Comunicar num mundo ruidoso

  • Lia Oliveira
  • 12:48

Comunicar hoje é aceitar a complexidade. É testar, ajustar, ouvir e aprender. Num mundo ruidoso, o verdadeiro desafio não é falar mais alto, mas falar melhor.

Vivemos num tempo acelerado, fragmentado e altamente competitivo pela atenção. Tudo acontece em tempo real e, muitas vezes, parece que só através do ruído é possível ser ouvido. A atenção tornou-se um recurso escasso — e comunicar bem passou a ser tão difícil quanto essencial.

Neste contexto, é compreensível que marcas e organizações procurem abordagens mais provocatórias, irónicas ou disruptivas. Não por superficialidade, mas porque competir com um fluxo constante de estímulos exige criatividade e coragem. A dificuldade não é nova, mas intensificou-se: o volume de mensagens cresce, enquanto o tempo disponível para as absorver diminui.

A verdadeira questão, porém, não está em escolher entre o ruído ou o silêncio. Está em perceber que tipo de impacto se quer gerar — e durante quanto tempo.

A comunicação enfrenta hoje um paradoxo claro: precisa de captar atenção imediata, mas também de construir confiança a médio e longo prazo. A visibilidade é apenas um ponto de partida. Sem compreensão, sem envolvimento e sem condições reais para agir, a atenção dissipa-se tão rapidamente quanto surgiu.

A ciência comportamental mostra que as pessoas mudam quando sentem que fazem parte da solução, não quando se sentem pressionadas ou expostas. Simplificar escolhas, reduzir fricções, reforçar normas sociais positivas e tornar os comportamentos desejados mais fáceis continua a ser mais eficaz do que qualquer mensagem isolada, por mais impactante que seja.

Num momento em que se pede a cidadãos, clientes ou colaboradores que alterem hábitos e formas de pensar — muitas vezes sem perceberem plenamente o impacto das suas decisões — a comunicação assume um papel central. Não apenas para informar, mas para acompanhar, esclarecer e dar sentido à mudança.

Comunicar hoje é aceitar a complexidade. É testar, ajustar, ouvir e aprender. Num mundo ruidoso, o verdadeiro desafio não é falar mais alto, mas falar melhor.

No final, a eficácia da comunicação mede-se menos pelo impacto imediato e mais pela mudança que consegue sustentar no tempo.

  • Lia Oliveira
  • Diretora de marketing e comunicação da SDR Portugal

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