Madeira posiciona-se como destino de wellness de luxo para atrair turistas com mais poder de compra
Com cerca de 16 milhões de euros para promoção do destino Madeira em 2026, a APM voa mais alto e aposta no 'welness' de luxo para atrair turistas de segmento 'premium' e reduzir a sazonalidade.

Num mercado turístico cada vez mais competitivo, a Madeira quer posicionar-se no roteiro mundial como destino de welness de luxo, atraindo turistas de segmento médio-alto e alto para revigorar corpo e mente. Além do significativo impacto económico que gera, este produto turístico “permite diversificar a oferta e reduzir a sazonalidade”, começa por assinalar ao ECO/Local Online o secretário Regional do Turismo da Madeira, Eduardo Jesus.
Com um “orçamento previsto para a promoção do destino Madeira em 2026 de cerca de 16 milhões de euros”, a Associação de Promoção da Madeira (APM), que Eduardo Jesus preside, já delineou uma estratégia para o segmento welness para 2026-2027 direcionada para os 30 mercados-chave, que vão desde Portugal, Alemanha, Reino Unido, Estados Unidos, França até à Polónia. Um convite à descoberta do arquipélago como destino de bem-estar de luxo.
Com o turismo a atingir “números históricos”, cada vez mais turistas aterram na ilha para embarcar numa panóplia de experiências sensitivas que vão muito além da oferta de tratamentos de Spa. Também o fazem nos hotéis 5 estrelas, como o The Cliff Bay, como tivemos oportunidade de experimentar. Mas somam à viagem, focada na saúde e bem-estar, a regeneração do corpo num luxuoso centro de longevidade com tecnologia de ponta ou a observação do nascer do sol a bordo de um veleiro com pequeno-almoço e um piscar de olhos aos golfinhos em alto mar.
O produto Welness permite qualificar e diversificar a oferta turística, diluir a sazonalidade e a concentração em determinadas atividades e atrair novos públicos, mormente de nicho, de um segmento médio-alto e alto.
Tempo ainda para desacelerar numa caminhada pelos trilhos que acompanham as levadas –– nós percorremos a Levada do Alecrim –, em contacto com a natureza e com uma paisagem de cortar a respiração no horizonte. Para depois abraçarem uma jornada de descoberta interior nos retiros holísticos ou praticarem ioga com o mar ou as vinhas como pano de fundo.
São turistas com um alto poder de compra, apreciadores de alta gastronomia em restaurantes de luxo, como o Avista, Audax, Akua ou Three House, com pratos harmonizados com um copo de vinho premium produzido com castas da ilha ou do continente. E é na fusão destes programas especializados e alguns deles desenhados à medida de cada turista, que a Madeira pode marcar a diferença como refúgio welness no mapa dos destinos turísticos, acompanhando as tendências do mercado mundial.

“O wellness na Madeira vai muito além da tradicional oferta dos spas. Trata-se, na verdade, de um produto que está em total sintonia com outros eixos estratégicos do destino, tais como a natureza, o mar, a gastronomia e o turismo ativo, sendo trabalhado de forma transversal”, vinca Eduardo Jesus.
Este produto “permite também qualificar e diversificar a oferta turística, diluir a sazonalidade e a concentração em determinadas atividades e atrair novos públicos, mormente de nicho, de um segmento médio-alto e alto“, sustenta. Por isso mesmo, “é inquestionável que este tipo de turismo tem um impacto no destino que deve ser valorizado“. Desde logo, gera mais riqueza e projeção internacional e a reboque alavanca o setor pelas oportunidades que proporciona.

O secretário Regional do Turismo da Madeira reconhece, assim, a importância deste “produto estratégico para a região”, apesar de ainda não ter o registo de métricas que permitam fazer uma avaliação detalhada da procura deste segmento.
Daí que o próximo passo da APM passe pela “definição de indicadores, métricas e procedimentos que vão permitir fazer uma monitorização mais rigorosa e próxima deste segmento”, avança Eduardo Jesus ao ECO/Local Online.
Ainda assim, ressalva, “o arquipélago regional sempre foi muito procurado por pessoas que desejavam descansar e beneficiar de um ambiente naturalmente terapêutico, sobretudo graças ao contacto próximo com a natureza, seja através da sua exuberante floresta, dos banhos de água salgada e de areia com propriedades únicas que estas ilhas proporcionam”, detalha.
As características ímpares do Funchal e do Porto Santo, como “o clima ameno durante todo o ano, a oferta turística de elevada qualidade, as boas acessibilidades e a hospitalidade ímpar” tornam o arquipélago apetecível. E de tal forma que Eduardo Jesus antecipa novos recordes no turismo para 2025.
Os mais recentes números falam por si: a Madeira atingiu até outubro de 2025, valores “históricos” com proveitos totais de quase 773 milhões de euros e perto de 11 milhões de dormidas.
Já em 2024, nota, “foram atingidos valores máximos anuais históricos, nomeadamente cerca de 11,8 milhões de dormidas na Madeira e Porto Santo, cerca de 761 milhões de euros de proveitos totais e 540 milhões em proveitos de aposento”.

Um dos atrativos de Porto Santo são os benefícios terapêuticos da areia carbonatada biogénica para doenças do foro musculoesquelético e há estudos científicos a comprová-lo. O Hotel do Porto Santo & Spa é o único da ilha onde podemos fazer a chamada psamoterapia. Depois de nos deitarmos numa banheira, somos cobertos com areia, a uma temperatura de 42 graus centígrados, e tapados com uma manta térmica para manter o calor, durante meia hora. No final, rejuvenescemos corpo e mente com experiências sensitivas de bem-estar, autocuidado e equilíbrio emocional.
*A jornalista viajou para a Madeira a convite da Associação de Promoção da Madeira
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