Red & Green Friday para promover melhor Portugal

  • Rosália Amorim
  • 28 Novembro 2025

Mais do que apoios do OE, agora aprovado, o país precisa de boas ideias, mais inovação e melhor execução. E que tal uma sexta-feira encarnada e verde?

Estamos em plena época pré-natalícia de descontos, conhecida por Black Friday, e a cerca de um mês do Natal e dos festejos do Ano Novo, com uma euforia de consumo das famílias que aproveitam preços mais baixos para “encher o sapatinho”, mas será que a reputação das marcas beneficia assim tanto desta onda em que o fator preço é o mais importante?

Claro que todos apreciamos descontos ou saldos e, regra geral, precisamos de poupar dinheiro no orçamento familiar, mas, na corrida aos centros comerciais, teremos alguma preocupação em “comprar o que é nosso” e olhar para a marca e origem Portugal? Teremos consciência de que há várias marcas internacionais de vestuário e calçado com produtos made in Portugal e não apenas na Ásia ou outros mercados de mão-de-obra barata? Quando chegar a casa, com vários sacos de compras, o que é de origem portuguesa?

Esta questão da valorização das marcas portuguesas, em especial no setor têxtil, é levantada ciclicamente quando as empresas notam alguns sinais de crise devido à forte concorrência internacional e, esta semana, o novo presidente da Associação Têxtil de Vestuário de Portugal (ATP) veio defender, aqui em entrevista ao ECO, que 1% do Orçamento do Estado deveria ser canalizado, todos os anos, para a promoção da marca Portugal.

Ricardo Silva propõe um projeto de moda colaborativa para maior promoção da indústria portuguesa no estrangeiro, com ganhos de escala e redução de custos.

Esta associação do setor têxtil pede maior “dotação orçamental para promoção da marca Portugal”, num contexto de crescente concorrência chinesa e de efeito das tarifas dos EUA, o que afeta praticamente todos os setores industriais exportadores que, segundo o presidente da ATP, devem unir esforços. Há muito que os empresários apelam ao apoio do Estado na promoção externa das marcas, produtos e serviços de Portugal e também ao reforço dos meios financeiros e até humanos da AICEP. Mas o que podem e devem fazer as próprias empresas?

Neste caso concreto, a ideia é criar uma “agenda de cocriação de moda colaborativa e de presença mundial”, divulgando melhor “roupas, toalhas, lençóis ou casacos”, com design e, claro, qualidade industrial. O setor do calçado fez essa aposta há vários anos e podemos ver bons exemplos dessa estratégia de promoção do “made in Portugal” em vários setores da indústria, mas nem sempre há continuidade e alinhamento estratégico entre governos, associações setoriais ou até entre confederações patronais. Num país tão individualista, isso não é de admirar, mas deve haver um esforço acrescido para se jogar mais como equipa.

Este dirigente do setor têxtil apela a um maior investimento na marca Portugal, de forma transversal: “Se houver uma marca Portugal em todos os setores, vamos ter sinergias e redução de custos. Temos de olhar para isto como uma empresa. Se tiver os esforços alinhados entre todos os intervenientes dessa mesma empresa, teremos um efeito de escala muito positivo”. E defende ainda: “Se não está no Orçamento, não vai ser agenda. Se queremos ter uma promoção forte para aumento de valor acrescentado, para aumento de exportações, para reduzir a necessidade de importações, a promoção com comunicação, marketing e promoção direta é essencial”.

Em final de ano, e quando as empresas fecham orçamentos para 2026, estas afirmações de um líder de uma importante associação industrial sobre o reforço orçamental para comunicação, marketing e marca são relevantes porque ele vem lembrar que é preciso comunicar mais o que fazemos de melhor e em que nos diferenciamos, especialmente em alturas de desafios e ameaças para as organizações ou empresas. Habitualmente, aos primeiros sinais de crise, o orçamento de marketing e comunicação é dos primeiros a sofrer cortes, quando deveria ser reforçado. E esse é um trabalho das empresas que não depende do Estado.

Nós, consumidores, podemos também ser mais sensíveis, nesta semana ou no dia de Black Friday, para olhar para a etiqueta de origem do fabrico ou para entrar mais em lojas de marcas portuguesas, mas, certamente, que seríamos todos atraídos por uma campanha nacional das empresas e suas associações, com apoio do Estado, para uma verdadeira “Red&Green Friday”. Se as marcas de bandeira portuguesa se unirem numa estratégia comum e criarem este conceito de promoção do que é nacional, com desconto especial, a população vai com certeza responder e perceber a mensagem e o objetivo. Mais do que apoios do OE, agora aprovado, o país precisa de boas ideias, mais inovação e melhor execução. E que tal uma sexta-feira encarnada e verde?

  • Rosália Amorim
  • brand, marketing & communication director do portuguese cluster da EY

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