Chanel e Kering, dona da Gucci, entre os maiores credores da Saks

ECO,

A Saks Global deve cerca de 3,4 mil milhões de dólares, sendo que os créditos dos 30 maiores credores não garantidos totalizam 712 milhões de dólares.

A marca francesa de luxo Chanel e a Kering, detentora da Gucci, lideram a lista dos credores não garantidos da cadeia norte-americana de grandes armazéns Saks Global, que anunciou esta quarta-feira a sua falência. Segundo um documento judicial entregue em tribunal, têm créditos de 136 milhões de dólares e 60 milhões de dólares, respetivamente, avança a Reuters.

A Saks Global apresentou um pedido de proteção contra credores na terça-feira, numa das maiores falências do retalho dos últimos anos, pouco mais de um ano depois de um negócio que colocou sob o mesmo grupo a Saks Fifth Avenue, a Bergdorf Goodman e a Neiman Marcus.

A Saks Global deve cerca de 3,4 mil milhões de dólares, sendo que os créditos dos 30 maiores credores não garantidos totalizam 712 milhões de dólares, de acordo com os documentos do processo de insolvência. A Mayhoola, dona da Valentino, a Richemont, a Zegna, a LVMH, a Brunello Cucinelli e a Burberry figuram também entre os 30 maiores credores, a par das tecnológicas Meta e Google, do grupo Alphabet, segundo os mesmos documentos.

O nível de crédito de cada marca poderá depender do número de pontos de venda que opera nas lojas da Saks Global através de um modelo puramente grossista — em que a Saks Global compra os produtos — ou de um modelo de concessão, no qual as marcas mantêm a propriedade da mercadoria, explicou uma fonte do sector.

A Saks Global tem enfrentado há meses problemas de gestão de inventários e de dívida, o que levou a atrasos nos pagamentos a fornecedores, a uma remodelação profunda da equipa de gestão de topo e à expectativa generalizada de um pedido de falência.

As ações das empresas europeias de luxo, incluindo a maioria dos credores não garantidos, mantiveram-se globalmente estáveis na quarta-feira.

O presidente executivo e CEO da Saks Global, Richard Baker — o arquiteto da estratégia de aquisições que deixou o grupo fortemente endividado — abandonou o cargo e será substituído por Geoffroy van Raemdonck, antigo CEO da cadeia de grandes armazéns Neiman Marcus.

Vários credores reagiram à notícia da falência da Saks. A Brunello Cucinelli, a quem são devidos cerca de 21 milhões de euros (24,47 milhões de dólares), saudou a nomeação e afirmou ter “grande confiança no futuro da Saks Global”. Apesar de os analistas apontarem problemas estruturais que fragilizam os grandes armazéns, o fundador Brunello Cucinelli afirmou à Reuters, na semana passada, que estes continuam a ser os “verdadeiros guardiões da marca”.

A Ermenegildo Zegna elogiou também, na quarta-feira, a Saks Global, classificando-a como um “parceiro estratégico fundamental” para o sector do luxo. “Esperamos que, após estes momentos difíceis e sob a visão e liderança da nova equipa de gestão, a SAKS Global saia reforçada e continue a ser um parceiro central para o sector”, afirmou a Zegna em comunicado.

A Kering recusou comentar. A Chanel, a LVMH, a Richemont, a Burberry e a Mayhoola não responderam de imediato aos pedidos de comentário da Reuters.

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