Pandora vira-se para a platina. Querem ser uma “marca de joalharia, não ‘traders’ de prata”
Os elevados preços da prata, material de eleição da marca dinamarquesa, levaram a Pandora a virar-se para a platina. Já há data de lançamento.
A Pandora está a acelerar a aposta em joalharia com banho de platina para reduzir a exposição da empresa às oscilações extremas do preço da prata, depois de uma vaga especulativa ter empurrado o metal para máximos históricos no último ano.
A volatilidade da prata tem tido impacto direto na empresa. As ações da Pandora tornaram-se particularmente sensíveis a movimentos bruscos do metal, e a queda registada na semana passada no preço da prata acabou por impulsionar uma subida das ações, segundo a Reuters. Os preços da prata subiram cerca de 170% no último ano e as ações da Pandora caíram 63% nesse período, de acordo com a Business Insider.
A CEO Berta de Pablos-Barbier foi clara sobre o objetivo estratégico. “Temos de dissociar o desempenho da empresa e o valor das ações da commodity. Somos uma marca de joalharia, não somos traders de prata”, disse em declarações à Reuters.
A marca de origem dinamarquesa, fundada em Copenhada em 1982, garante que a estratégia é manter os produtos em preços acessíveis. Um porta-voz disse ao Business Insider que as pulseiras com banho de platina terão preços semelhantes às equivalentes em prata.
Os primeiros modelos no novo material devem ser lançados ainda em 2026, começando com versões platinum-plated de alguns dos seus modelos mais vendidos, de acordo com o Business Insider. Ou seja, as peças são fabruicadas numa liga metálica e revestidas com uma camada de platina. Na segunda metade do ano, a tendência deve estender-se também aos charms (amuletos), uma assinatura da marca, hoje com 2800 lojas em mais de 100 países, incluindo Portugal.
A mudança para a platina surge como uma forma de diversificar o risco associado às matérias-primas e estabilizar a perceção do mercado sobre o negócio e a empresa dinamarquesa não é a única a procurar outros materiais. Segundo o Business Insider, também a Tiffany & Co., detida pelo grupo LVMH, está a tentar reduzir a dependência da prata, apostando mais em ouro e joalharia fina.
A platina, ela própria, aumentou 165% do preço em 2025 e 8,4% este ano.
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