Executivos portugueses diversificam recursos e planeiam offshoring, conclui Forvis Mazars

Mais de 60% das empresas incluíram ainda novos países-alvo nos seus planos de expansão internacional e fizeram revisões para se concentrarem em destinos alternativos, segundo o barómetro "C-Suite".

Nove em cada dez executivos de topo em Portugal estão otimistas em relação a 2026, mas a incerteza económica e o aumento da concorrência poderão ser um entrave ao crescimento das empresas, conclui uma análise da auditora Forvis Mazars. A opinião dos líderes portugueses é partilhada por outros líderes de empresas globais.

O barómetro “C-Suite” concluiu que mais de metade dos inquiridos estão a diversificar os seus recursos para lidar com a interrupção do comércio global, a consolidar os serviços que oferecem em países específicos e a planear operações no estrangeiro. As mudanças operacionais incluem offshoring em mais de um terço dos casos (31%).

Os planos de expansão internacional também se encontram em revisão, de acordo com o relatório “Adapting in uncertainty – C-suite barometer 2026: Portugal outlook” elaborado pela empresa de consultoria, auditoria e serviços de contabilidade.

Na sequência das perturbações comerciais devido às tarifas, os executivos nacionais estão a olhar para Espanha, França e Brasil como possíveis destinos de expansão. Mais de 60% das empresas incluíram novos países-alvo nos seus planos de expansão e fizeram revisões para se concentrarem em destinos alternativos.

“As perturbações comerciais e tarifárias são os principais fatores que impulsionam estas alterações. Garantir mão-de-obra local e gerir os custos resultantes das alterações tarifárias são os principais desafios da expansão internacional para os líderes em Portugal, seguidos do cumprimento das normas regulamentares locais”, lê-se no estudo da Forvis Mazars.

Quanto às prioridades estratégicas de 2026, são essencialmente a expansão internacional, a entrada numa nova categoria de produtos/serviços e a reestruturação/redução de custos. Em média, 58% das empresas planeiam aumentar o investimento, concretamente em áreas testadas, como por exemplo a aquisição de clientes, os sistemas tecnológicos ou digitalização e o planeamento da continuidade do negócio.

O estudo do grupo de auditoria e advisory indica ainda que sete em cada dez empresas portuguesas reportaram um aumento dos lucros anuais em 2025, sendo que um em cada cinco executivos estão “muito confiantes” de que podem gerir as principais tendências.

Entre as tendências está também a inteligência artificial (IA). A corrida pela implementação da IA está a reestruturar os recursos humanos, com 15% dos líderes a reportar que já está a substituir empregos e 38% a afirmar que criou funções. Três em cada cinco participantes do estudo já reestruturaram as equipas para implementar a IA, nomeadamente para previsões, eficiência interna, criatividade e aquisição de conhecimento.

Este ano “parece oferecer uma perspetiva positiva aos executivos de topo nacionais, com um claro horizonte de crescimento, mas o nosso estudo é também revelador de uma atitude prudente, pois o clima de incerteza é uma realidade em todo o mundo”, afirma Sérgio Santos Pereira, country managing partner da Forvis Mazars em Portugal.

“Paralelamente, notamos que a transformação tecnológica e os desafios da IA continuam na ordem do dia, com iniciativas concretas, mas também com muito caminho para trilhar, bem patente no número muito reduzido de empresas que já estão a investir mais de um quinto do orçamento em IA”, assinala o responsável pela subsidiária da Forvis Mazars em Portugal.

O barómetro da Forvis Mazars contou com a participação de 3.012 altos líderes (“C”) de organizações com fins lucrativos e receitas anuais superiores a um milhão de dólares (cerca de 840 mil euros) oriundos de 40 países. Em Portugal, participaram 100 executivos de áreas como TMT – Tecnologia, Media e Telecomunicações, indústria, consumo (retalho, transporte, turismo), energia, infraestruturas e imobiliário. As entrevistas foram realizadas entre os meses de outubro e novembro de 2025.

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