O novo mapa do e-commerce: entre a conveniência e a consciência

  • Carla Pereira
  • 29 Janeiro 2026

O comércio eletrónico está a entrar na idade da consciência. E talvez seja este o seu maior feito: ter reinventado o ato de comprar, transformando-o numa escolha, cada vez mais pessoal e sustentável.

Há pouco mais de uma década, o e-commerce era um território experimental. Hoje, deslizar o dedo pelos nossos ecrãs e esperar pela mensagem de que a encomenda está a chegar, faz parte do nosso dia a dia.

A digitalização do consumo acelerou com uma força tectónica. O crescimento do comércio eletrónico foi notável na Europa, tendo o epicentro na pandemia, mas a sua réplica prolonga-se em cada decisão de compra. E esta transformação não se mede apenas em números: mede-se em comportamentos, expectativas e no novo “contrato emocional” entre marcas e consumidores.

O consumidor de 2026 é impaciente, informado e profundamente pragmático. Apesar de o preço continuar a comandar os cliques (78% dos e-shoppers regulares portugueses consideram-no o fator mais importante nas suas decisões), o tempo é o novo luxo. Comprar online já não significa apenas poupar euros, mas ganhar horas de vida.

Assistimos ainda a uma nova ética do consumo. O boom do mercado C2C no social commerce — onde 67% dos portugueses já compram ou vendem produtos usados — é mais do que uma tendência económica: é um fenómeno cultural. Representa uma espécie de “consumo com consciência tranquila”, em que sustentabilidade e oportunidade coexistem.

O social commerce já deixou de ser uma tendência, é um novo paradigma: um mercado movido por comunidades, não por campanhas. E é a Geração Z quem mais impulsiona esta mudança: 92% utilizam as redes para inspiração de compra e 39% fazem compras diretamente através delas, segundo o Barómetro e-Shopper 2025. Para estes consumidores, comprar é também participar num estilo de vida, numa conversa, numa causa.

E no epicentro deste ecossistema está a experiência de entrega — a fronteira tangível entre o mundo digital e o físico. O consumidor quer ver, saber e escolher: informação em tempo real, múltiplas opções, possibilidade de alterar a hora e o local das entregas em função das suas reais necessidades. A conveniência é o novo imperativo da lealdade e a confiança na marca de transporte pesa tanto quanto a do retalhista.

O futuro do e-commerce será, paradoxalmente, mais humano. A inteligência artificial trará personalização extrema, o blockchain poderá garantir rastreabilidade ética e as plataformas logísticas transformar-se-ão em pontes de confiança entre mundos. Mas o que realmente definirá o e-commerce de amanhã não será a tecnologia em si, mas antes a capacidade de colocar o consumidor no centro. Não como um número de encomenda, mas como uma pessoa que exige rapidez, transparência e propósito.

Em suma, o comércio eletrónico nasceu da conveniência, amadureceu com a inovação e está a entrar na idade da consciência. E talvez seja este o seu maior feito: ter reinventado o ato de comprar, transformando-o numa escolha, cada vez mais pessoal e sustentável.

  • Carla Pereira
  • Diretora de marketing e comunicação da DPD Portugal

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