Portugueses fazem RAID no hackathon do Fundo Europeu de Defesa

Em setembro, no Campo Militar Santa Margarida, a solução RAID vai ser demonstrada em ambiente real no ARTEx26, exercício operacional do Exército Português.

Equipa da RADIS (ao centro) no momento da atribuição do prémio no hackathon em Lisboa.

Depois de vencer o hackathon do Fundo Europeu de Defesa (FED) em Lisboa, os portugueses da RAID atingiram o top três das soluções de defesa e espaço na competição europeia, com a sua solução a ser reconhecida como a segunda melhor das equipas de oito países participantes. Em setembro, no Campo Militar Santa Margarida, a solução vai ainda ser demonstrada em ambiente real no ARTEx26, exercício operacional do Exército Português, que este ano, pela primeira vez, decorre em simultâneo com o HEDI–OPEX 2026, o exercício europeu de experimentação operacional de tecnologia da Agência Europeia de Defesa (EDA).

“O nosso segundo lugar a nível europeu tem um impacto enorme. Deu-nos motivação e, sobretudo, reforçou a crença de que o nosso projeto tem realmente potencial para crescer. Esta distinção mostra que estamos no caminho certo e que podemos ambicionar objetivos ainda maiores dentro do ecossistema europeu de inovação em defesa”, afirma João Lopes ao ECO/eRadar.

Entre as oito equipas participantes na competição europeia — que reúne os vencedores dos oito hackathons que se realizaram em vários países europeus (Itália, Alemanha, Espanha, Holanda, Roménia, República Checa, Polónia e Portugal), num total de 471 participantes e 129 inovações —, a solução da equipa portuguesa ganhou o segundo lugar no ranking, só superada pela solução Rusk (Holanda). O terceiro lugar foi para a italiana True Sight.

Os vencedores da terceira edição do EUDIS Defence Hackathon irão participar num evento europeu no setor de defesa e empreendedorismo, onde terão oportunidade de apresentar a sua solução a líderes de indústria, investidores e autoridades públicas. “A Direção-Geral da Indústria de Defesa e Espaço da Comissão Europeia promoverá os projetos selecionados, apoiando oportunidades de criação de redes de contactos e potenciais caminhos para o desenvolvimento, parcerias e financiamento futuros”, informa a EUDIS em nota de imprensa.

Testar solução em exercício operacional do Exército

Foi em Lisboa que foi feito o primeiro teste à solução RAID (sistema distribuído de radares). “Propõe um sistema de deteção de alvos aéreos de baixo custo, baseado num conceito distribuído. É, de certa forma, uma tradução do conceito de swarm aplicado à camada de deteção: vários nós a trabalhar em conjunto, possibilitando elevada resiliência e capacidade de deteção, com um investimento significativamente inferior ao de radares tradicionais”, explica Luís Guerreiro, da RAID.

O EUDIS Lisboa “marcou um ponto de viragem”. “Foi a primeira vez que sentimos que a nossa ideia poderia transformar-se num produto e projeto com verdadeiro potencial. A partir daí abriram-se portas e contactos importantes, e começámos a trabalhar de forma mais estruturada e focada no desenvolvimento da nossa solução”, justifica Nuno Cadete.

Uma das oportunidades foi a participação na competição europeia do EUDIS, mas em termos práticos vencer em Lisboa — além do prémio financeiro de cinco mil euros — trouxe ainda a oportunidade de testar em campo a solução, em concreto no ARTEx26, exercício operacional do Exército Português, que este ano pela primeira vez decorre em simultâneo com o HEDI–OPEX 2026. O exercício europeu de experimentação operacional de tecnologia da Agência Europeia de Defesa (EDA) será em setembro no Campo Militar Santa Margarida. Ou seja, a solução nacional irá testar-se num ambiente onde estarão presentes tecnologias do setor de defesa a nível europeu.

“O nosso principal objetivo é obter bons resultados e, acima de tudo, a oportunidade de testar a nossa solução em contexto real. Sabemos que, neste setor, é essencial demonstrar valor prático e apresentar aos decisores e utilizadores o impacto que o nosso sistema pode ter no cenário de defesa”, aponta Manuel Duarte. “Temos estado em contacto com alguns decisores da indústria. Esperamos que a nossa participação nos EDF Info Days, em Bruxelas, em março, nos ajude a fortalecer esses laços e, idealmente, a concretizar uma parceria ou investimento estratégico que permita escalar o desenvolvimento da nossa tecnologia“, refere.

A RAID é formada por quatro pessoas com áreas de especialidade que vão desde o aeroespacial, comunicações RF (radiofrequência), mecatrónica e desenvolvimento de negócio, tendo sido João Lopes, que teve a ideia inicial, a desafiar os restantes elementos a participar no hackathon, evento no qual se conheceram, mas que deixou claro que tinham de continuar.

“Para já, não planeamos expandir a equipa para além dos quatro membros iniciais. O nosso foco está em garantir financiamento, seja através dos mecanismos europeus de inovação em defesa, seja via parcerias estratégicas com empresas do setor. 2026 será um ano decisivo, em que esperamos alcançar marcos importantes e consolidar o projeto”, sintetiza João Lopes.

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