Opinião +M

De pouco importará falar dos sonhos e da saúde do regime nos discursos do 25 de Abril ou do 5 de Outubro, se o fogo não parar de lavrar e consumir as bases da árvore da democracia.

Confesso que isto é entusiasmante e já ia para aqui embalado para vos falar da chamada Agentic AI. Tinha era que meter mais doçaria ao barulho.

Nós, profissionais, queremos ir a jogo. Os concursos públicos deveriam servir para servirmos bem o Estado e os nossos clientes, não para servirmos barato.

Agosto é uma espécie de terreno fértil onde a criatividade se reorganiza. Meio à superfície, meio subterrânea. Meio distraída, meio em foco. Nesse limbo, muitas vezes surgem os melhores recomeços.

As férias são um termómetro da cultura organizacional. Desligar é um privilégio. Parar, um ato de resistência. Voltar sem culpa, o verdadeiro luxo.

O tom importa. Transparência não é propaganda e empatia não é submissão à opinião pública. Quando a comunicação pública falha, o debate torna-se refém de especulação e polarização.

Não podemos confundir o papel do jornalismo com a responsabilidade do Estado em comunicar diretamente com os cidadãos sobre aquilo que decide em seu nome.

O inquieto leitor pergunta agora: mas o que tenho eu a ver com esta deriva insana? Tem pouco ou nada, mas, por favor, respeite a minha vontade de não falar de assuntos sérios.

Se queremos um mercado mais ético, mais transparente e mais forte, o caminho não é o da censura silenciosa. É o da clareza, da responsabilidade e, sobretudo, da confiança mútua.

Julho é o mês onde nada se decide, mas tudo se despacha. Onde há pouco espaço para criar, mas imenso para cumprir. Onde se fecha, se arquiva, se responde, se empurra com energia de fim de época.

Numa era em que as relações são cada vez mais mediadas por ecrãs, a capacidade de estabelecer uma conexão humana autêntica torna-se um diferencial competitivo poderoso.

Acordo com olheiras e ideias. Algumas até boas. Outras são restos de conversa com a maléfica. Mas já nem me importo. Se ela me visita, é porque ainda há alguma coisa a resolver. Ainda há inquietação.

Quando tudo é volátil, comunicar bem é resistir ao ruído. Quando tudo é incerto, comunicar bem é afirmar posicionamento. Quando tudo é complexo, comunicar bem é clarificar.

Mais certezas, menos intuições. Isto não significa que a intuição desapareça; significa apenas que esta ganha um aliado de peso que sustenta e valida decisões críticas.

São as marcas que decidem o que fazer com a IA, e nesse processo, há coisas que a tecnologia não pode substituir: instinto, empatia, visão, estratégia.

Se continuarmos a fazer apenas mais do mesmo, arriscamo-nos a tornar-nos irrelevantes. Não há como escapar. Já não serve dizer que “burro velho não aprende línguas” ou “até lá estou reformada”. Não.

As marcas que vencem são as que entendem que não precisam de guiar o consumidor - precisam de caminhar com ele. E esse caminho é feito de presença, consistência, empatia e dados.

Quantas vezes não nos sentimos perdidos, temos dúvidas e andamos confusos? Decidir é melhor que não decidir, mas decidir parar também é uma decisão tão legítima e válida como outra qualquer.

Propósito sem execução é retórica; execução sem propósito é commodity. O equilíbrio entre ambos sustentará o capital‑marca no futuro próximo.

Se começarmos a somar todos os momentos em que todas as marcas portuguesas se aproveitaram de situações alheias para criar conteúdo, a conta é de fazer corar o orçamento de Estado.

Ser o 17.º profissional mais admirado em qualquer lista não me dá direito a nada - ninguém consegue uma boa mesa num restaurante por ser o décimo sétimo mais admirado.

Não há democracia robusta sem espaços claros para a escuta ativa da sociedade. Quando bem regulada, a representação de interesses não é uma ameaça -- é um mecanismo de equilíbrio.

Se as marcas continuarem a acreditar e apostar, os festivais crescem e não definham, a indústria da música e da cultura cresce também e continua a alimentar as nossas paixões, os nossos sonhos.

A comunicação pode ser uma ferramenta de progresso ou um instrumento de disfarce, dependendo da intenção e do poder real que acompanha essa representação.

Num mundo em que os valores contam, o silêncio deixa de ser neutral para se tornar ruído. E os consumidores, que hoje têm um microfone na mão, estão demasiado atentos.

Com o início do julgamento do ex-primeiro-ministro de Portugal, é interessante analisar o seu estilo de comunicação. Sócrates foi um precursor de um tipo que Donald Trump imita na perfeição.