Opinião +M
Existe uma necessidade de visão integrada e transversal de audiências. O consumo é fluído, o acesso aos conteúdos é fluído e continuamos a medir em silos!
Falamos muito sobre a batalha pela atenção. Talvez no retalho exista uma oportunidade ainda maior: a batalha pela imaginação.
Há uma frase atribuída a Shackleton a que regresso muitas vezes. Não diz que as dificuldades são pequenas. Não promete que tudo vai correr bem. Apenas recusa dar-lhes a última palavra.
Ter a comunicação à mesa não chega se não houver espaço para discordar. Quando se espera apenas que valide o que foi decidido, a sua presença torna-se decorativa.
Pedi ajuda ao Ricardo Costa e perguntei: e tu, Ricardo, também pensas que o aparelho de TV pode estar a deixar de ser uma janela para o mundo para se transformar num espelho dos nossos interesses?
O satélite pode transportar os conteúdos. Não traz consigo os direitos, as marcas e a relação com o público.
O leitor recebe entusiasmo comercial em formato de notícia e quem construiu a marca entra na festa como patrocinador involuntário.
A verdadeira maturidade passa por reconhecer uma coisa bastante simples: o acesso ao poder é sempre temporário, enquanto a reputação é cumulativa.
A idade é um argumento extraordinariamente conveniente. Serve para desvalorizar quem já cá estava e para desresponsabilizar quem acabou de chegar.
A derrota da vontade começa precisamente aí: não quando o poder se impõe pela violência, mas quando a vontade crítica abdica voluntariamente. Quando a emoção substitui o juízo.
Durante anos, a tecnologia empurrou os media para uma obsessão pela escala. Agora, a própria tecnologia está a obrigá-los a regressar ao essencial.
O nosso trabalho, enquanto marcas, comunicadores e agências, não é ensiná-los a participar como nós participamos. É perceber como querem participar — e criar espaço para que isso aconteça.
Não é o consumidor que tem de mudar. Em ambientes de baixa confiança, o marketing não pode limitar-se a criar notoriedade ou desejo. Tem de reduzir incerteza.
Se todas as marcas são autênticas, têm propósito, querem gerar impacto e dizem-se inovadoras, torna-se inevitável questionar se o que dizem ainda tem significado.
Quantas decisões poderiam ter um impacto maior se tivéssemos criado espaço para refletir? Frequentemente confundida com incapacidade, a pausa pode ser um momento de grande aprendizagem.
Sustentabilidade não deve ser uma promessa vaga. Deve ser algo que se consegue provar.
Uma ferramenta que acelera também amplifica. Quando existe clareza, amplifica clareza. Quando existe ruído, amplifica ruído. É por isso que a IA não substitui estratégia.
A IA amplifica e acelera aquilo que lhe damos. Isso é extraordinário quando existem conhecimento, contexto e critérios. E bastante menos extraordinário quando tal não se verifica.
Não tenho dúvidas que o próximo grande desafio do marketing não é conseguir mais atenção, mas antes conseguir melhor atenção: mais relevante, significativa e capaz de criar valor sustentável.
O treatment nasceu para responder a uma pergunta: "Como faria este filme?" Talvez, sem nos apercebermos, tenhamos começado a premiar quem melhor responde a outra: "Como apresento esta resposta?"
Nas marcas como na vida, escolher um caminho é abrir mão de outros, mas é também a única forma de chegarmos verdadeiramente a algum lugar.
O que permanece é a curiosidade, a capacidade de aprender e a abertura para questionar aquilo que sempre fizemos. A tecnologia muda. A adaptabilidade permanece.
Há momentos em que um murro na mesa é mais útil do que outra conversa sobre alinhamento. E isto vale para a liderança, mas também para os filhos, os amigos e a família.
A facilidade extraordinária com que hoje conseguimos obter respostas está a criar uma perigosa ilusão, a de que produzir uma resposta é o mesmo que saber. E não é, pois não?
O valor nunca esteve no objeto. Sempre esteve na história. As pessoas não se apaixonam por inovação. Apaixonam-se pelo significado que essa inovação ganha nas suas vidas.
Um mercado que reduz sistematicamente o espaço disponível para experimentar novos produtos está, sem perceber, a reduzir a sua própria capacidade futura de inovar.