Marinha investe 42,3 milhões para dotar frota de sistema integrado de comunicações

O SICC integra todos os subsistemas de comunicações a bordo, internos e externos, dos navios. Garante ainda "conformidade com os requisitos e normas da NATO e da União Europeia", refere a Marinha.

Fragata Vasco da Gama a navegar com outros navios da marinha. DR. Marinha Portuguesa.DR. Marinha

A Marinha Portuguesa fechou um contrato de 42,3 milhões de euros com a EID para o fornecimento sistemas integrados de controlo de comunicações (SICC) em mais de uma dezena de navios, entre as quais as fragatas Vasco da Gama, permitindo a “gestão centralizada e o controlo de todas as comunicações essenciais às operações no mar”. Um investimento que será assegurado pela Lei da Programação Militar.

A instalação dos Sistema Integrado de Controlo de Comunicações (SICC) “dota os navios da Esquadra de meios de comunicações modernos, eficientes e tecnologicamente atualizados, permitindo a gestão centralizada e o controlo de todas as comunicações essenciais às operações no mar”, justifica porta-voz da Marinha Portuguesa ao ECO/eRadar quando questionado sobre as capacidades que este sistema adiciona à Marinha.

“O desempenho dos navios militares depende da recolha e distribuição eficaz de informação. A crescente complexidade dos cenários navais exige uma gestão rigorosa dos recursos de comunicação e a capacidade de reagir rapidamente a alterações no ambiente operacional”, continua. “O SICC integra todos os subsistemas de comunicações a bordo, internos e externos, oferecendo soluções de elevada performance que cumprem os requisitos definidos para os navios da Marinha“, refere ainda.

Estes sistemas, “concebidos para elevada automação e eficiência, têm demonstrado eficácia em operações reais e em exercícios conjuntos da NATO, atuando com fiabilidade em ambientes particularmente exigentes”, destaca o porta-voz. “Garantem ainda conformidade com os requisitos e normas da NATO e da União Europeia, assegurando, desta forma, a interoperabilidade, a partilha segura de informação e a integração plena em redes de comando, controlo e comunicações aliadas”, refere.

Fragata Vasco da Gama vista de cima. DR: Marinha Portuguesa.DR. Marinha

Um sistema integrado de comunicações entre as diferentes classes de navios que compõem a frota da Marinha apresenta ainda outras vantagens ao nível de capacidade. O porta-voz da Marinha elenca. “Reforça a comunalidade tecnológica, permitindo reduzir a diversidade de equipamentos, simplificar processos de sustentação, com ganhos de escala ao longo do ciclo de vida dos navios, e facilitar o treino e formação dos operadores e técnicos. Esta harmonização contribui diretamente para uma maior disponibilidade operacional, melhor eficiência na gestão de sobresselentes e na manutenção, e uma resposta mais rápida e consistente em qualquer tipo de missão.”

Em síntese, “estes sistemas elevam o padrão tecnológico dos meios navais, reforçam a capacidade operacional e asseguram uma Marinha plenamente interoperável em contextos combinados, conjuntos e multinacionais”.

Que navios irão receber este sistema integrado de comunicações

O contrato, fechado em dezembro e válido para o período entre 2026 e 2031, tem um valor total de “52.029.000,00 euros, em que 42.300.000,00 euros corresponde ao valor do fornecimento, e 9.729.000,00 euros ao valor do IVA, à taxa legal em vigor”, pode ler-se no contrato publicado no portal base. Montante financiado com o orçamento da Marinha, via Lei da Programação Militar.

E aplica-se a várias classes de navios, como as fragatas Vasco da Gama, mas também aos Navio de Patrulha Oceânico (3.ª série). Nesta classe, está prevista a construção de seis NPO da 3.ª série, a ser realizada nos estaleiros WestSea (Viana do Castelo), com entrega prevista entre 2027 e 2030, num investimento de cerca de 300 milhões de euros.

Estes navios — o NRP Porto; NRP Lisboa; NRP Ponta Delgada; NRP Funchal; NRP Portimão e NRP Aveiro — terão um “reforço das capacidades militares (sensores, sistemas de armas e comando), incluindo capacidade de luta antissubmarina“, detalha o porta-voz.

“Estes navios terão também capacidades modulares para missões de comando e controlo, vigilância, operação de veículos não tripulados, operação de helicópteros não orgânicos e combate à poluição”.

Proa da Fragata Vasco da Gama. DR: Marinha Portuguesa.DR. Marinha

Previsto ainda está a instalação do sistema de comunicações integrado nos dois Navios Reabastecedores de Esquadra (NRE+). Com um custo de 100 milhões cada, os dois navios estão a ser construídos nos estaleiros STM, estando prevista a entrega do primeiro navio em 2028 e do segundo em 2029. “Com cerca de 137 metros de comprimento, 11.000 toneladas de deslocamento e propulsão híbrida (diesel e elétrica), os NRE+ dispõem de alojamento para 50 militares de guarnição e alojamento adicional para mais 50 pessoas.

O espaço multimissão permite, ainda, configurar módulos habitacionais para mais 100 elementos — como forças destacadas ou pessoal evacuado — ou integrar capacidades hospitalares reforçadas, especialmente úteis em missões de assistência humanitária ou apoio a catástrofes”, descreve o porta-voz.

E será ainda integrado em oito Navios Patrulha Costeiro (NPC). Ainda em “fase de projeto”, estes navios irão substituir as Lanchas de Fiscalização Rápida das classes “Argos” e “Centauro” e as Lanchas de Fiscalização Costeira da classe “Tejo”, explica o porta-voz da Marinha.

Quem irá assegurar a implementação

A implementação do sistema será assegurada pela EID, empresa com a qual a Marinha — mas também outros ramos das Forças Armadas nacionais — tem vindo a colaborar em outros projetos.

“A Marinha reconhece a experiência da EID na área das comunicações navais, comprovada pela escolha de vários aliados NATO e parceiros europeus, como os Países Baixos e Espanha”, refere o porta-voz da Marinha quando questionado sobre que outros projetos a Marinha tinha vindo a trabalhar com essa empresa.

“Nesse sentido, tem vindo, desde há muito tempo, a adotar as soluções da empresa para navios atuais e futuros, numa lógica integrada de aquisição (comunalidade), sustentação e evolução tecnológica contínua“, continua. “Esta escolha demonstra também uma opção da Marinha pelo reforço da Base Tecnológica e Industrial de Defesa Nacional“, destaca.

Detida a 18% pela idD Portugal Defence, 2% pelo IAPMEI e 80% pela Cohort PLC, a EID é a “principal empresa portuguesa a trabalhar em comunicações militares complexas de voz e dados — e uma das cinco principais no que se refere a sistemas de comunicações entre veículos militares de terra e mar em todo o mundo”, segundo informação contida no site da idD Portugal Defence, empresa pública, sob a tutela do Ministério da Defesa, que tem sob a sua alçada a gestão das participações do Estado em empresas da área da Defesa, bem como a promoção da Base Tecnológica e Industrial de Defesa.

Fundada em 1983, a EID tem “uma vasta experiência nos campos da eletrónica, comunicações e comando e controlo, com hardware e software próprios”, refere a idD, atuando na área de comunicações navais (ICCS), comunicações táticas; sistemas de mensagens militares NATO e engenharia e integração de sistemas.

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