Costa afirma que Gronelândia “pertence ao seu povo” e tem “todo o apoio” da UE

  • Lusa
  • 7 Janeiro 2026

O presidente do Conselho Europeu defendeu que a Gronelândia "pertence ao seu povo" e "nada pode ser decidido" sobre o território sem a sua participação ou a da Dinamarca.

O presidente do Conselho Europeu defendeu esta quarta-feira que a Gronelândia “pertence ao seu povo” e “nada pode ser decidido” sobre o território sem a sua participação ou a da Dinamarca, acrescentando terem “todo o apoio” da UE.

“Sobre a Gronelândia, deixem-me ser claro: a Gronelândia pertence ao seu povo. Nada pode ser decidido sobre a Dinamarca e a Gronelândia sem a Dinamarca ou sem a Gronelândia”, afirmou António Costa num discurso em Nicósia, na cerimónia de arranque da presidência cipriota do Conselho da UE.

O presidente do Conselho Europeu afirmou que tanto a Gronelândia como a Dinamarca “contam com todo o apoio e solidariedade da UE” e assegurou que a “Europa continuará a defender de forma firme e inabalável o direito internacional e o multilateralismo”.

António Costa fez estas afirmações depois de sublinhar que a “história de ocupação e divisão de Chipre” faz com que o país tenha uma noção particular da “importância do valor do direito internacional para a paz e estabilidade entre nações”.

“A Europa não é apenas uma referência geográfica, é uma comunidade de valores”, disse, salientando que a “força coletiva” da UE não se baseia apenas numa “economia próspera ou num maior investimento em Defesa”.

“Depende, acima de tudo, da consistência com que defendemos esses valores. Por isso é que a UE não pode aceitar violações do direito internacional, seja em Chipre, na América Latina, na Gronelândia, Ucrânia ou Gaza”, afirmou, numa aparente alusão, no que se refere à América Latina, ao ataque dos Estados Unidos na Venezuela.

O presidente do Conselho Europeu salientou que os europeus sabem, devido à sua história, que o unilateralismo abre uma “via rápida para o conflito, a violência e a instabilidade”, acrescentando que a invasão da Ucrânia pela Rússia “voltou a demonstrar isso de forma muito clara”.

“O apoio incondicional da UE à Ucrânia representa uma defesa clara desses princípios [consagrados na Carta das Nações Unidas], partilhados por nações de todo o mundo. Por isso é que continuaremos a lutar por uma paz justa e duradoura”, afirmou, sublinhando que a presidência cipriota do Conselho da UE, no primeiro semestre de 2026, se realiza num “momento crítico para continuar a apoiar a reconstrução da Ucrânia”.

A Casa Branca anunciou que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está a “considerar ativamente” a compra da Gronelândia, depois de, na terça-feira, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, ter afirmado que “todas as opções estão em cima da mesa”, incluindo a militar.

Estas declarações provocaram reações na Europa, com vários países a reiterarem apoio a Copenhaga, enquanto a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, alertou que um eventual ataque norte-americano a um membro da NATO representaria “o fim” da ordem de segurança internacional do pós-guerra.

A administração de Donald Trump tem justificado o interesse na Gronelândia com a necessidade de reforçar o controlo sobre a região do Árctico e impedir o avanço da China e da Rússia numa área considerada estratégica, apesar de tratados existentes já permitirem a presença militar dos EUA na ilha.

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