Elevador da Glória. Vereadores do PS em Lisboa exigem demissão da administração da Carris
PCP e Chega também criticam as falhas detetadas nas conclusões do relatório do GPIAAF ao acidente do elevador da Glória. Socialistas pedem a Moedas para demitir a administração da Carris.
Os vereadores do PS na Câmara de Lisboa exigiram hoje a demissão da administração da Carris, na sequência das conclusões do relatório preliminar do GPIAAF sobre o acidente no Elevador da Glória, que causou a morte de 16 pessoas.
Em comunicado, os vereadores socialistas de Lisboa consideram “muito graves” as conclusões do relatório preliminar do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), que detetou falhas e omissões na manutenção do ascensor, apontando também a falta de formação dos funcionários e de supervisão dos trabalhos efetuados pela empresa prestadora do serviço.
Segundo os vereadores do PS, este relatório sobre o acidente vem desmentir a versão inicialmente apresentada publicamente pela Carris de “que todos os procedimentos de manutenção tinham sido cumpridos“, ao “revelar falhas e negligência inaceitáveis num equipamento público sob responsabilidade municipal”.
“Os vereadores socialistas consideram que a liderança da Carris perdeu as condições para continuar em funções, face às contradições e à gravidade das conclusões conhecidas. Se o presidente do conselho de administração não apresentar a sua demissão, cabe ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa tomar essa decisão, assumindo a responsabilidade política que lhe compete enquanto tutela da empresa“, defenderam hoje os vereadores.
Se o presidente do conselho de administração não apresentar a sua demissão, cabe ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa tomar essa decisão, assumindo a responsabilidade política que lhe compete enquanto tutela da empresa.
O PS na Câmara de Lisboa afirma que “exige que sejam assumidas as devidas responsabilidades, sem exceções nem encobrimentos” e que “o executivo camarário assegure total transparência na investigação, implemente todas as medidas de correção e segurança recomendadas”, com reforço dos “mecanismos de controlo interno e externo da empresa municipal, garantindo que situações semelhantes não se repitam”.
“Não é admissível que um acidente com vítimas mortais e feridos ocorra num equipamento público e que as consequências se limitem a sanções intermédias ou a um mero passa-culpas”, acrescentaram.
Chega fala em “relatório arrasador”, PCP pede responsabilidades
Por seu lado, Bruno Mascarenhas, vereador do Chega, defende que “o relatório é arrasador“. Em declarações à TSF, considera que “naturalmente que um relatório destes nunca poderia apontar falhas políticas” e “é preciso perceber que tem de se deduzir um conjunto de responsabilidades políticas“.
Bruno Mascarenhas considera que “é preciso perceber que a Carris soube antecipadamente que este cabo que se rompeu não estava ajustado àquilo que era a função para a qual foi adquirido”.
Na mesma linha, João Ferreira, vereador do PCP, pede responsabilidades. “O relatório do GPIAAF aponta, entre outras, falhas graves nos procedimentos de controlo interno da Carris, na fiscalização, no sistema de gestão da segurança. Dizer que tal não implica responsabilidades políticas, mas apenas técnicas, é uma irresponsabilidade ridícula e perigosa”, escreveu numa publicação na rede social X.
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As declarações de João Ferreira surgem depois do presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, ter afirmado na segunda-feira que o acidente do elevador da Glória foi derivado a causas técnicas e não políticas. “Ao contrário da politização que alguns fizeram durante a campanha, este relatório reafirma que a infeliz tragédia do elevador da Glória foi derivada de causas técnicas e não políticas”, refere Carlos Moedas, numa curta declaração escrita enviada à agência Lusa.
O acidente com o elevador da Glória, ocorrido em 03 de setembro, causou 16 mortos e cerca de duas dezenas de feridos, entre portugueses e estrangeiros de várias nacionalidades. Num relatório preliminar às causas do acidente, a que a Lusa teve acesso, o GPIAAF apontou, nomeadamente, falhas à Carris, à manutenção e à supervisão.
O relatório preliminar do GPIAAF revela que o cabo que unia as duas cabinas do elevador da Glória e que cedeu no seu ponto de fixação da carruagem que descarrilou não respeitava as especificações da Carris, nem estava certificado para uso em transporte de pessoas.
Este organismo público detetou falhas e omissões na manutenção do ascensor, apontando também a falta de formação dos funcionários e de supervisão dos trabalhos efetuados pela empresa prestadora do serviço. O GPIAAF diz, por exemplo, que as inspeções previstas para o dia do acidente “estão registadas como executadas, embora detenha evidências de que não foram feitas no período horário indicado na correspondente folha de registo”.
Aquele gabinete recomenda ainda à Carris que não reative os ascensores de Lisboa “sem uma reavaliação por entidade especializada”, e ao Instituto da Mobilidade e dos Transportes que implemente um quadro regulamentar apropriado.
Governo diz já ia reforçar fiscalização de transportes antes de relatório
O Governo já tinha pedido ao Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) para “reforçar e consolidar a regulação e fiscalização” de transportes públicos, na sequência da tragédia do elevador da Glória, em Lisboa.
“A pedido da Secretaria de Estado da Mobilidade, o Instituto da Mobilidade e Transportes encontra-se a elaborar uma proposta de diploma legislativo que visa reforçar e consolidar a regulação e fiscalização dos sistemas integrados de transporte ferroviário, metropolitano, metro ligeiro, elétricos, instalações por cabo e mini-comboios”, disse à Lusa fonte daquela secretaria, em resposta por escrito.
A mesma fonte frisou que “o relatório preliminar do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) sobre o elevador da Glória vem reforçar a necessidade desse diploma, já anteriormente pedido pela Secretaria de Estado da Mobilidade ao IMT”.
A iniciativa pretende definir regras de “construção, colocação em serviço, exploração e fiscalização técnica, certificação de agentes com funções relevantes para a segurança da circulação” e de “acesso à atividade de prestação de serviços de transporte de passageiros e de manutenção dos respetivos subsistemas”.
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