Opinião +M
As nossas marcas continuam a ter pouco alcance global. Falta-lhes visão, ambição ou investimento avultados em marketing, como faz a Red Bull.
O comércio eletrónico está a entrar na idade da consciência. E talvez seja este o seu maior feito: ter reinventado o ato de comprar, transformando-o numa escolha, cada vez mais pessoal e sustentável.
Se as marcas fossem realmente irrelevantes, não falaríamos tanto delas. Nem as criticaríamos com tanta veemência. Nem tentaríamos imitá-las com tanto empenho.
As marcas que ficam não são as que prometem mais. São as que sabem “ler a sala” melhor - e dar palco ao que realmente importa.
O valor dos dados no marketing não está em saber quantas campanhas correram bem. Está em questionar, antecipar e decidir o que fazer antes do concorrente acordar. E isto não é filosofia. É analítica.
As marcas têm, hoje, mais voz do que muitas instituições. A liberdade criativa, quando usada com empatia, é mais do que um ativo. É uma assinatura, é o que torna uma marca impossível de ignorar.
2026 já avisou que não vai ser um ano fácil. Os problemas, as más notícias e as situações que parecem não ter solução são lenha para a fogueira da criatividade.
Os emojis têm múltiplos significados para além do que foi pretendido ou da forma como são rotulados, e a sua utilização pode ser muito subjetiva.
O caso da Dentsu não deve ser visto como um fracasso, porque não o é, nem como um aviso apocalíptico. Deve ser utilizado como um espelho de uma indústria que precisa de reencontrar a sua relevância.
Esta não foi uma campanha decidida por cartazes, tempos de antena ou frases de efeito. Foi uma campanha de escrutínio narrativo. Algumas histórias revelaram-se simplesmente mais ajustadas ao momento.
A campanha transformou-se num espelho do nosso tempo político: muito barulho, pouca substância e uma comunicação que, em vez de esclarecer, confunde. O maior risco não é quem vence, mas a banalização.
A campanha foi, no essencial, medíocre e lamacenta. Quando o voto é volátil, a decisão não será um “sim” entusiasmado, antes um “vá lá” resignado.
Imigração não é um problema de comunicação. É um problema de falta dela, clara, honesta e baseada em factos.
O maior risco para o marketing europeu em 2026 não é errar, é continuar a fazer pouco e demasiado tarde.
O problema nunca foi existir quem fale no registo do choque, isso é legítimo numa democracia plural. O problema é o país acreditar que esse é o único registo possível.
Em campanhas presidenciais, a primeira volta é muitas vezes a fase dos ensaios. O espetáculo a sério começa quando os dois que ganharam o direto de seguir perceberem que, afinal, podem tudo perder.
A gestão das nano-mini-micro tende ao informalismo, à facilidade (muitas vezes para responder ao desespero), não potencia melhorias de práticas nem de serviço.
Product placement, branded content e parcerias editoriais são as novas moedas de atenção. O desafio não é apenas ser visto, mas ser relevante dentro de um fluxo de consumo cada vez mais seletivo.
Num espaço que se quer informativo, o comentário fácil e polarizador rende mais do que a reflexão ponderada. Cabe-nos a nós não cair na armadilha.
Emoção sem tese cansa. Craft sem intenção é fetiche. IA sem assinatura torna-se ruído. Prova social sem criatividade reduz-se a catálogo. O Natal passa, mas a memória de marca permanece ou desaparece.
Venha 2026, venha uma economia forte, venha estabilidade e venham marcas muito bem trabalhadas. Se puder desejar ainda que sejam marcas portuguesas, melhor. Bom ano a todos os das marcas!
Não há promoção que salve uma marca incoerente. O consumidor observa, compara, valida e decide com uma racionalidade que convive com fatores emocionais igualmente cruciais: confiança e familiaridade.
Uma imagem renovada, mais do que um ponto de viragem estratégico, abre as portas para um leque de oportunidades: um novo rumo, uma nova proposta de valor, um novo conceito e um novo público.
Há algo de profundamente libertador no momento em que tudo abranda. Quando os pedidos param de entrar. Quando os alertas se calam. Quando a agenda já não tem mais nada para encaixar.
Num mundo saturado de filtros, edições e expectativas inalcançáveis, é refrescante ver campanhas que se aproximam do que realmente somos. Talvez este seja o verdadeiro espírito natalício.
No fundo, quem admiramos diz muito sobre quem somos. Admirar é escolher um espelho: cada pessoa admirada devolve-nos aquilo que valorizamos - generosidade, criatividade, disciplina, empatia.