? Não havia interessados nesse imóvel numa zona nobre da cidade de Lisboa?

A colocação deste tipo de imóveis obedece a um conjunto de critérios. No caso do Manteigueiro, aquilo que se entendeu foi que ele deveria não estar ao nível do Programa Revive por ter utilizações. Nós tratamos de imóveis que não têm utilização, que estão desocupados, que estão abandonados, que estão em ruínas.

É isso que é o nosso foco. O nosso foco não é tratar daqueles que já estão tratados. Os que não estão tratados, nós tratamos. É esse o nosso objetivo. É pegar imóveis como aquele em São João da Madeira, que estava completamente abandonado.

Mas o Palácio do Manteigueiro estava no Revive. A partir do momento em que o Ministério da Economia passou para o Campus XXI ficou desocupado. Existe agora esta possibilidade de uma utilização alternativa por parte da CIP?

Sim, a partir do momento em que haja uma ocupação do imóvel, já não faz sentido.

Mas a partir do momento em que se percebeu que aquele palácio ia integrar o Revive, não choveram propostas?

Não, porque os imóveis só vão para o mercado quando estão todos tratados. Ou seja, quando nós, em articulação com a Cultura, com as Finanças, com a Administração Interna, se for o caso, só nessa altura é que ele para o mercado. E não estava em mercado.

Estava referenciado no Programa Revive, como muitos outros, aliás, mais de 60 imóveis, mas só vão para o mercado quando estão em posição de ir.

Neste momento, quantos estão em posição de ir para o mercado?

Neste momento, não tenho os números comigo. Sei que há vários. Há seguramente mais de oito projetos que estão em condições de ir para o mercado. Mas irão para o mercado no seu tempo devido. Espero que durante o ano de 2026 consigamos desenvolver esses projetos.

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