Opinião +M
Um mercado que reduz sistematicamente o espaço disponível para experimentar novos produtos está, sem perceber, a reduzir a sua própria capacidade futura de inovar.
Cada vez mais, o mundo dos conteúdos faz lembrar a Feira do Relógio, onde só os distraídos não percebem que a Naike, a Abibas e a Locaste não são as marcas originais.
O potencial não está em fazer mais rápido, mas sim em fazer melhor, em decidir com mais contexto, antecipar problemas, libertar equipas de tarefas repetitivas e criar novas formas de dar resposta.
Só se capta a atenção com relevância. E a relevância já não se constrói apenas com boas histórias. Constrói-se com credibilidade.
A autenticidade não passava por parecer natural, mas sim pela coerência entre aquilo que dizia, fazia e era. Sem procurar ser neutra, conseguiu ser agregadora.
O público quer ver pessoas reais, opiniões honestas, bastidores, vulnerabilidades e histórias autênticas. Em vez da perfeição excessiva, procura identificação.
Talvez a vantagem competitiva mais difícil de replicar não seja a dimensão. Antes, a capacidade de perceber que o mercado mudou e ter a coragem de mudar com ele.
O bom gestor de marca já não é apenas aquele que sabe proteger o que controla, mas aquele que sabe decidir o que pode deixar de controlar.
A autenticidade é um dos maiores símbolos de diferenciação. Este novo paradigma representa um enorme desafio para as marcas de luxo.
Hoje, colocar uma marca em palco é relativamente fácil, difícil é fazer com que sintamos a sua falta quando ela já lá não está.
Durante anos competimos pela atenção. Muito em breve começaremos também a competir pela recomendação. E não apenas junto das pessoas mas também junto dos agentes que trabalham para elas.
No fim, é esta a verdade incómoda e fascinante do luxo: pode comprar-se a peça, mas nunca a confiança que a torna desejável. Essa, conquista-se. E é, no silêncio de tudo o resto, o verdadeiro luxo.
Agassi odiava o ténis. Nadal parece ter vivido para ele. Ambos chegaram ao topo. E talvez isto diga qualquer coisa sobre a nossa obsessão contemporânea com encontrar a fórmula certa, o perfil certo.
Não há muito mais a acrescentar sobre o estranho caso do jurista que confunde fatura com recibo. Neste sentido a viagem foi em vão. Mas teve outras utilidades não negligenciáveis.
Nenhum sistema de medição será perfeito. Nem precisa de o ser. Precisa, isso sim, de ser suficientemente robusto para que ninguém duvide da sua legitimidade e transparente para que todos confiem.
Os concursos não vão desaparecer. Nem devem.O problema começa quando se confundem concursos com trabalho gratuito, acreditando-se que a criatividade não tem custo porque o produto final não existe.
Hoje filmamos uma imagem inteira para utilizar apenas o seu centro. As margens deixaram de ser um espaço de expressão criativa para passarem a ser uma espécie de seguro contra o futuro crop.
Quem pensa que pode liderar sem comunicar com honestidade está fatalmente enganado. E pagará o preço em público.
As marcas que dependem de plataformas tornam-se mais vulneráveis, enquanto aquelas que escutam e compreendem pessoas tornam-se indispensáveis. Foi sempre sobre atenção, contexto e ligação.
O Millennium Estoril Open não é um caso à parte por magia, nem sequer por ter ténis. É um caso à parte porque trata a hospitalidade como estratégia e não como logística.
Durante demasiado tempo falámos de marcas como ativos, notoriedade, diferenciação ou performance. Tudo isso continua a ser importante. Mas talvez nos tenhamos esquecido da sua função mais antiga.
Mesmo quando o compromisso inicial foi verdadeiro, o recuo pode levar o público a reinterpretá-lo como oportunismo. E a reputação não tem tecla de apagar.
Talvez o novo “Trust me, I know what I’m doing” tenha mudado de significado, passando a querer dizer: “Confia. Há alguém nesta equipa que sabe."
As boas reformas institucionais não se medem pela perfeição do primeiro diploma. Medem-se pela capacidade de criar um sistema que funciona, aprende, evolui e reforça a confiança dos cidadãos.
Jorge Jesus pode gerar controvérsia, mas raramente passa despercebido. E, em liderança, a indiferença costuma ser mais perigosa do que a polémica.
Quando a inovação, a diferenciação e a construção de marcas deixam de ser adequadamente protegidas, os prejuízos não ficam confinados aos respetivos titulares. Espalham-se pela economia como um todo.