Despesa com defesa na Europa deve subir para 1,2 biliões de dólares até 2035
Estima-se que a frota militar mundial cresça de 45.000 aeronaves para 51.000 até 2036. Europa deverá receber mais de 110 mil milhões de dólares em novas aeronaves até 2032, estima a Oliver Wyman.

As despesas com defesa a nível mundial deverão crescer 6,7% até 2035, com a Europa a liderar esse investimento, com um aumento de 7,8%, passando de 571 mil milhões para 1,2 biliões de dólares, estima o relatório “Global Military Aircraft Fleet and Sustainment Outlook 2026–2036”, da Oliver Wyman.
“A Europa entra num ciclo de investimento que combina mais entregas de aeronaves militares, maior disponibilidade e maiores exigências de sustentabilidade no setor da defesa”, afirma Carlos García Martín. “A indústria precisa de antecipar, desde já, a capacidade produtiva, as peças sobresselentes e o talento técnico para atingir os seus objetivos operacionais antes de 2032”, recomenda o partner de transporte e serviços da Oliver Wyman, citado no relatório.
A invasão russa à Ucrânia colocou a defesa na prioridade da Europa, com Bruxelas a avançar com pacotes de empréstimo como é o caso dos 150 mil milhões para o SAFE — do qual as primeiras tranches deverão começar a chegar em março, inclusive a referente à fatia de 5,8 mil milhões de euros para Portugal — ou fundos de defesa para investimento visando capacitar as forças armadas dos países membros nos seus esforços de defesa.
A Europa entra num ciclo de investimento que combina mais entregas de aeronaves militares, maior disponibilidade e maiores exigências de sustentabilidade no setor da defesa. (…) A indústria precisa de antecipar, desde já, a capacidade produtiva, as peças sobresselentes e o talento técnico para atingir os seus objetivos operacionais antes de 2032.
Um esforço que passa igualmente pela defesa área, através de aeronaves. Estima-se que a frota militar mundial passe de quase 45.000 aeronaves em 2026 para cerca de 51.000 em 2036 e que a Europa receba mais de 110 mil milhões de dólares em novas aeronaves militares até 2032, mais 20% do que na década anterior, aponta a Oliver Wyman.
Globalmente, os gastos de defesa deverão subir 6,7% até 2035, mas na Europa deverá ter um aumento orçamental anual médio estimado de 7,8%, passando de cerca de 571 mil milhões para 1,2 biliões de dólares. “Este aumento reflete-se tanto na disponibilidade como na utilização das frotas a partir de 2022, o que aumenta a pressão sobre a manutenção”, refere a consultora.

A procura por MRO (manutenção, reparação e operações) deverá assim crescer cerca de 1% ao ano na próxima década, impulsionado, sobretudo, pelo segmento de motores. “Os sistemas não tripulados orientados para o combate, incluindo as Collaborative Combat Aircraft (CCA), ganharão peso operacional antes de 2030 e alterarão o padrão de manutenção”, destaca ainda a consultora.
Gastos em aeronaves concentram-se nos caças
Mais, à medida que a retirada de frotas antigas, como o Tornado, o Mirage 2000 e aeronaves de design soviético, vai acontecendo isso deverá gerar economias que serão “redirecionadas para a manutenção de plataformas mais complexas, especialmente à medida que a frota de F-35 cresce”.

Quanto à frota militar ativa, a Oliver Wyman projeta que, do início de 2026 até 2036, crescerá de 44.700 aeronaves para 50.700 à escala mundial. “Este aumento de aproximadamente 6.000 unidades é sustentado pelo crescimento dos gastos europeus, pelo dinamismo do Médio Oriente e da Ásia-Pacífico e pelo avanço dos sistemas não tripulados”, refere a
“A maior parte dos gastos concentra-se em caças, tendo o F-35 como eixo central da modernização de 11 forças aéreas europeias, juntamente com entregas contínuas do Eurofighter Typhoon à Alemanha, Itália, Espanha e Turquia, e do Rafale à França e à Sérvia. A Europa também reforça a sua autonomia em mobilidade e reabastecimento, com programas como o A330 MRTT e o A400M em Espanha”, aponta a consultora. E Portugal, recorde-se, tem planos de renovar a sua frota de F-16 em fim de vida. Renovação que ficou fora do pacote SAFE.

“Parte do orçamento europeu será direcionada para o desenvolvimento de capacidades de nova geração, como o Global Combat Air Programme, o Future Combat Air System e o Next-Generation Rotorcraft Capability. Esses programas não entregarão aeronaves operacionais antes de meados da década de 2030, mas os seus custos de desenvolvimento competirão por recursos com as aquisições e a manutenção das frotas em serviço”, destaca ainda a Oliver Wyman.
Já os Estados Unidos estão a dar prioridade à “investigação e o desenvolvimento de capacidades de nova geração”, aponta a consultora. “A proposta orçamental para o ano fiscal de 2026 adia parte da compra de aeronaves para a segunda metade do período e prevê a aquisição de apenas 173 novas aeronaves, muito abaixo dos exercícios recentes. Esta estratégia permite libertar recursos através da retirada de plataformas antigas, financiando a transição para sistemas avançados, como o F-47, o MV-75 e os Collaborative Combat Aircraft”, detalha.
Entregas de drones aumentam 10% a nível global
O investimento em sistemas não tripulados (drones) deverá aumentar, com a Oliver Wyman a estimar um crescimento global de 10% ao ano nas entregas de sistemas aéreos não tripulados de grande porte durante a próxima década, “o ritmo mais elevado entre todos os segmentos”.

As aeronaves não tripuladas orientadas para o combate, incluindo as Collaborative Combat Aircraft, aumentarão a sua presença operacional no final da década de 2020, considera a consultora. E traz com isso novos desafios. “Estas plataformas trazem consigo uma mudança no modelo de sustentação, com ciclos de vida mais curtos e necessidades diferentes das aeronaves tripuladas. Esta mudança pode alterar o peso relativo da manutenção de grande revisão em relação a outras atividades, embora a sua capacidade de reduzir os custos do ciclo de vida ainda requeira validação operacional“, alerta a consultora.
Esse aumento do uso de drones, vai implicar um ajustamento da aviação de asa rotativa. “A experiência operacional recente reforça as dúvidas sobre a sobrevivência dos helicópteros em cenários sem superioridade aérea, o que levou algumas forças avançadas a considerar cortes na sua estrutura”, aponta a consultora.
Paralelamente, “cresce o interesse por soluções de maior velocidade, como os convertiplanos, e pela transferência de parte das missões tradicionais para sistemas não tripulados”.
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