Opinião +M
A rádio é como o bicho que eu mais abomino na Terra: a barata. Tem antenas, é muito difícil de esmagar e sobrevive às maiores ameaças. A rádio sobrevive, porque se reajusta.
A rádio é uma fábrica de consistência. Porque tem regularidade, tem humanidade e tem contexto. Quando entretém, está a criar relação. Quando informa, está a reforçar credibilidade.
Comunicar não é vaidade. É estratégia. As empresas que partilham o seu percurso ganham reputação, atraem talento, reforçam a confiança dos clientes e criam vantagem competitiva.
Para os diretores de marketing, a questão não é se a IA deve ser usada. Claro que deve. A questão é quem continua a ter a coragem de introduzir o desvio humano no processo. A imperfeição.
No fim, a atenção é o ativo mais escasso da economia mediática. E, quando o centro cultural se desloca, o maior palco do mundo não anuncia a mudança, legitima‑a.
O storytelling importa. A vitória de Seguro mostra que ainda há espaço para narrativas que não tratam o povo como uma plateia enfurecida, mas como coautor de um projeto comum.
A perseguição aos jotas afastou pessoas com talento, sem paciência para títulos insidiosos e com melhores coisas para fazer na vida.
Comunicar hoje é aceitar a complexidade. É testar, ajustar, ouvir e aprender. Num mundo ruidoso, o verdadeiro desafio não é falar mais alto, mas falar melhor.
Num mercado saturado de mensagens, não vence quem comunica mais. Vence quem comunica melhor, de forma mais relevante e mais humana, mesmo quando se usa IA.
Mudar é ouvir melhor. É questionar o que sempre fizemos. É reconhecer que os consumidores de hoje são informados, exigentes e conscientes do impacto das suas escolhas.
O bom eleitor é aquele que entra na cabine com dúvidas, escolhe apesar delas e sai decidido a vigiar. Sabe que não há candidatos perfeitos, mas há escolhas melhores do que outras.
As nossas marcas continuam a ter pouco alcance global. Falta-lhes visão, ambição ou investimento avultados em marketing, como faz a Red Bull.
O comércio eletrónico está a entrar na idade da consciência. E talvez seja este o seu maior feito: ter reinventado o ato de comprar, transformando-o numa escolha, cada vez mais pessoal e sustentável.
Se as marcas fossem realmente irrelevantes, não falaríamos tanto delas. Nem as criticaríamos com tanta veemência. Nem tentaríamos imitá-las com tanto empenho.
As marcas que ficam não são as que prometem mais. São as que sabem “ler a sala” melhor - e dar palco ao que realmente importa.
O valor dos dados no marketing não está em saber quantas campanhas correram bem. Está em questionar, antecipar e decidir o que fazer antes do concorrente acordar. E isto não é filosofia. É analítica.
As marcas têm, hoje, mais voz do que muitas instituições. A liberdade criativa, quando usada com empatia, é mais do que um ativo. É uma assinatura, é o que torna uma marca impossível de ignorar.
2026 já avisou que não vai ser um ano fácil. Os problemas, as más notícias e as situações que parecem não ter solução são lenha para a fogueira da criatividade.
Os emojis têm múltiplos significados para além do que foi pretendido ou da forma como são rotulados, e a sua utilização pode ser muito subjetiva.
O caso da Dentsu não deve ser visto como um fracasso, porque não o é, nem como um aviso apocalíptico. Deve ser utilizado como um espelho de uma indústria que precisa de reencontrar a sua relevância.
Esta não foi uma campanha decidida por cartazes, tempos de antena ou frases de efeito. Foi uma campanha de escrutínio narrativo. Algumas histórias revelaram-se simplesmente mais ajustadas ao momento.
A campanha transformou-se num espelho do nosso tempo político: muito barulho, pouca substância e uma comunicação que, em vez de esclarecer, confunde. O maior risco não é quem vence, mas a banalização.
A campanha foi, no essencial, medíocre e lamacenta. Quando o voto é volátil, a decisão não será um “sim” entusiasmado, antes um “vá lá” resignado.
Imigração não é um problema de comunicação. É um problema de falta dela, clara, honesta e baseada em factos.
O maior risco para o marketing europeu em 2026 não é errar, é continuar a fazer pouco e demasiado tarde.
O problema nunca foi existir quem fale no registo do choque, isso é legítimo numa democracia plural. O problema é o país acreditar que esse é o único registo possível.