Opinião +M
As marcas que dependem de plataformas tornam-se mais vulneráveis, enquanto aquelas que escutam e compreendem pessoas tornam-se indispensáveis. Foi sempre sobre atenção, contexto e ligação.
O Millennium Estoril Open não é um caso à parte por magia, nem sequer por ter ténis. É um caso à parte porque trata a hospitalidade como estratégia e não como logística.
Durante demasiado tempo falámos de marcas como ativos, notoriedade, diferenciação ou performance. Tudo isso continua a ser importante. Mas talvez nos tenhamos esquecido da sua função mais antiga.
Mesmo quando o compromisso inicial foi verdadeiro, o recuo pode levar o público a reinterpretá-lo como oportunismo. E a reputação não tem tecla de apagar.
Talvez o novo “Trust me, I know what I’m doing” tenha mudado de significado, passando a querer dizer: “Confia. Há alguém nesta equipa que sabe."
As boas reformas institucionais não se medem pela perfeição do primeiro diploma. Medem-se pela capacidade de criar um sistema que funciona, aprende, evolui e reforça a confiança dos cidadãos.
Jorge Jesus pode gerar controvérsia, mas raramente passa despercebido. E, em liderança, a indiferença costuma ser mais perigosa do que a polémica.
Quando a inovação, a diferenciação e a construção de marcas deixam de ser adequadamente protegidas, os prejuízos não ficam confinados aos respetivos titulares. Espalham-se pela economia como um todo.
já questionámos ou explorámos algo novo hoje? Sem curiosidade intelectual, não há verdadeira evolução.
Importa, também, saber ouvir aqueles que representam as preocupações e as necessidades dos consumidores, para além daquilo que são as suas necessidades e hábitos de consumo.
Uma Seleção em silêncio não é sem palavras, é uma Seleção cuja mensagem não chega inteira ao campo. E, numa competição, esse silêncio pode ser mais revelador do que qualquer conferência de imprensa.
Nenhum projeto empresarial pode ser desenvolvido quando uma parte importante da organização (as pessoas que a fazem) têm uma agenda contrária aos princípios definidos por quem arrisca investir.
O que fica de Cannes 2026: a tecnologia continuará a transformar tudo, a AI continuará a acelerar processos, os algoritmos continuarão a moldar distribuição, consumo e decisão.
Num festival dominado por IA, robots na praia e plataformas agentic, a palavra do ano foi outra. Foi taste, (gosto). Curadoria. A tensão entre estes dois mundos definiu o que aconteceu este ano.
Por via das dúvidas, para o ano, tenciono voltar. Só para ver se a coisa anima e se a ressaca é mais feita de arrepios e menos de gin.
As redes sociais continuam a aproximar pessoas, dar visibilidade a causas, abrir oportunidades, ajudar a aprender e criar comunidades. Porém, estão menos sociais do que prometiam ser.
2026 é o ano em que vamos finalmente fazer com que a marca deixe de ser um tema de marketing para passar a ser uma linha na gestão de risco da empresa.
Emojis excessivos, hashtags intermináveis e pontuação histérica partilham o mesmo problema. Quando a mensagem é boa, as palavras fazem a maior parte do trabalho. O resto é decoração.
Pedi ajuda a quem sabe mais disto do que eu, o Nuno Jerónimo, fundador da agência O Escritório: E tu, Nuno Jerónimo? Achas que está mais complexo criar o discurso publicitário das marcas?
Hoje, uma equipa mínima pode criar algo com enorme impacto. Mas isso não torna irrelevante a experiência, a direção, a produção ou o craft - apenas obriga todos a provarem melhor o seu valor.
Do ponto de vista totalmente racional, ver futebol é puro entretenimento, e consequentemente, não serve para quase nada. E é exatamente isso que o torna tão importante!
O Mundial tinha uma geografia simples: TV da sala. A família reunia-se, alguém monopolizava o comando, gritos sincronizados e um vizinho que festejava três segundos antes por ter uma box diferente.
Numa economia cada vez mais dominada por plataformas, quem garantir presença nos pontos certos de acesso continuará a capturar valor e a manter uma relação relevante com as audiências.
As pessoas querem proximidade. Querem transparência. Querem marcas que as tratem como indivíduos, e não como leads. A autenticidade não é uma tendência. É um regresso à base.
Há pessoas que remam a favor da corrente, outras que remam contra. E há aquelas que navegam ao sabor do vento. São normalmente as mais difíceis de identificar, porque o silêncio também comunica.
Quando tudo é possível, nada parece especialmente impossível. Mas há uma pergunta que vale a pena fazer. Será que esta facilidade produz encantamento?